Pezão terá aprovado PM fora das favelas durante a Copa?

Pedro do Coutto

A pergunta que está no título se impõe diante da reportagem de Marco Antônio Martins, Folha de São Paulo edição de quinta-feira, revelando que o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro agiu nesse sentido para evitar confrontos e clima de insegurança nessas áreas nas quais residem cerca de 2 milhões de pessoas. Se confirmada pela luz dos fatos, a decisão é de um absurdo total, traduzindo-se numa omissão para passar aos turistas uma falsa atmosfera na cidade. Que dizem o governador
Fernando Pezão e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame?
Para Paulo Storani, especialista em segurança pública, ouvido por Marco Antônio Martins, o projeto de solução mostra que a PM não possui efetivo suficiente para atuar, ao mesmo tempo, nas ruas do Rio e nos morros cariocas. Mas oferecer o que o repórter chama de trégua significa despir um santo para vestir outro. Nada acrescenta. Pelo contrário, expõe à criminalidade justamente os pontos mais críticos que ameaçam a população. Esquece e enfraquece os níveis de alguma segurança no entorno das favelas e nos bairros mais próximos delas.
Suspender as atuais operações, inclusive nas UPPS, até o final da Copa do Mundo: falso paliativo para encobrir a realidade, facilitando o comércio de drogas. Talvez para oferecer um atrativo a certo tipo de turista. Oficiais da PM ouvidos pela FSP afirmaram que, com o que chamam de trégua, não haja policiais baleados nos morros durante a disputa da Taça. Quer dizer: a esperança é que não sejam atacados ao longo da Copa do Mundo. A partir de 13 de julho, tudo voltará ao lugar depois que a banda passar, como no verso de Chico Buarque.
PERDA DE VOTOS
Não é possível que o governo estadual concorde em oferecer uma perspectiva dessas à população. Sobretudo porque Pezão é candidato ao Palácio Guanabara e tal caminho só lhe conduzirá à perda de votos, ele que já revela possuir tão poucos na última pesquisa publicada pelo IBOPE. Tudo leva a crer que, reafirmada a versão estilo Mágico de Oz, será um desastre em matéria de segurança, promovendo, isso sim, o aumento da insegurança. Uma vez que a PM esquece que os assaltantes e criminosos, de modo geral, depois de praticarem seus impulsos imundos, correm exatamente para esconderijos que possuem ou mantêm em favelas. Na busca de refúgio não vão encontrar a PM para barrar-lhes o caminho. Tal ausência será extremamente propícia para suas ações.
As favelas poderão deixar, por um mês apenas, de ser palco de confrontos, mas se tornarão cenário adequado para fugas na rota da impunidade. Parece incrível. Será possível um desatino desses?  Pezão deve responder à pergunta.

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