Pior do que o atual, só o próximo

Carlos Chagas

E a reforma política, cantada em prosa e verso durante a recente campanha presidencial? Saiu pelo ralo, porque nem Dilma Rousseff tocou outra vez no tema, nem o Congresso aproveitou o final de mandato senão para votar, ao menos para equacionar o trabalho da próxima Legislatura. Sequer o Supremo Tribunal Federal deu continuidade ao julgamento que proíbe empresas privadas de doarem recursos para as campanhas. Os três poderes da República demonstraram não falar a sério quando levantaram a ponta do tapete da reforma política, preferindo deixar a sujeira debaixo dele.

A presidente da República chegou a anunciar a disposição de ver convocada uma Assembleia Constituinte exclusiva, aliás, uma grossa bobagem, mas sentindo a impossibilidade jurídica da proposta, esqueceu da reforma propriamente dita.

Deputados e senadores reeleitos sob a promessa de mudarem regras eleitorais e institucionais demonstram que não falavam a sério. Afinal, seria suicídio alterar a legislação que serviu para preservar seus mandatos.

Na mais alta corte nacional de justiça, quatro votos já haviam sido dados pela proibição das doações empresariais, mas há mais de seis meses que o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e engavetou sua opinião.

Em suma, nada de novo sob o sol. As campanhas continuarão à mercê de operações de compra e venda, quer dizer, os eleitos beneficiados pelas doações pagarão aprovando projetos de interesse dos doadores. A diminuição do número de partidos esbarra na lambança do aluguel oferecido pelas pequenas legendas a quem se dispuser pagar mais. Do voto distrital não se cogita porque levará o eleitor a cobrar mais empenho dos eleitos.

E A REELEIÇÃO?

Nem se pensa na revogação da reeleição, que como regra dobra o tempo de permanência dos governantes no governo, precisamente pelo uso imoral das estruturas do poder. Acabar com a triste figura dos suplentes de senador significa suprimir sinecuras e obrigar os senadores eleitos a trabalhar. Mudar a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal equivale a tirar do Executivo a possibilidade de escolher juristas amigos e amestrados. Trocar o presidencialismo pelo parlamentarismo seria fechar as portas para o caudilhismo.

E assim por diante, ou seja, ninguém quer mudar nada capaz de alterar privilégios e distorções. Razão tinha o dr. Ulysses quando sentenciou que pior do que o atual Congresso, só o próximo…

3 thoughts on “Pior do que o atual, só o próximo

  1. Sr. Chagas, infelizmente, seu artigo está certissimo, cada povo que elege seus governantes, o MERECE, portanto não TEM O DIREITO DE RECLAMAR. A podridão nos 3 Poderes, é fruto desse desleixo com à CIDADANIA, a última piada foi dada pelo TSE, do toffoli, MALUF É FICHA LIMPA, apesar da Policia Internacional o prenderá se sair do Brasil, como ladrão do cofre público, este é o nosso País, está entregue as ratazanas, por culpa do eleitor, como um Cidadão do BEM, pode dar voto a Maluf, e dezenas de outros, que infestam à Republica, transformando-a em “republiqueta de bananas”.
    Apareceu um Juiz, que é JUIZ, Dr. SERGIO MORO, com a equipe da Policia Federal e Ministério Público, abriu a “caixa preta” bota preta nisso, da PETROBRAS, ROUBADA AOS BILHÕES, e pelo nosso sistema “politico/juridico”, não vai dar “EM NADA”, o exemplo agora de Maluf, os toffolis do supremos, “ladrão é santo”, e o honesto pega “cana”, ai só resta a pergunta: QUE PAÍS É ESSE???, minha resposta é impublicável!.
    Sr. Chagas, só DEUS salva esse País, pois, os filhos das trevas, estão dominando( roubando o País em sua Dignidade, transformando seu povo em energumenos, verdadeiros idiotas e palhaços.
    Estamos com Ruy Barbosa: EM SUA POESIA/PRECE: TENHO VERGONHA DE MIM EM SER HONESTO.
    acorda BRTASIL, saia desse “oceano de lama”.

  2. Combate ao roubo do dinheiro público

    Sabe-se que a natureza do sistema capitalista não é justa, não é ética, nem honesta.Toda riqueza é elaborada pelo trabalhador que fica com muito pouco do que produz, salvo minorias de trabalhadores especializados e ou privilegiados. A quase totalidade da riqueza produzida vai parar nas mãos dos donos dos meios de produção e do capital (bancos), em detrimentos de quem as produziu. Por essa razão, massas de trabalhadores permanecem na pobreza, nos bairros pobres e nas favelas, apesar da sideral riqueza gerada, de todos os tipos e naturezas. Ou seja, não é possível acumular muito dinheiro sem retirar de quem os produziu.

    Assim sendo, é muito cruel, o trabalhador ter perdas adicionais por conta de roubalheiras nas empresas do governo.

    Visando complicar bastante a vida dos ladrões de colarinho branco, abaixo, algumas providências a serem implantadas, em conjunto ou isoladas:

    1) Total transparência tributária e bancária de todo cidadão, pessoa física e jurídica, sem exceção alguma. A gerência dessa transparência deveria ficar a cargo da Polícia Federal – PF por conta da demonstrada competência e integridade;

    2) Substituir por cartões magnéticos bancários, emitidos pelo Banco Central, toda a moeda em circulação. A partir daí, as práticas das corrupções, propinas, sonegações de impostos, tráficos, contrabandos e outras desonestidades mais, ficariam bastante vulneráveis, fáceis de serem detectadas pela Polícia Federal – PF;

    3) Instituir o Imposto Roubalheira do Dinheiro Público – IRDP. O montante de grana roubada, devidamente corrigida e atualizada, não estornada aos cofres públicos em breve tempo, seria cobrada de todas as empresas privadas e pessoas jurídicas, proporcionalmente, na razão direta de seu lucro líquido anual (por exemplo);

    4) Todo projeto, compras e serviços teria que constar o nome dos envolvidos, desde diretores até chefes, engenheiros, secretárias, técnicos, etc. A partir daí, todos os envolvidos estariam solidários a responderem com os próprios bens, por qualquer roubalheira encontrada, independente das demais punições.

  3. Esse sistema político, só interessa a essa burguesia que está no poder:
    executivo legislativo e judiciário, então, é impossível mudar o sistema.
    Não adianta mostrar as mudanças corretas, para esta casta o que importa
    é manter seus privilégios. O Brasil e o povo brasileiro que se dane.

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