PF faz buscas no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo

O líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/10-07-2019

Senador e o filho são acusados por desvio de verbas

Aguirre Talento
O Globo

Agentes da Polícia Federal cumprem na manhã desta quinta-feira, no Congresso Nacional, mandados de busca e apreensão no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado. Outro alvo da operação, autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o filho do senador, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE). Os policiais procuram por documentos também no gabinete de Coelho Filho, na Câmara dos Deputados.

Além das buscas no Congresso, endereços ligados aos parlamentares em Pernambuco também são alvos da operação.

DESVIOS DE VERBAS – A operação apura suspeitas de desvios em obras públicas do Ministério da Integração Nacional, da época em que Bezerra era ministro da pasta no governo Dilma Rousseff (PT), para recebimento de propina por meio de doleiros. Baseia-se em uma delação premiada assinada como desdobramento da Lava-Jato, do doleiro João Lyra. De acordo com o G1, a ação se baseia em inquérito que apura irregularidades em obras da transposição do Rio São Francisco.

A operação havia sido solicitada há um mês pela entào procuradora-geral da República Raquel Dodge, mas só foi autorizada na semana passada. Os mandados foram expedidos pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso.

Em nota, a defesa do senador Bezerra e do deputado afirma que os fatos investigados são antigos. “Causa estranheza à defesa do senador Fernando Bezerra Coelho que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, afirmou o advogado André Callegari.

DELAÇÃO – Bezerra já foi delatado na  Lava-Jato  pelas empreiteiras Odebrecht e Galvão Engenharia sob acusação de receber propina de  obras contra a seca.

Em sua delação premiada, João Pacífico, ex-executivo da Odebrecht, afirmou que se reuniu pessoalmente com Bezerra no ministério da Integração em 2013, durante o governo Dilma,  para saber se havia disponibilidade orçamentária do governo federal para concluir as obras do Canal do Sertão em Alagoas, tocadas pela Odebrecht. Na conversa, ele teria lhe pedido doações para a campanha.

Segundo Pacífico, a Odebrecht repassou, então, R$ 1 milhão em dinheiro vivo para um interlocutor de Fernando Bezerra em Pernambuco, por meio de três entregas feitas entre agosto de 2013 e setembro de 2014 a um aliado seu, Iran Padilha. “Os valores foram pagos na cidade de Recife/PE, utilizando-se de uma casa de câmbio denominada Monaco”, relatou Pacífico.

PROPINA – Em outra delação premiada, do ex-diretor da Galvão Engenharia Jorge Henrique Marques Valença, Bezerra também foi acusado de receber um percentual de propina referente a contratos do Departamento Nacional de Obras contra a Seca. Segundo Valença, Bezerra era beneficiário de um percentual de propina equivalente a 1,66% do valor da obra, e os recursos eram pagos em dinheiro vivo ao mesmo aliado, Iran Padilha. Neste caso, as entregas eram em Fortaleza.

Bezerra é investigado em ao menos dois inquéritos — um sobre as obras da seca e outro um sobre irregularidades envolvendo a Arena Pernambuco. O STF arquivou um inquérito sobre repasses de caixa dois da Odebrecht em 2010 e rejeitou uma denúncia movida contra ele sob acusação de receber propina das obras da refinaria Abreu e Lima, movida com base na delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os Bezerra (pai e filho) são escorregadios. A força-tarefa há tempos está atrás deles, mas os dois sempre escapam. Vamos ver se desta vez a operação dá certo. (C.N.)

9 thoughts on “PF faz buscas no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo

  1. Deve ser intriga da oposição. Esses Bezerra pai e filho são modelos de honestidade, virtude, patriotismo. Nunca desviaram verbas que serviriam para minorar o sofrimento de nossos irmãos nordestinos. Nunca.

  2. Bolsonaro, durante a sua campanha, afirmou que combateria a corrupção.

    Não disse que não poderia fazer nada com os corruptos, a ponto que escolheu como um de seus líderes no governo, exatamente um deles.

    Ao mesmo tempo, recorre a meios nada convencionais com seus filhos, onde um deles está envolvido até o pescoço no esquema de “rachadinha”, método empregado por 100 parlamentares em cada 90!!!

    Nessas alturas, o Brasil se encontra em várias frentes de batalha, e numa guerra que não está preparado:
    o desemprego;
    a corrupção;
    a pobreza e a miséria!

    Perderemos essa guerra, inexoravelmente.

