PIB do Brasil recua 0,1% no terceiro trimestre e refora quadro de estagnao

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Charge do Thales Gaspari (tirasnao.com)

Leonardo Vieceli e Eduardo Cucolo
Folha

A economia brasileira recuou 0,1% no terceiro trimestre de 2021, frente aos trs meses imediatamente anteriores, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica).

O nmero veio um pouco abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agncia Bloomberg projetavam variao nula (0%). Esta a segunda baixa consecutiva do indicador, o que renova os sinais de estagnao da atividade econmica. No segundo trimestre, a queda do PIB foi revisada de 0,1% para 0,4%.

ESTABILIDADE? – Na avaliao do IBGE, variaes prximas a 0% sinalizam que a economia atravessa perodo de estabilidade. “A gente considera [o quadro] estvel”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O desempenho fraco ocorre em um contexto de escalada da inflao, juros mais altos e fragilidades no mercado de trabalho, que dificultam a recuperao da atividade econmica.

Conforme o IBGE, o PIB est em patamar similar ao registrado entre o fim de 2019 e o incio de 2020, perodo pr-pandemia. Por outro lado, encontra-se 3,4% abaixo do ponto mais alto da srie histrica, alcanado no primeiro trimestre de 2014.

ALTA E BAIXA – Mesmo com a alta de 1,1% no setor de servios, que responde por cerca de 70% do PIB nacional, o resultado do terceiro trimestre foi puxado para baixo pela queda de 8% na agropecuria e pelo recuo de 9,8% nas exportaes de bens e servios, afirma o IBGE.

A forte retrao da agropecuria reflete o fim da safra de soja, que tambm impactou as exportaes. A colheita mais concentrada nos dois primeiros trimestres do ano. Tambm houve efeito do clima adverso, que prejudicou o plantio e a produtividade em vrios segmentos do agronegcio brasileiro em 2021.

A indstria, por sua vez, ficou estagnada (0%). Segundo o IBGE, as fbricas sentem o encarecimento de insumos na pandemia e os efeitos da crise energtica, que eleva os custos de produo.

NO ACUMULADO – Em relao ao terceiro trimestre de 2020, o PIB cresceu 4%. Em 12 meses, a alta foi de 3,9%. J no acumulado deste ano, at setembro, o indicador avanou 5,7%.

Projees sinalizam que o PIB brasileiro deve fechar o ano de 2021 com crescimento, associado em grande parte base de comparao deprimida em 2020, a pandemia causou forte queda do indicador.

Analistas avaliam que, diante dos recentes sinais de fraqueza da economia, o cenrio ficou mais complicado para 2022, ano de eleies.

AVANO DE 4,78% – Segundo o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), o mercado financeiro projeta avano de 4,78% no PIB de 2021. A estimativa vem sendo revisada para baixo nas ltimas semanas. Em 2022, a alta deve ser reduzida para 0,58%, conforme a publicao. J h instituies financeiras que preveem retrao na atividade no prximo ano.

A piora das expectativas econmicas vem no embalo da presso inflacionria, que reduz o poder de compra dos consumidores, e do aumento das incertezas na rea fiscal.

As dvidas de analistas sobre o rumo das contas pblicas cresceram aps o governo federal colocar em xeque o teto de gastos para pagar o Auxlio Brasil, o substituto do Bolsa Famlia.

CLCULO DO PIB –

Produtos, servios, aluguis, servios pblicos, impostos e at contrabando. Esses so alguns dos componentes do PIB (Produto Interno Bruto), calculado pelo IBGE, de acordo com padres internacionais. O objetivo medir a produo de bens e servios no pas em determinado perodo.

O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produo. O crescimento do PIB (descontada a inflao) usualmente chamado de crescimento econmico.

O levantamento apresentado pela tica da oferta (o que produzido) e da demanda (como esses produtos e servios so consumidos). O PIB trimestral divulgado cerca de 60 dias aps o fim do perodo em questo.

One thought on “PIB do Brasil recua 0,1% no terceiro trimestre e refora quadro de estagnao

  1. bvio que existe uma relao diretamente proporcional entre investimento do setor pblico e a produtividade relativa do Brasil, somente um cracudo mental poderia negar isso.

    at intuitivo: quando o governo usa seu poder estratgico de investimento – por definio maior que o de qualquer ente privado – para construir uma agncia do INSS, um posto de sade, uma rodovia, uma estao de tratamento de esgoto ou o que seja para melhorar a prestao de servios, ele contrata empreiteiras que, por sua vez, contratam fabricantes/fornecedores de material de construo, de EPI, de refeies, de banheiros qumicos etc., gerando uma srie de empregos diretos e indiretos, aumentando a renda nacional e criando as condies para mais investimentos, num crculo virtuoso.

    Num pas com tantas precariedades e desigualdades como o Brasil, em que mais da metade da populao no tem acesso a saneamento e moradia decente, aumentar continuamente o investimento pblico para resolver essas questes deveria ser um dogma, de preferncia junto a uma poltica de cotas progressivas de contedo nacional de diferentes regies para estimular a indstria local em todo o pas.

    Em vez disso, porm, o que vemos so nveis vergonhosos de investimentos pblicos (nas trs esferas federativas), ainda menores agora que em 2017, quando j eram os menores da histria, mesmo com o Brasil tendo uma populao significativamente maior que em dcadas anteriores. Nesse ponto, alis, todo o ps-Plano Real um vexame, pois o maior nvel alcanado, no ltimo ano de governo Lula foi, contudo, menor que o menor nvel do governo Sarney, que j era o menor em dcadas.

    Se o nvel do final do governo Lula j foi suficiente para elevar a produtividade relativa do Brasil, imaginem a densidade de desenvolvimento que uma poltica sria e planejada de investimentos pblicos massivos propiciaria. Mas, infelizmente, o que se faz o contrrio, constitucionalizando a excrescncia do teto de gastos. A cracolandizao das ruas a consequncia da cracolandizao mental das elites dirigentes do pas.

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    E tudo isso porque a elite brasileira que no brasileira se submete a ingerncias externa. A nossa soberania s depende de ns mesmos. Por isso a importncia de linhas de pensamento NACIONALISTA.

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