Piada do ano: presidente do PT insiste em dizer que o mensalão não existiu

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou nota oficial criticando o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter expedido mandado de prisão contra 12 condenados no processo do mensalão, e afirmou que a decisão da Corte “constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa”.

Na nota, Falcão disse que o PT reafirma a posição que considerou o julgamento “injusto, nitidamente político, e alheio às provas dos autos” e que o partido reitera “sua convicção de que nenhum de nossos filiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares”.

A determinação do STF para a execução imediata das penas de companheiros condenados na Ação Penal 470, antes mesmo que seus recursos (embargos infringentes) tenham sido julgados, constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa.

Embora caiba aos companheiros acatar a decisão, o PT reafirma a posição anteriormente manifestada em nota da Comissão Executiva Nacional, em novembro de 2012, que considerou o julgamento injusto, nitidamente político, e alheio às provas dos autos. Com a mesma postura equilibrada e serena do momento do início do julgamento, o PT reitera sua convicção de que nenhum de nossos filiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve da parte dos petistas condenados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal para enriquecimento.

Expressamos novamente nossa solidariedade aos companheiros injustiçados e conclamamos nossa militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGRui Falcão é um humorista. Dizer que não houve pagamento de mesada a parlamentares, a esta altura do campeonato, merece disputar o prêmio da Piada do Ano. (C.N.)

25 thoughts on “Piada do ano: presidente do PT insiste em dizer que o mensalão não existiu

  1. Infelizmente o PT, caiu nos erros que condenavam. Achou que poderia fazer como os que sempre fizeram. Lula, principalmente traiu a confiança e esperança dos milhões que esperavam do PT a mudança. Agora prevalece o ” você é nosso e nós somos teu”, a aliança com os maiores corruptos não arrependidos deste país. Eu próprio, perdi 15 anos de minha vida, militando a favor do PT, agora acho que Lula nunca quis mudança nenhuma, fez o jogo das elites que controlam este país. Tinha o povo ao seu lado para as mudanças, mas preferiu a carta aos brasileiros. Deveria estar junto aos presos, mas como sempre foi esperto, pulou fora do barco. Agora, não contem comigo e com os milhões que militavam de graça pela esperança de um novo Brasil.

  2. Como diz o velho ditado “todos farinha do mesmo saco”, os irmãos siamases (Jose Guilherme, méritos)., fazem as coisas idênticas, o único e exclusivo detalhe é que os “intelectebas do Partido Francês são um pouquinho mais ixxxpertos, mandam o dinheiro roubado para as Ilhas Caymans, e a outra quadrilha prefere esconder os dólares na cueca…….
    Mas a finalidade é sempre a mesma, tirar dinheiro de todos os cantos e descantos para os partidos e o que sobra para os seus integrantes….

  3. Esse Rui Falcão só não é mais Pustulão, babacão e covardão porque Deus não fez ninguém perfeito e, ainda está faltando ir para a prisão o chefe da quadrilha que é o marginal do Sr “LULALAU”.

  4. Se a Mídia der trela todos os 500.000 presidiários do Brasil dirão a mesma coisa.
    É o Refugio Moral !
    O Ladrão dirá Roubei mas não matei; o homicida dirá: Matei mas não estuprei; o homicida que estuprou dirá: Matei estuprei mas não esquartejei…e assim por diante.
    Todo criminoso tem que achar um Refúgio Moral onde se sustentar, enquanto cumpre pena e mantenha um mínimo de autoestima para sua recuperação !
    Refugio Moral, todo criminoso tem isso para manter a condição da sua identidade humana, algum ponto de Valor !
    Funciona como uma confissão de culpa, reinterpretar a pena e buscar algum valor próprio !
    Temos que ser compreensíveis. É como um “Mea Culpa” seguido de um “Mas, olha como tenho um lado bom !”
    Isto é muito natural , é do ser humano ! Temos que ver isto com uma dose de compaixão se esperamos a ressocialização destes criminosos por uma consciencia moral !
    Ainda que seja mínima esta base de valor é sobre ela que edificarão suas regenerações !