  3. Randolfe diz que aliança com Alcolumbre chegou ao fim

    Por Marina Barbosa sobre Amapá Em 19 set, 2019 – 10:06

    Notícias Legislativo

    Randolfe apoiou candidatura de Alcolumbre à presidência do Senado, mas agora está decepcionado com atitudes do colega e disse que o fim dessa aliança terá impactos no Amapá.
    Eleito para a presidência do Senado com a bandeira da renovação política, Davi Alcolumbre (DEM-AP) tem decepcionado alguns aliados por medidas que, para muitos dos senadores que bancaram a sua candidatura, estão mais próximas da velha política. Um desses insatisfeitos é o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que carregava essa aliança com o DEM de Alcolumbre no Amapá, mas agora revelou ao Congresso em Foco que esta parceria chegou ao fim.

    > Senado tira aliados da Lava Jato do Conselho Nacional do Ministério Público

    A decisão foi admitida na noite dessa quarta-feira (18), depois que Randolfe e vários outros senadores questionaram a votação em que o Senado rejeitou a recondução de dois procuradores ligados à Lava Jato ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Os senadores reclamaram que a rejeição era uma retaliação articulada por Renan Calheiros (MDB-AL), com aval de Alcolumbre, ao trabalho de combate à corrupção do Ministério Público.

    Porém, não tiveram nem as queixas de que a votação não poderia ser realizada por conta do baixo quórum consideradas por Alcolumbre.
    Reforma tributária deve ser discutida em comissão de deputados e…

    18 set, 2019

    Deputado pede ao Supremo volta da reforma da Previdência à Câmara

    “Esta foi uma ação combinada. Uma retaliação pura, vil e baixa. O retorno da velha guarda do Senado”, reclamou Randolfe, que logo depois admitiu a decepção com as últimas decisões de Alcolumbre. “Eu lamento alguns caminhos que são perseguidos, que são tomados. Saio particularmente decepcionado, porque isso terá reflexo no meu estado, porque a gente tinha uma aliança. Tinha uma aliança política”, destacou o senador da Rede, lembrando que a última decisão desse tipo em relação ao Conselho Nacional do Ministério Público havia sido tomada quando Renan Calheiros era presidente do Senado.
    “Eu fico decepcionado porque participei da eleição do presidente para mudar práticas, mudar comportamentos. Mas hoje fui derrotado”.

    Eu achava que havíamos superado o tempo em que o Senado, sob comando de alguns, funcionava como um espaço de vindita privada, de retaliação. Acho lamentável e triste”, desabafou Randolfe, admitindo que esta não foi a primeira decisão de Alcolumbre a incomodá-lo, apenas o estopim para a ruptura política. “Com as últimas medidas, comecei a rever comportamentos que achei que tinham sido superados. Alguém que não dialoga, não conversa com as lideranças de oposição, alguém que faz cor com manifestações do plenário quando é para atender seus interesses, alguém que persegue opositores”, lamentou o líder da oposição.

    Após a sessão dessa quinta, Randolfe chegou até a se unir a senadores independentes ligados ao Movimento Muda Senado para discutir maneiras de protestar contra a rejeição dos procuradores do CNMP e melhor se posicionar no plenário em relação a temas como esse. Essas estratégias serão anunciadas nesta quinta-feira (18), com a presença de Randolfe.

    Questionado sobre a sua intenção ao se unir a este grupo, que há tempos cobra de Alcolumbre a instalação da CPI da Lava Toga e a análise do pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli e nesta quinta também deve pedir o cancelamento da votação dessa quarta e a realização de votações abertas, Randolfe explicou que quer “buscar o senador que nós defendemos em fevereiro deste ano”
    .
    “Eu até hoje estava acreditando que, em fevereiro, nós tínhamos reinaugurado isso [a velha política]. Mas hoje fui derrotado, como era derrotado quando o presidente era o senador Renan. O plenário foi utilizado como um instrumento de vindita [vingança]”, lamentou Randolfe ao sair do Senado na noite dessa quarta-feira.

    Randolfe era visto com frequência ao lado de Alcolumbre antes da eleição para a presidência do Senado. O líder da oposição chegou até a apoiar a candidatura de Alcolumbre ao governo do Amapá em 2018. Mas já há algum tempo deixou de fazer parte do círculo próximo do presidente do Senado.

    É que, nos últimos meses, Alcolumbre se aproximou de senadores ligados ao governo e também a senadores do MDB, como o próprio Renan Calheiros. Há quem diga até que ele é o grande articulador da indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

    Senadores convocam ato em defesa da CPI da Lava Toga.

    CPI da Lava Toga recupera assinaturas necessárias para ser apresentada

    https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/randolfe-diz-que-alianca-com-alcolumbre-chegou-ao-fim/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *