Enquanto o Brasil esvazia seu BNDES, a China cria um BNDES dela aqui no Brasil

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Para dominar o agronegócio, a China quer inviabilizar o BNDES 

Carlos Newton

O maior problema da discussão política são as aparências. Muitas vezes elas nos enganam. Aqui na Tribuna da Internet, é comum surgirem comentários propondo a privatização ou até extinção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Esse tipo de colocação resulta da ignorância reinante sobre a importância da atuação do banco nos diversos ciclos de crescimento socioeconômico que levaram o Brasil a se tornar uma das dez maiores economias do mundo.

Os defensores da extinção ou privatização do banco de fomento esquecem que o Brasil somente se industrializou porque o BNDES oferecia ao empresário brasileiro juros no padrão internacional. Criado através da Lei nº 1.628, em 20 de junho de 1952, durante o governo constitucional de Getúlio Vargas, o então BNDE (sem a rubrica Social) surgiu com a dupla incumbência de realizar planejamentos e implantar políticas consideradas fundamentais para o avanço da industrialização. Em síntese, o Banco seria o principal formulador e executor da política nacional de desenvolvimento econômico. E cuidou brilhantemente dessa atribuição.

MODELO BNDES – No início da década de 90, o governo da China enviou uma delegação de economistas ao Brasil para estudar o funcionamento do BNDES, que era então o maior banco de desenvolvimento do mundo, com capital superior ao do grupo bancário KfW, o BNDES germânico, cuja atuação foi fundamental para a recuperação econômica da antiga Alemanha Oriental.

Com base na estrutura enxuta do BNDES, o governo chinês criou sua própria instituição de fomento – o Banco de Desenvolvimento da China, que hoje é o maior do mundo, e trabalha em conjunto com o Eximbank chinês, enquanto no Brasil o BNDES acumula as duas funções – apoio à indústria e às exportações.

Essa história nada tem de original. Parodiando o cineasta George Stevens, pode-se dizer que assim caminha a Humanidade, porque as iniciativas que dão certo num país são logo adotadas por outras nações.

BANCO CHINÊS – O que se deve estranhar é que, enquanto no Brasil é defendida a privatização ou até extinção do BNDES, um dos maiores grupos industriais de China, a estatal XCMG, anuncia a criação de um banco no Brasil para competir com o BNDES no financiamento de equipamentos industriais e agrícolas.

Grupo XCMG pretende financiar por meio da instituição R$ 300 milhões em até cinco anos. Esse banco que está sendo criado no Brasil é o primeiro no mundo, porque mesmo na China, o grupo não atua no sistema financeiro

“O banco pretende ajudar muito a infraestrutura brasileira, oferecendo máquinas melhores a juros baixos”, afirmou o presidente da instituição, Wang Min, em entrevista à Folha de S.Paulo no último dia 6.

COMPETIÇÃO DIRETA – O grupo XCMG pretende financiar por meio da instituição R$ 300 milhões em até cinco anos. A criação do banco foi autorizada pela equipe econômica (leia-se: Banco Central) em outubro de 2019 e o início da operação está previsto para o primeiro trimestre deste ano.

Em novembro, a China direcionou mais de US$ 100 bilhões de pelo menos cinco fundos estatais para uma nova rodada de investimentos no Brasil. Pequim também sinalizou com uma expansão do crédito por meio de seus bancos no Brasil para competir principalmente por clientes do agronegócio e da indústria.

Em tradução simultânea, o banco chinês deve competir diretamente com o BNDES, servindo como linha auxiliar para a China dominar o crescente mercado brasileiro das máquinas agrícolas, em prejuízo da indústria nacional, cada vez mais sucateada.

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P.S. –
Os diplomatas e executivos chineses são extremamente hábeis na defesa dos interesses de seu país. Ao mesmo tempo em que o governo chinês negocia com os Estados Unidos um megaacordo comercial, está fincando seus pés no Brasil, para garantir o futuro abastecimento alimentar de seu povo. Jogam nas duas pontas, para sair ganhando em qualquer situação. (C.N.)   