  5. Existiu? então diga de qual conta publica saiu o dinheiro. Diga, caro colunista, quanto foi beneficiario o Jose Dirceu e Genuino, quanto foi depositado em suas contas. Ah não existe dinheiro na conta de Jose Dirceu nem de Genuino? Isso todos sabem, mas tem que parar o Governo Dilma\Lula, senão como poderemos voar daqui 10 anos, cheio de empregadas domesticas, no mesmo avião, cheirando a perfumes, que não são franceses.

  6. Caro colunista, eu sei antes de se criar a CPI dos Correios, que derivou o chamado MENTIRÃO, que tem dinheiro bloqueado na Suiça, em contas de ex secretarios de Covas. Mas o negocio é prender o Genuino, que mora em uma casa humilde, diferente da casa de Fernando Henrique, não o apartamento em Higienopolis, nem os apartamentos nos Estados Unidos nem em Paris, diferente da casa de praia do ex presidente. Muito inferior que a casa que Fernando Henrique tem em sua fazenda. Mas Genuino tem que ser prero, pois passou pela vida publica, e mora numa casa humilde.

  7. Nada que diz o Rui Falcão, o “boneco de ventrículo”, do Zé Stálin Dirceu é crível. Age com mão de Stálin na cooptação e imposição dentro da legenda dum “partido” que nas origens se imaginava dos Trabalhadores, que movia corações e mentes, tornou-se nas mãos dos burocratas e mensaleiros no Partido a serviço da classe dominante e prestadores de serviços de “consultoria” Grand Capital Internantional.

  8. Newton meus comentarios sobre os desvios do Trensalão, que essa semana, teve 60 milhoes bloquedos, assim como estão bloqueados, ha mais de 7 anos na Suiça, os desvios na conta do EX Chefão da Casa CIvil de Covas, não estão saindo aqui. Esses comentarios eu fiz ha quase uma hora e depois disso, ja foram liberados varios comentarios. Sera que o blog voltou a ter prtoblemas?

  9. DEMÉTRIO MAGNOLI (Folha)

    Bom dia, tristeza
    Dirceu, Genoino e Delúbio não aprenderam nada, depois de um quarto de século de democracia

    Acordei anteontem sob o impacto da notícia da expedição de mandados de prisão para os condenados do “mensalão”. Uma tristeza, inicialmente indefinível, tomou conta de mim. Sim: eles devem ser presos, em nome da democracia e da justiça. Sim: a prisão deles é um sinal de que a igualdade perante a lei ainda tem uma chance na nossa pobre república habitada por tantas figuras “mais iguais” que as demais. Por que, então, a tristeza?

    Os integrantes do núcleo político do “mensalão” foram condenados sem provas, por um recurso à teoria do domínio do fato, alegam ali (no PT, em sites chapa-branca financiados com dinheiro público) e aqui (neste espaço, por comentaristas que não se preocupam com a duplicidade de critérios morais), numa tentativa canhestra de confundir o público. A teoria do domínio do fato, amplamente utilizada nos tribunais brasileiros, não equivale a uma noção arbitrária de “responsabilidade objetiva”, que é coisa de tiranias, e não dispensa provas. Ela é uma ferramenta analítica destinada a identificar responsabilidades em crimes cometidos pelo concurso de agentes: no julgamento de uma quadrilha de assaltantes de banco, serão imputadas penas não só aos que empunharam armas, mas também aos planejadores da ação. Sobram provas nos autos do processo do “mensalão”. Não: a lenda do “julgamento político” não me comove nem um pouco.

    A Ação Penal 470 é “um ponto fora da curva”, dizem alguns cínicos e incontáveis porta-vozes informais do governo. O diagnóstico é compartilhado por não poucos advogados de boa-fé que se habituaram às transações internas de nossa elite de fidalgos a ponto de confundirem impunidade com justiça. Talvez seja mesmo: o STF nem mesmo abriu processo contra Antonio Palocci, apesar dos indícios clamorosos de que o então ministro cometeu um crime de Estado, violando o sigilo bancário de uma testemunha sem posses ou poder. Mas, se assim for, que o “ponto” inaugure uma nova “curva”, traçada por um compasso que não reconheça privilégios derivados do convívio nos palácios. Não: o ineditismo real ou suposto da prisão de gente de “sangue azul” não é o que me entristece.

