PIB estaciona porque os assalariados não tem dinheiro e freiam o consumo

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Pedro do Coutto

O Produto Interno Bruto de 2019, de acordo com o IBGE, cresceu apenas 1,1%, o que significa que estacionou a renda per capita, pois 1% é para compensar o aumento da população e sobra apenas 0,1% de suposto crescimento econômico. Mas há quem sustente que o crescimento demográfico já tenha caído para 0,8%, de acordo com o cálculo da Fundação Getúlio Vargas. A diferença entre 0,8% e 1% é muito pequena.

O que ocorreu no país é um processo de redução de consumo por parte dos assalariados, situação que decorre tanto do desemprego quanto do temor de perder o posto de trabalho. Consumo retraído, a produção também e o mesmo acontece com os investimentos.

ASPECTO ESSENCIAL – Na minha opinião este é o aspecto essencial que está contendo a retomada do processo de desenvolvimento aguardada por todos, portanto, incluindo na mesma esperança o sistema empresarial e o mercado de trabalho.

Reportagem de Cássia Almeida, Gabriel Martins e Pedro Capetti, em O Globo de quinta feira, focaliza o comportamento dos diversos setores que se ligam diretamente ao Produto Interno Bruto. Além do consumo das famílias, as exportações e importações recuaram, e o resultado aí está. Para Silvia Matos, da Fundação Getúlio Vargas, o fator incerteza vinculado ao rumo político pesou também contra uma reação econômica do país.

TRÊS FATORES – Segundo a analista da FGV, três são os fatores que causaram o resultado: a intensificação dos atritos entre o Executivo e Legislativo, o coronavírus que aumenta a aversão ao risco e a indefinição sobre a regra tributária. Seja como for, o caráter dominante da crise continua sendo o desemprego. Sem trabalho e renda, não há consumo.

ESTAGNAÇÃO SALARIAL – Dentro desse panorama, a meu ver, tem maior realce a estagnação salarial diante do avanço dos preços, por menor que seja o percentual da inflação, com o IPCA atual em 4,19% ao ano.

Além disso, também contribui para o freio no consumo o temor que assalariados têm de perder o posto de trabalho. Ou seja, temos de considerar que ao lado do desemprego existe a sombra do não emprego. Esta sombra reúne os que completam a idade para trabalhar e encontram dificuldade para ingressar no sistema produtivo. E quanto menor for o mercado de trabalho, em consequência serão menores as receitas tributárias do país.

DIZEM OS NÚMEROS – As exportações caíram, afetadas por problemas econômicos na Argentina e também o confronto comercial entre EUA e China. As importações também estão caindo, por causa da alta do dólar.

O ministro Paulo Guedes não atribui maior importância ao preço do dólar. Para ele o câmbio é um processo flutuante. A diferença encontra-se em que patamar ocorrem as flutuações.

Seja em que patamar for ,o Banco Central está intervindo no mercado para conter o preço interno da moeda americana. Não está conseguindo e está consumindo reservas neste esforço. Mas há quem diga que a economia vai muito bem…

4 thoughts on “PIB estaciona porque os assalariados não tem dinheiro e freiam o consumo

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, em mais uma excelente análise nos diz corretamente que: ” O PIB estaciona porque os Assalariados, grande MAIORIA dos Consumidores, não tem Dinheiro e freiam o Consumo”.
    Que a Crise é essencialmente de DESEMPREGO.

    Conclui então o Sr. PEDRO DO COUTTO: Os 2 motores do crescimento do PIB, CONSUMO e EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS estão trabalhando em marcha lenta, com consumo mínimo de combustível. É necessário INJETAR mais combustível, e se possível de alta octanagem, nesses 2 motores.

    A nosso ver porém, nosso problema maior é que o ESTADO inchou, se endividou sempre gastando mais do que Arrecada, chegando a Custar asfixiantes +- 44% do PIB com viés de alta, e agora via REFORMAS, tem que ser reduzido para +- 25% do PIB em +- 10 Anos, valor compatível em uma Economia em Desenvolvimento.
    E as REFORMAS só serão aprovadas em meio a Crise.

    Só depois das REFORMAS ( Tributária, Administrativa, Fast Track para venda de Ativos Governamentais não estratégicos, etc) serem aprovadas pelo Congresso é que o Governo BOLSONARO/MOURÃO injetará combustível a valer nos 2 Motores, ” a menos que a próxima Eleição Presidencial chegue antes, porque Ninguém é doido de ir para Eleição Presidencial com Pibinho de 1%aa”. E aí se processará mais um voo de galinha, tão característico de nossa Economia dente de serra.

    Infelizmente, como indiretamente dá a entender o grande Sr, PEDRO DO COUTTO sempre preocupado com JUSTIÇA SOCIAL, quem paga a maior parte da “Conta” da REDUÇÃO do ESTADO são os mais Pobres, via DESEMPREGO e ESTAGNAÇÃO DOS SALÁRIOS Privados e Públicos.

  2. “Seja em que patamar for ,o Banco Central está intervindo no mercado para conter o preço interno da moeda americana. Não está conseguindo e está consumindo reservas neste esforço. Mas há quem diga que a economia vai muito bem…” Enquanto o Bolsonaro faz palhaçada para desviar a atenção da população, o Guedes age e as reservas cambiais vão sendo dilapidadas ? Alguém já tinha cantado essa bola:” eles estão de olho nas reservais cambiais”, e armados até os dentes, vão levar e ninguém vai chiar, abram os olhos. Os currículos do Bolsonaro e do Guedes não são nada recomendáveis para chefes de finanças. Vc põe a mão no fogo por eles ?

  3. O surto do Corona vírus não teve influência no PIB de 2019, haja vista ter surgido na China no final de do ano passado.

    Não há muito o que fazer na questão de crédito para aumentar o consumo. O percentual das famílias endividadas já chegou a 65%. Algumas até em coisas essenciais como eletricidade e água.

    E diminuir a carga tributária, com os estados em situação fiscal desesperadora, o governo federal com deficit fiscal primário é uma coisa inviável por enquanto. O mais lógico seria uma reforma tributária onde não houvesse perdas de receita, mas que tivesse mais justiça social. Por exemplo, os impostos sobre itens de consumo deveriam ser diminuídos e para haver um equilíbrio, os impostos sobre renda deveriam ser aumentados.

    Com o atual desemprego, com tantos empregos informais e os empregos surgidos se dando em setores que remuneram pouco. Com os salários sendo reajustados abaixo da inflação, os estados e municípios aumentando impostos, o IRPF não reajustado. Tudo isso diminui o poder de compra da população e, naturalmente, o consumo.

    A maior parte dos impostos arrecadados é para cobrir os gastos governamentais voltados aos benefícios sociais. Será que deveriam ser diminuídos? Alguns estados já estão fazendo isso ao aumentar a alíquota de descontos das pensões recebidas pelos pensionistas.

    Com esse cenário, os investimentos privados dificilmente aumentarão. O que resta é o investimento público.

  4. Isto já está evidente desde ano passado. O salário mínimo é muito para quem paga e pouco para quem recebe. Os impostos do guloso Estado brasileiro parou o país, só as privatizações podem dar um alento e a proibição de concurso público. Tem soldado da PM de Minas Gerais ganhando 7 mil reais, o salário de um Capitão das Forças Armadas.

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