PF analisa mensagens do advogado de Adélio, mas já constatou que não houve mandante

Decisão sobre quebra de sigilo de advogados de Adelio será do STF

Zanone recorre à OAB para suspender a quebra do sigilo

Patrik Camporez e André de Souza
O Globo

A Polícia Federal começou a analisar o material apreendido no escritório dos advogados que defendem Adélio Bispo, preso há três anos por desferir uma facada contra o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2018. Os policiais se debruçaram sobre trocas de mensagens, ligações telefônicas e eventuais e-mails encaminhados ou recebidos a partir do celular do advogado criminalista Zanone Manuel de Oliveira, responsável pela defesa de Adélio.

A PF também esquadrinha as imagens do circuito de segurança do escritório do criminalista, além de seus dados bancários. “A princípio, recebemos o inquérito e estamos olhando o material que foi apreendido com o advogado. O que estava suspenso era a análise do telefone dele. Aí, pode ter tudo lá dentro”, informou o delegado Rodrigo Morais, que conduz a investigação.

O INQUÉRITO – Segundo Morais, não há prazo para a finalização da análise do material, que está em posse da PF desde o fim de 2018, mas teve sua verificação suspensa por uma decisão liminar do desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Aberto para investigar o atentado contra o presidente Jair Bolsonaro, até hoje o inquérito não identificou qualquer elemento para sustentar a tese de que Adélio Bispo de Oliveira, autor do crime, tenha agido com a ajuda ou por ordem de outras pessoas, como costuma especular Bolsonaro.

Os policiais já analisaram milhares de imagens e mensagens, assim como dados telefônicos e bancários dos suspeitos. A conclusão da Polícia Federal, de acordo com o que foi apurado até agora, é a de que Adélio atuou sozinho. Diversas provas embasam tal conclusão.

TRF-1 LIBEROU – No começo do mês, uma decisão do TRF-1 liberou a continuidade das investigações. Antes disso, a PF já tinha concluído duas vezes que Adélio agiu por conta própria em setembro de 2018, quando atacou o então candidato a presidente durante um evento de campanha em Juiz de Fora (MG).

Faltava apenas quebrar o sigilo bancário do advogado Zanone, o que foi possível após a determinação do TRF-1. A polícia quer saber se ele foi contratado por um terceiro ou se resolveu assumir o caso atraído pela exposição midiática que teria.

A PF destacou na investigação que “de imediato surgiram várias postagens nas redes sociais apontando outros manifestantes como coautores do crime”, mas ressaltou que “referidas hipóteses não se confirmaram”. De acordo com a Polícia, algumas dessas pessoas, alvo de acusações infundadas na internet, foram espontaneamente prestar esclarecimentos e registrar ocorrência, uma vez que passaram a ser insultadas, ofendidas e ameaçadas nas redes.

OAB VAI RECORRER – Ao Globo, o  advogado Zanone Manuel de Oliveira disse que a OAB vai recorrer da decisão que liberou acesso ao conteúdo do seu celular.

— Quem está pagando, e o que o cliente conversa com advogado, são coisas a que o Estado não deve ter acesso. Essa cláusula de confidencialidade deve ser preservada. É um precedente perigoso não só contra um advogado em si, mas contra a democracia — destacou.

Já o advogado Fernando Magalhães, convidado por Zanone para compor a defesa, disse ao GLOBO que “não tem conhecimento” de quem, na origem, financia o seu trabalho nesse caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As acusações contra os advogados são ridículas. O escritório é conhecido em Minas Gerais por se oferecer para defender gratuitamente réus que tenham espaço na mídia, visando a conquistar novos clientes. Quanto ao fato de não receberem pagamento, isso e comum na advocacia, chama-se de casos “pro bono”. É sempre bom lembrar que há lendários advogados, como Sobral Pinto e Jorge Béja, que jamais cobraram honorários a seus clientes. (C.N.)

6 thoughts on “PF analisa mensagens do advogado de Adélio, mas já constatou que não houve mandante

  1. Curioso que quando verificado que no escritório de fachada que servia ao abrigo do Queiroz, não houve essa ação de busca, apreensão e vasculha do celular do advogado Wassef, muito mal se deu no local onde a localização daquele que se furtava para não ser encontrado, com auxílio total daquele advogado que, depois disse que não era nem advogado mais do Bolsonaro e seus familiares lhoa, mas recentemente sempre continuou aparecendo representando nós procedimentos criminais.

  2. O próprio advogado disse que teve alguem que pagou a defesa de Adélio, aí vem o Globo diz que não tem. Lembro que o tal advogado disse que quem pagou suas despesas foi uma rede de televisão. Teria sido a …?

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