    Na hora em que li a notícia da prisão iminente dos cérebros do “mensalão” veio-me à mente uma frase de Leon Trotsky, pronunciada perante uma maioria stalinista hostil que o isolava no Partido Comunista: “Em última análise, o Partido está sempre certo, porque é o único instrumento histórico que a classe trabalhadora tem para a solução de suas tarefas fundamentais. Só podemos ter razão com o Partido e através do Partido, porque a História não criou nenhuma outra forma para a realização do nosso direito. Os ingleses têm um lema: Meu país, certo ou errado’. Com muito maior justificação, podemos dizer: meu Partido, certo ou errado.” Dirceu, Genoino e Delúbio não são revolucionários, nem de longe, mas herdaram da tradição comunista a convicção de que o Partido possui direitos extraordinários, oriundos de uma aliança especial com a História. Por pensarem isso, agora se declaram “presos políticos”. Sim, estou triste e sei por quê: eles não aprenderam nada, depois de um quarto de século de democracia.

    Dirceu et caterva aparentemente não desviaram dinheiro público para formar patrimônios privados próprios, mas para estabilizar e reproduzir um sistema de poder. Eles fizeram o que fizeram em nome dessa ideia: a Verdade do Partido. É bom, muito bom, que a Corte diga-lhes que nossa República não reconhece nenhuma verdade transcendental. Não estou triste, mas feliz, com o triunfo da mensagem de que a corrupção em nome de uma causa, de um Partido ou da História, escrita assim com maiúscula, é um crime tão grave quanto a corrupção em nome do vil metal. Entristece-me, isso sim, a constatação inevitável de que nossa democracia, imperfeita mas real, não conseguiu civilizá-los.

  10. A hora da justiça para todos

    Wanderley Guilherme dos Santos

    Seria surpresa se ocorresse alguma alteração nas penas do julgamento da Ação Penal 470. A composição do Supremo Tribunal Federal está irremediavelmente contaminada pela obstinação de vingança. Cada um dos ferozes membros persecutórios terá sua razão para tanta ousadia, não sendo de ignorar a ânsia coletiva de abiscoitar segundos de televisão. Televisão comprometida, que divulgava e assediava, promovia e cobrava. Difícil imaginar Joaquim Barbosa expondo a mesma agressividade e maus modos em outro julgamento. Ou a perfídia demonstrada pelo alquimista da “teoria quântica do Direito”, Ayres de Brito, a despudorada confissão de Luis Fux dos caminhos que percorreu até conseguir a indicação para uma vaga. Manobras entre as quais se inclui a bajulação de José Dirceu, a quem devolve, em paga, a inclemência de um juízo ao arrepio das evidências.

    Muito especialmente, não fora a televisão e os pares não teriam paciência para os arrebatados libelos fascistóides de Celso de Melo. Ele, Ayres de Brito e Joaquim Barbosa oficiaram sucessivos rituais de degradação e humilhação de que são poupados até mesmo reais assassinos. Chamando os fatos por seus nomes, deviam ser constitucionalmente afastados dos privilégios que detêm e submetidos a julgamento por calúnia e difamação. Não ocorrerá, com certeza, e o Brasil contará mais meio século antes que a mesma Organização Globo venha outra vez a público dizer que se equivocou no que está perpetrando agora. Já terão morrido os responsáveis pelos assassinatos de caráter que patrocinam hoje, seus comentaristas e cronistas, como já morreram os que, em 1954 e 1961, e novamente em 1964, desta vez com sucesso, conspiraram, participaram, apoiaram e se beneficiaram de todos os movimentos reacionários já ocorridos na história republicana. Revisão do julgamento inteiro é o que se impõe. Esse processo não pode terminar pela prepotência e pela sede de vingança. Há que rememorá-lo sempre até que seja revisto.

