PF achou com o coronel amigo de Temer extrato de outra firma portuária

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Charge do Jorge Braga (O Popular)

Camila Mattoso
Folha

A Polícia Federal encontrou na casa do coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer, registros de pagamentos do grupo Votorantim no exterior. Os documentos mostram uma operação bancária, realizada em 2016, em dólares, no valor atualizado de cerca de R$ 8 milhões. A PF achou os papéis durante uma busca e apreensão da Operação Patmos, no ano passado.

O nome da Votorantim consta em uma planilha de 1998, que para investigadores trata de pagamentos de propina de empresas do setor portuário para políticos, entre eles Temer.

OUTRAS PROVAS – A tabela foi recuperada pela PF e é a base do inquérito aberto envolvendo o presidente. A polícia já identificou repasses e outras relações com o coronel amigo de Temer de empresas diversas que também aparecem na planilha.

Esse é o primeiro documento, com data posterior à tabela, com menção ao grupo empresarial paulista, um dos maiores do Brasil, vinculado de alguma forma ao coronel. A empresa diz que se trata de uma operação regular relacionada à venda de zinco e que desconhece o motivo de o papel ter sido encontrado na casa de Lima.

O coronel não se manifestou especificamente sobre o documento apreendido pela PF.

VOTORANTIM – O extrato está em nome da Votorantim Zinco e Metais, hoje chamada de Nexa. O grupo Votorantim está no Porto de Santos (SP) há 30 anos, desde 1997, com a Fibria Celulose, da qual atualmente é acionista. Desde setembro de 2017, quando seu acordo venceu, a Fibria opera no local sem contrato, com base em uma liminar da Justiça.

A empresa solicitou ser beneficiada por decreto do presidente Temer que permite ampliar de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos firmados após 1993.

O decreto passou a ser investigado no final do ano passado, por causa de ligações interceptadas pela PF durante a delação premiada da JBS.

CONFIRMAÇÃO – A PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) querem confirmar se houve pagamento de propina por parte de empresas do setor portuário para a edição da norma.

Além do contrato que venceu, a Fibria tem outro acordo no Porto de Santos, assinado após vencer um leilão em dezembro de 2015 —o valor da outorga foi de R$ 115 milhões. O acordo, porém, só foi assinado de fato em 2016.

Em outra ponta, a companhia tem uma parceria agrícola com coronel Lima em sua fazenda, a Esmeralda, em Duartina, interior de São Paulo, desde 2005. A fazenda fornece madeira para o mercado de celulose.

DOAÇÃO ELEITORAL – A Fibria Celulose doou cerca de R$ 4,3 milhões na campanha de 2014. Quase R$ 1 milhão foi para o DB. A empresa não era investigada. A Nexa, ex-Votorantim Metais Zinco, também não era investigada. Até agora, as suspeitas da PF eram sobre a Rodrimar, a Libra, a Multicargo e JSL —todas aparecem na planilha de 1998.

Executivos de todas essas empresas já foram ouvidos. A polícia suspeita que o presidente Temer tenha lavado dinheiro de propina em reformas em casas da família e em transações imobiliárias e que o coronel seja o intermediário do dinheiro de corrupção.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em janeiro, quando perder o mandato e o foro privilegiado, Temer será denunciado mais uma vez e todos os processos e inquéritos sobre ele baixarão para a primeira instância. Será um festival. A sorte dele é que já estará com 79 anos e a Justiça brasileira é muito generosa com os criminosos de idade avançada, como Paulo Maluf e Jorge Picciani, que ganharam prisão domiciliar apenas porque usam fraldas geriátricas, pois doença grave, mesmo, não existia. Enquanto isso, José Maria Marin vive a se culpar pela burrice de ter ido passear na Suíça, onde foi preso e deportado para os EUA, onde criminoso velho não tem regalias. (C.N.)

4 thoughts on “PF achou com o coronel amigo de Temer extrato de outra firma portuária

  1. O José Maria Marin foi preso,pelo FBI,na Suiça,durante uma reunião da FIFA.
    Depois foi levado para os EUA pois o crime do qual é acusado foi cometido lá.
    Ele foi preso juntamente com 5 ou 6 outros presidentes de Federações e o Del Nero,seu sócio e cúmplice,estava lá também mas conseguiu fugir.

  2. Mais uma CN; a justiça primeiro espera duas a três décadas para o cara ficar velhinho e aí sim libera o mesmo por ser velhinho.
    Mas, isto não é para quem quer não; é para quem pode.

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