Pior que o déficit das contas públicas

Percival Puggina

O Rio Grande do Sul enfrenta um déficit superior a R$ 5 bilhões em suas contas. Essa é a quantidade de dinheiro que vai faltar para o atendimento das necessidades básicas do Estado em 2015. O número era conhecido desde meados do ano passado e vinha crescendo durante os quatro anos de gestão do governador Tarso Genro.

É bom lembrar que a governadora Yeda Crusius transferiu o governo com as contas em ordem e dinheiro em caixa. Mas o PT não se submete à essa “lógica neoliberal” e gastou a rodo. Prefixou aumentos salariais que se estenderão, por força de lei, até o ano de 2018. Em quatro anos, quebrou o Estado.

Diferentemente de Dilma, que fez mais ou menos a mesma coisa e ganhou a eleição, Tarso perdeu. Cabe, agora, a seu opositor, conduzir o governo em meio ao desastre fiscal que ele caprichosamente produziu. Ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos meses e anos, afora o fato de que a situação se tornará caótica para servidores e para os serviços públicos.

FALTA COMPREENSÃO

No entanto, pior do que o déficit das contas públicas é o déficit de compreensão sobre as causas do problema. É a dificuldade de entender que o Estado não pode gastar mais do que arrecada. Que o Estado não fabrica e não pode fabricar dinheiro. Que o Estado não gera riqueza.

Pior do que o déficit é a multidão de cidadãos eleitores para os quais a contenção de despesas constituirá ônus do atual governador. É antever que a conta política será paga por ele e não por seu antecessor. Pior do que o déficit é imaginar que após quatro anos de encenações oposicionistas, em 2018, com a casa posta em ordem à custa de muito sacrifício, o ex-governador, ou alguém por ele, se apresentará para prometer mundos e, novamente, malbaratar fundos.

One thought on “Pior que o déficit das contas públicas

  1. Licença = Dica de livro: saiu a segunda tiragem da segunda edição do ótimo “Socialismo e Espiritismo”, de Leon Denis (1846-1927), amigo de Allan Kardec, editora Celd; se os editores imprimiram é porque está tendo aceitação.

    Vejamos um trecho:

    “Espiritismo e Socialismo estão ligados por laços estreitos, pois um oferece ao outro o que mais lhe falta, ou seja, os elementos de sabedoria, de justiça, de ponderação, as grandes verdades e o nobre ideal, sem os quais ele corre o risco de tornar-se impotente ou de sucumbir na anarquia” (pág. 17).

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