    Imagino o que se passa nos rincões do País aonde não chegaram as garantias do Judiciário, ficando a população pobre entregue aos potentados locais. Ou, se elas chegaram, apresentam-se inúteis, tendo seus agentes, os juízes, intimidados ou corrompidos pelos mesmos milionários. Sabendo ou não sabendo o que dizem, ocupados e desocupados, sucedem-se os advogados de uma reforma política, acusadores permanentes do Legislativo. Aliás, não há um só ministro de qualquer instância que não proclame os benefícios de sua reforma de estimação. Como se ao Judiciário tivesse bastado a modernização que, de fato, sofreu. Mas não basta. Há corrupção, negligência e desvirtuamento da função judiciária por esse Brasil a fora. Inútil esperar de seus pares (como eles afirmam dos políticos) as iniciativas para assegurar um sistema realmente moderno e independente em todo o território nacional. Deve ser programa de governo.

    A população pobre do Brasil já teve fome. Hoje, tem a perspectiva do alimento e do teto. Necessita de justiça. Enquanto não houver justiça para todos digna desse nome não se poderá dizer que o Brasil é um país solidamente democrático. Fora do alcance da justiça, não obstante eventual existência de instituições judiciárias, sobrevive complexa sociedade na qual os capítulos constitucionais dos direitos sociais e políticos dos cidadãos são letra morta. A constitucionalização urgente de todo o País é programa de governo. Justiça para todos ou o Supremo não será nem tribunal, nem federal, apenas uma corte televisiva.

  11. Newton o mensalão existiu sim está mais do que provado. Só não foi tipificado corretamente, pois, independente dos crimes pelos quais estão sendo condenados, faltou o pricipal deles: Tentativa de golpe contra o Estado. Se não tivesse havido desentendimento entre os golpistas o PT teria tomado os Estado Brasileiro em um golpe atípico: Um golpe baseado somente na courrupção; prescendindo do concurso das Forças Armadas. Assim mesmo houve um estrago no Congresso. A “cooptação de parlamentares a base de grana foi colossal”. Quem tiver a curiosidade de fazer o levantamento verá. Só para embasar o que digo: O PDT que tinha 21 deputados ficou com 8. O caso mais interessante foi o do deputado do Maranhão, Luciano Leitoa. Foi o deputado federal mais jovem a ser eleito até 2002. Visitou a sede do PDT no Rio de Janeiro, fez juras de leandade, colocou seu gabinete a disposição da militância e mais e mais. Três/quatro mêses depois de eleito, nos corredores da Câmara dos deputados encontrou com Waldomiro Diniz o secretário de Dirceu que abraçando-o disse: Você não vai arrumar nada no PDT, tenho outro partido muito melhor. Lá foi-se o deputado Leitoa para o PSB. Dizem que levou um ajudazinha de meio milhão. Hoje é prefeito de uma cidade no Maranhão.Tambem foram cooptados na base da grana três senadores do PDT Almeida Lima, um outro de Roraima e outro do Mato Grosso. A composição do Congresso foi totalmente modificada.

  12. Genoíno, ao ser preso, ao invés de dizer “Viva o PT”, se tivesse maior consciência histórica, diria “Viva o Brasil”. Esse ato falho mostra que o partido e seus interesses estratégicos sempre estiveram acima dos verdadeiros interesses do País. Daí porque a incapacidade crítica de entender que aquilo que eles cometeram não é tolerável numa democracia.

  13. O que acha do mensalão um homem aparentemente tão bem informado como dom Raymundo Damasceno, 75 anos, arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)? A Folha de S. Paulo, um dos principais diários do País, o ouviu a respeito em meados de setembro e publicou nota com o seguinte título: “Presidente da CNBB afirma que mensalão está comprovado”. Na abertura do texto, o jornal diz que, para dom Damasceno, “a existência do esquema do mensalão petista está comprovada”.

    A informação merece reparos. A Folha é um jornal conservador; sua posição editorial é de defesa da condenação dos chamados mensaleiros. E, no caso da nota citada, uma edição mais cuidadosa do texto deixaria margem para dúvida sobre a posição do entrevistado. Dom Damasceno, segundo o segundo parágrafo da nota, diz uma coisa e seu oposto, em sequência: “O processo aí no Supremo está nos dizendo que o fato existiu. Ou então estão fazendo um julgamento fictício”. No entanto, não é de estranhar que o alto prelado católico condene os mensaleiros e julgue que, por A+B, o Supremo Tribunal Federal (STF) provou a existência do “esquema do mensalão petista”. Por vários motivos, o primeiro dos quais é o de que as pessoas são, de um modo geral, muito mal informadas, especialmente quando as questões são complicadas, como nesse caso.

