Piada do Ano ! MPRJ transfere promotora bolsonarista militante para unidade que investiga Flávio

Promotora é madrinha de casamento da advogada de Flávio

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto
Estadão

A promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio, ganhou o noticiário quando, em novembro de 2019, passaram a circular nas redes sociais fotos dela vestindo camiseta de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco.

Na época, ela integrava a equipe encarregada pela investigação do assassinato da parlamentar e acabou pedindo baixa do caso dizendo ser alvo de ‘ataques ideológicos’. O nome da promotora volta a repercutir agora que ela foi transferida para a Promotoria Eleitoral responsável pelo inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente, na campanha para deputado estadual em 2014.

DECLARAÇÃO DE VALORES – A investigação em questão mira a declaração de valores diferentes atribuídos a um mesmo apartamento em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, nas prestações de contas entregues por Flávio à Justiça Eleitoral em 2014 e 2016. No intervalo de dois anos, o imóvel foi declarado com um valor R$ 142 mil menor. A compra e venda de imóveis também é um dos focos da investigação que denunciou Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das ‘rachadinhas’.

A nomeação da promotora foi formalizada no final de fevereiro. Segundo o Ministério Público do Rio, a escolha foi feita a partir de ‘critérios objetivos’ e após aprovação em concurso interno. “A designação observou critérios objetivos, após concurso de lotação aberto aos Promotores de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, não tendo havido escolha pelo Procurador-Geral de Justiça. Só após assumir a atribuição, a promotora de Justiça deverá se pronunciar da análise dos procedimentos constantes no órgão”, diz, em nota, a instituição.

APURAÇÃO – As manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro levaram à abertura de um procedimento interno no Ministério Público fluminense para apurar suposta conduta político-partidária da promotora. A atuação de promotores em campanhas e ações políticas é vedada pela Lei Orgânica do Ministério Público.

O casso correu sob sigilo e acabou arquivado pela Corregedoria em agosto do ano passado.Além das fotos vestindo a camisa estampada com o rosto de Jair Bolsonaro e a frase ‘Bolsonaro presidente’ e ao lado do deputado Rodrigo Amorim (PSL), Carmen Eliza fotografou a cerimônia de posse do presidente e escreveu na legenda: “Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória”.

A promotora também comemorou o resultado das eleições de 2018 afirmando que o Brasil se livrou de um ‘cativeiro esquerdopata’. “Patriotismo. Assim que se constrói uma nação ! União em prol do Brasil! Família, moral, honestidade, vitória do bem!”, escreveu em suas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAlém de ferrenha militante bolsonarista, segundo o jornalista Guilherme Amado, da Época, a promotora Carmen Eliza é madrinha de casamento de Luciana Pires, advogada do filho mais velho do presidente ! É o fim da picada, mesmo. Assim como foi dito nesta Tribuna que Eliza deveria se declarar suspeita e sair do caso Marielle Franco, também não cabe a sua participação no inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens de Flávio. A promotora já deu provas mais do suficientes que está fechada com o presidente até o último fio de cabelo. (Marcelo Copelli)

6 thoughts on “Piada do Ano ! MPRJ transfere promotora bolsonarista militante para unidade que investiga Flávio

  1. “Randolfe Rodrigues, líder da oposição no Senado, disse a O Antagonista duvidar de que a compra da mansão em Brasília por Flávio Bolsonaro, revelada por este site, não esconda alguma ilegalidade.

    “Estou há 10 anos como senador. Posso dizer que quem não é empresário bem sucedido ou não recebeu herança não consegue comprar uma mansão de quase R$ 6 milhões com salário de senador. Só pode ser ladrão. Por via honesta, não foi.” (Antagonista)

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