17 thoughts on “Enquanto o Brasil esvazia seu BNDES, a China cria um BNDES dela aqui no Brasil

  1. 23:59 – “Ainnnnn, o Bolsonaro vai abrir a caixa preta do BNDES!!!!!!!!!”

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    00:00 – “Gustavo Montezano diz que não há nada mais a esclarecer sobre caixa-preta”

  2. O editor se esqueceu que as leis penais deste país favorece os criminosos, pois foram os mesmos que as elaboraram com a ajuda de inocentes úteis, os ingênuos.
    Ao contrário, na China existem perpétua e até pena d morte para ladrões e corruptos.
    Entendeu agora, editor, porque é proibitivo neste país possuir estatais?
    Aqui o crime compensa.

      • Sim. O problema do Brasil não é o fato de ter 3 ou 4 estatais como BB, Caixa e Petrobrás.
        O que é grave é o monopólio e os impostos absurdos que faz o preço dos nossos manufaturados para o consumidor ser o dobro do resto do mundo e por isso também inibe sua exportação.

  3. Uma Economia é composta de Capital Nacional e Capital Internacional.
    Um Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, BNDE, fundado em 1952 pelo grande Presid. VARGAS tinha a missão de financiar a longo prazo e Juros o mais próximo possível das taxas internacionais, para a Empresa NACIONAL e INFRA-ESTRUTURA, principalmente Energia Elétrica.

    Um País só dá Bom Padrão de Vida a seu POVO se a parte NACIONAL de seu CAPITAL for majoritária e CRESCENTE. O BNDES tem a estratégica Missão de FOMENTAR o CAPITAL NACIONAL.

    Por que é importante o CAPITAL NACIONAL crescente, e não decrescente como é hoje em nossa Economia?

    Tomemos o caso de uma Montadora de Colheitadeiras, Tratores e Implementos Agrícolas como a JOHN DEERE SA, Filial no Brasil e Sede em Moline-ILLINOIS-USA.
    Ela atende o Mercado Nacional, gerando aqui Emprego/Impostos/Renda, mas sua TECNOLOGIA é toda desenvolvida na Matriz em Moline-ILLINOIS-US, e com todo direito remete Lucros/Royalties, Assistência Técnica, Salários/Participação nos Lucros para a Alta Direção que é Americana, etc, etc, para os USA.

    Mas o pior é que, fabricando um Produto aqui no Brasil que teria excelente probabilidade de EXPORTAÇÃO para América Latina, África, Oriente Médio, partes da grande Ásia, etc, essa EXPORTAÇÃO jamais será feita pela Filial do Brasil mas via MATRIZ nos USA, afinal a Política dos USA é Make America Great Again, se re-Industrializando e gerando Empregos/Renda lá.

    E assim com TODAS as Empresas de Matriz no Exterior.

    O Brasil só dará Bom Padrão de Vida a seu POVO se tiver a “parte NACIONAL de sua Economia Majoritária e Crescente”, como nos ensinava o grande Gov. CARLOS LACERDA.
    Para isso o BNDES é fundamental.

    E onde está a Federação das Indústrias, especialmente a poderosa FIESP que não se manifesta. Parece que não se fazem mais FIESP como antigamente.

  4. Peço permissão ao Mediador, Carlos Newton, para mencionar a sua expressão “Tradução Simultânea”, com relação ao comentário do meu amigo e mestre Bortolotto:

    Em razão de os nossos governantes JAMAIS pensaram no país, pois preocupados somente com a política ignóbil e corrupta que sempre nos caracterizou, desconhecemos investimentos em pesquisas, então as nossas dependências na ciência e tecnologia existentes em outras nações.

    Vendemos a matéria-prima, como conhecida anteriormente, e a trazemos de volta industrializada por preços muito maiores que os valores exportados pelo mesmo material!

    Após o fim da Segunda Guerra, o mundo teve uma sequência de crescimento vertiginoso, incluindo os países que tinham sido arrasados na guerra.
    Foi o momento adequado e propício para o Brasil dar o seu salto de qualidade, de industrialização, e sair do estágio de agrícola-pastoril.

    Vargas instaurou uma doutrina econômica de interferência estatal sobre a economia. Nela, o Estado era o principal investidor e impulsor da economia nacional.

    Assim, por meio da aplicação fundos para a criação de infraestrutura industrial, impulsionou indústrias de capital privado como estatal.

    Além disso, estabeleceu mecanismos sociais com a Consolidação das Leis do Trabalho, onde garantia uma série de direitos trabalhistas como o seguro-desemprego e férias pagas aos trabalhadores urbanos. É preciso ressaltar que os trabalhadores rurais não foram beneficiados com essas leis.

    Em 1938, Vargas criou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Companhia Siderúrgica Nacional em 1940, a Vale do Rio Doce, em 1942 e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco em 1945.
    Em 1953, Getúlio cria a Petrobrás.

    A partir de 54, com o seu suicídio, o Brasil entrou numa maré de golpes políticos, que impediram o nosso crescimento calcado nas obras de Vargas.

    Juscelino ao construir Brasília, poderia ter dado o devido impulso à tecnologia nacional.
    Mas, a deixou de lado com a construção da nova capital, e estímulos à indústria de veículos, evidentemente montadoras, pois as marcas dos carros, camionetes, caminhões e ônibus eram todas estrangeiras.

    Mesmo com os militares no poder não sentimos o sabor de o país ter a sua tecnologia;
    ao devolverem o país para os civis, de 85 para cá mais ainda ficamos dependentes do avanço de outras nações para obtermos produtos e máquinas, remédios e veículos, originários de outros países.

    Portanto, perdemos, indiscutivelmente, o trem da história quanto à nossa independência científica e tecnológica.
    Não temos nada que seja nosso originariamente, mesmo sendo um dos maiores exportadores de commodities.

    Em compensação, nação alguma paga para seus poderes legislativo e judiciário, os proventos milionários que os remuneramos, muito menos oferecem a vida nababesca que concedemos às duas castas em termos de regalias, mordomias, penduricalhos, auxílios pecuniários, diárias, planos de saúde e dentário … enfim, um corolário de privilégios que os países mais ricos do mundo nem sonham em gastar o dinheiro que nos custam esses dois poderes!

    Podemos não ter nada em ciência e tecnologia, mas, em compensação, parlamentares e magistrados são os que melhores são pagos no planeta!

  5. KKK depois que começarmos a ver placas com o nome ICBC entre outros, vamos ficar indignados. Quem precisa de dinheiro procura onde ele custa menos, nos bancos chineses que vem por aí. Os governos vão e vem mas insistem em manter os maus hábitos de sempre,emprestar aos bancos à inferiores a Selic. Depois de nada vai adiantar a nossa indignação

  6. “Os defensores da extinção ou privatização do banco de fomento esquecem que o Brasil somente se industrializou porque o BNDES oferecia ao empresário brasileiro juros no padrão internacional”

    Não queremos é essa transferência de renda, em que pobres e miseráveis pagam impostos para bancar empresários ricos. Se o banco quer transferir dinheiro, então faça isso para todos os brasileiros. (obvio que é impossível.) O dinheiro é retirados de todos para entregar a alguns.

    “Os diplomatas e executivos chineses são extremamente hábeis na defesa dos interesses de seu país”

    Eles defendem os interesses do partido comunista, que é o dono do pais.

  7. Caro Bendl;
    Colocando números no que você citou.
    Tenho filhos (filhas) morando em Eskilstuna, em Akron e em Honk Kong.
    O salário da alta burocracia ( Procurador/Senador/General/Juiz) nestes três países, nunca atinge três vezes o salário do operário local.

  8. “em prejuízo da indústria nacional, cada vez mais sucateada.”
    Só “esqueceu” de falar, que não tem como competir com um Pais (china), que não paga direitos (férias, 13o., etc.), e que o salario do metalúrgico lá, é mínimo, o imposto cobrado para sustentar a nomenclatura é menor. E tem o fato deles “mandarem” no cambio.
    PS: Ninguém também lembrou, que nos anos citados (antigamente), o governo militar (para proteger e equiparar os custos da indústria nacional), cobrava esses custos escravos (operacionais), através da quarta via, como o Trump está cobrando da China (e ninguém mais fala no assunto, pois o Trump, não está cobrando do Brasil).

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