    Depois de dez grandes investigações sobre a Ação Penal (AP) 470, na qual o STF julgou a história, Retrato do Brasil a resume em quatro pontos:

    1. Já no segundo turno da eleição presidencial de 2002, que elegeu o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores, antes execrado pelos homens do dinheiro, de modo geral, tornou-se o preferido dos financiadores da campanha – arrecadou mais que seu adversário de então, o PSDB de José Serra.
    2. Entre o início de 2003 e meados de 2005, dois pequenos bancos mineiros, Rural e BMG, emprestaram à SMP&B, uma grande agência de publicidade de Belo Horizonte, para serem transferidos ao PT, 56 milhões de reais. A agência, por sua vez, por ordens do comando do PT, repassou os 56 milhões a pessoas do próprio partido, para o marqueteiro da campanha de Lula, Duda Mendonça, e para alguns de seus aliados, especialmente o PL, do então vice-presidente da República, José de Alencar.
    3. Em junho de 2005, o presidente do PTB, o deputado federal Roberto Jefferson, um dos beneficiários do dinheiro repassado pelos petistas, ao ser acusado pela revista Veja, numa história de corrupção existente na estatal Correios, denunciou o esquema citado, que viria a ser chamado de “o maior escândalo político da história da República”, o “mensalão”. O mensalão corresponderia a uma espécie de mesada para comprar parlamentares, comandada por José Dirceu, então chefe da Casa Civil do presidente Lula. Jefferson apontou o publicitário Marcos Valério, um dos diretores da SMP&B como a figura chave na distribuição do dinheiro. E, em 14 de julho daquele ano, por iniciativa do próprio advogado de Valério, Marcelo Leonardo, toda a lista de beneficiários dos 56 milhões distribuídos foi entregue ao então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza e, logo depois, divulgada pela imprensa.
    4. O caso, uma típica distribuição clandestina de dinheiro para campanhas eleitorais, assumiu forma radicalmente diferente com a descoberta, logo a seguir, a 3 de agosto, de que o diretor de Marketing do Banco do Brasil (BB), o petista Henrique Pizzolato, tinha sido o receptador de cerca de 300 mil reais do dinheiro distribuído. O BB tinha contrato de publicidade com a DNA, outra empresa com a participação de Valério. A DNA aplicara em publicidade 73,8 milhões de reais do BB, vindos de um fundo chamado Visanet, formado pelas comissões obtidas com a venda de cartões de bandeira Visa. E logo surgiu o que é basicamente a tese central, o pilar da acusação contra os petistas: os 300 mil reais recebidos por Pizzolato eram uma propina – e não dinheiro repassado por ele ao PT, como o diretor do BB alegava; essa propina teria sido dada a ele por Valério para a compra do apartamento em que morava; os 73,8 milhões do fundo Visanet não tinham pago publicidade alguma; a DNA usara esse dinheiro para simular a existência dos 56 milhões de empréstimos dos bancos mineiros repassados ao PT. Ou seja, de fato, os empréstimos dos bancos eram o disfarce para um grande desvio de dinheiro público, o dinheiro roubado pelo PT do BB.
    Retrato do Brasil demonstrará exaustivamente em sua edição de dezembro, quando reeditará as dez grandes reportagens que fez sobre o assunto, que essa tese mestra do mensalão é falsa. O exemplo de dom Damasceno mostra que, mesmo pessoas que deveriam estar suficientemente esclarecidas sobre o assunto, ainda permanecem confusas. Quando o julgamento da AP 470 começou, em agosto do ano passado, segundo apurou o instituto DataFolha em pesquisa nacional, 73% das pessoas achavam que os acusados deveriam ser condenados e presos, embora apenas 16% do total se considerassem “bem informados”, 39% se achassem “mais ou menos informados” e 20%, “mal informados”. E, além disso, 46% dos entrevistados considerassem o julgamento “parcial” e apenas 39%, “imparcial”.

    Quando o STF decidiu que 12 dos mensaleiros, condenados por pequena diferença de votos, deveriam ter direito a uma espécie de segunda instância de julgamento, com o reexame dos autos pelo próprio tribunal, mas com um novo revisor, nova pesquisa nacional feita pelo Datafolha mostrou que 79% das pessoas queriam a prisão imediata dos mensaleiros. No entanto, apenas 20% do total de entrevistados achavam que o STF tinha feito um trabalho “ótimo ou bom”; 29% consideravam o trabalho da corte “regular” e 41%, “péssimo”.

    Tudo indica que, de um modo geral, a opinião pública, tanto a esclarecida como a menos esclarecida, se acomodou com uma versão da história parecida com a que teria manifestado o cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e hoje um dos principais assessores do papa Francisco, quando, de acordo com documentos vazados pelo WikiLeaks, responsabilizou o ex-ministro Dirceu pelo escândalo do mensalão, ao afirmar que o presidente Lula “não merecia isso”, em conversa com o então cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Christopher McMullen, em março de 2006. Dom Cláudio absolveu o PT e sua figura – digamos assim – monumental. Segundo teria dito na tal conversa com o representante do governo americano, Lula foi “mal servido de pessoas que possuíam seus próprios interesses” e, no caso de Dirceu, o ex-ministro “aparelhou o governo para atender à ânsia de poder do PT”. O encontro foi relatado em telegrama enviado ao Departamento de Estado americano, em 14 de março de 2006, e repassado ao diário O Globo pelo WikiLeaks.

    Note-se que os próprios petistas queriam a prisão dos mensaleiros na mesma intensidade pretendida pelos não petistas. Dos pesquisados pelo Datafolha no levantamento já citado, de agosto do ano passado, dos quais, no total, 73% queriam a prisão imediata dos mensaleiros, quando a pesquisa considerava apenas os petistas, o resultado era o mesmo: 73% dos identificados com o partido também queriam “a condenação e prisão imediata” dos mensaleiros.

    Essa “opinião pública” a respeito do mensalão mudou com o tempo: no auge do escândalo, no final de 2005, as pesquisas mostravam que, na eleição presidencial do ano seguinte, o então possível candidato da oposição pelo PSDB, José Serra, estava à frente de Lula. Já em março de 2006, a situação se inverteu e Lula passou a ser o preferido. O petista só não ganhou a eleição presidencial de 2006 no primeiro turno, porque foi levantada contra o partido outra tese de corrupção, a dos chamados “aloprados”, com a prisão de alguns petistas de posse de dinheiro vivo para a campanha eleitoral e a exposição dos montes de notas apreendidas com eles pelo Jornal Nacional da TV Globo, exatamente na véspera do primeiro turno do pleito. Já nas eleições seguintes, de 2010, para presidente, e de 2012, para prefeitos, o PT, de Lula, ressalve-se, voltou a ser o guia político da opinião pública: como o próprio Lula declarou, referindo-se à vitória de Dilma Rousseff e à de Fernando Haddad, ele foi elegendo “postes” e “iluminando o Brasil”.

    Abaixo o vídeo didático divulgado no mês passado, com narração do escritor e jornalista Fernando Morais. Nele, um apanhado da investigação de Retrato do Brasil.

    Share on emailShare on favoritesMore Sharing Services
    Marcadores: AP470, José Dirceu, Lula, Marcos Valério, mensalão, nacional, política, ponto de vista, PT, Raimundo Rodrigues Pereira, SMPB, Supremo Tribunal Federal Nenhum comentário:
    Postar um comentário

    Postagem mais recente
    Assinar: Postar comentários (Atom) Ree feed Follow me Fan page on Facebook Ree feed Ree feed

    tecnologia
    EDIÇÃO DO MÊS
    EDIÇÃO DO MÊS
    Novembro, Edição nº 76

  14. Como governo, o PT tem erros e acertos, assim como qualquer partido, em qualquer parte do mundo. Contudo, ao chegar ao poder, falhou naquilo em que nele mais se esperava: o trato correto da coisa pública. Claro, poderia haver casos de corrupção, mas no varejo, e não no atacado, como foi o caso do Mensalão. E a conduta errada de outros partidos, no poder, antes tão combatida pelo partido da estrela, virou álibi: “Todo o mundo faz”.
    Para mim, CN, a piada do ano foi Genoíno dizer que é preso político. Ora, isso é forçação de barra: ele até poderia dizer que é vítima de erro judiciário, mas preso político em democracia? Faz-me rir…

  15. Fosse nos EUA , os mensaleiros já teriam sido julgados há 5 anos e já estariam cumprindo uma pena de 50 anos no mínimo.
    Na China, como Bo Xi lai , pegariam perpétua ou pena de morte.
    Mas aqui é Brasil e os bandidos deitam e rolam. Têm até representantes por aqui para defendê-los. Quer mais?

  16. O Dr.Acyr,tem toda razão??????
    Mas,a troco de quê?? Sr.Nelson Jobim,anfitrião da reunião entre LULA,e Min. Gilmar Mendes.
    Certamente,costuravam o retorno do Jobim ao STF,
    Ou falando do caso Rose Mery, e outras”COISITAS”mas.

    O ultimo paragrafo do comentarista FERNANDO COLLOR
    cai,como um balsamo nas vaidades.

    Os petralhas não tem jeito.ha….ha….ha…

  17. Uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião. A conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente. Machado de Assis– final do século XiX em uma de suas obras. Parece enquadrar perfeitamente no caso do mensalão que tem o respaldo de grande juristas, inclusive do Prof. Ives Gandra Martins, de notória posição conservadora, mas foi honesto, como jurista, nos seus comentários.Hoje, como em 1961/02/03, o discurso é o mesmo,todos que discordam do discurso da mídia(escrita e falada) são taxado de comunistas, relembrando os tempos sombrios da ditadura militar, por outro os alienados políticos ficam repetindo o que a Veja, Estadão, Folha, Globo e a mídia televisiva lhes impõem. Tenho trazido aqui artigos, sempre citando os autores, de opiniões contrárias as expostas no Blog.Em relação ao comentário do Sr. Darcy de que estou sendo muito bem remunerado, acredito que seja uma auto projeção, talvez ele esteja acostumado a tais atos. O princípio de toda democracia é o contraditório, e ele procedendo como verdadeiro nazi/fascista, proceda diametralmente oposto a que ele diz combater. Sem ofensas pessoais.

  18. Não comparo o mensalão com qualquer outro crime político cometido por partidos diversos, e também não o dimensiono com relação a valores, haja vista não ser esta a questão, a pecuniária, mas a tomada do poder e nele instalar-se definitivamente.
    Neste particular, o plano petista de se adonar da presidência do Brasil e o modo como cooptou milhões de votos e acabou com a oposição mediante repasses de valores e loteamento de ministérios, diretorias em estatais, secretarias e outros cargos desejados, elevou este plano à categoria de incomparável com qualquer outro existente na nossa História!
    O PT tomou conta da política brasileira, eliminando a oposição, desmacarando-a, inclusive, a partir do momento que aliciou agremiações para compor a famigerada “base aliada”, patrolando tentativas de oposição ao governo no Congresso.
    O crime petista foi infinitamente maior que as privatizações, desvios de verbas, roubos na prefeitura de São Paulo, porém não pelas quantias envolvidas, mas pelo assalto ao poder e de torná-lo propriedade petista.

  19. Vou educar meus filhos com informações precisas sobre ter caráter, dignidade, honestidade, para que eles aprendam ganhar o pão de cada dia trabalhando honestamente, vou investir todo o meu suor na educação deles, boa escola com acompanhamento, quero dar exemplo de honestidade.

    Pensando desta forma acredito que poderemos ter um Brasil melhor no futuro, acredito que poderemos diminuir as quadrilhas que estão neste momento roubando os recursos públicos; poderemos atacar e punir com severidade todos que venham praticar crimes da natureza dos apurados pelo STF no julgamento dos mensaleiros.

    Não consigo entender porque o chefe da quadrilha saiu ileso e milionário do poder; não dá para entender que o homem sem o dedinho está pensando em ser candidato a cargos eletivos; nunca votei nestes marginais petistas, espero que os brasileiros, mesmo sem o estudo necessário, entendam que essa gente precisa ser banida do poder, VIVA MESMO O MINISTRO JOAQUIM BARBOSA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *