Planalto quer usar fracasso dos atos contra Bolsonaro para animar a militância radical

Esquerda e direita resistem a ato unificado contra Bolsonaro

Sem a militância do PT e PSOL, protestos foram esvaziados

Marianna Holanda e Ricardo Della Coletta
Folha

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro viram a baixa adesão de participantes aos atos contra o governo neste domingo (12) como uma oportunidade para reanimar a base bolsonarista nas redes sociais. Há preocupação entre assessores no Palácio do Planalto com os efeitos da “Declaração à Nação”, nota retórica divulgada por Bolsonaro na semana passada na qual afirmou que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

O documento, divulgado dias após os atos do 7 de Setembro em que Bolsonaro ameaçou o STF (Supremo Tribunal Federal), dividiu aliados bolsonaristas.

CAI A POPULARIDADE – Além do mais, Bolsonaro registrou um tombo de popularidade nas redes na esteira da divulgação da carta, que foi redigida com ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Assessores presidenciais avaliam, reservadamente, que o passo atrás dado por Bolsonaro na escalada da crise com o Judiciário fragiliza a base mais fiel do bolsonarismo, que foi às ruas no Dia da Independência defendendo uma agenda radicalizada.

Eles comemoraram o resultado das manifestações convocadas pelo MBL (Movimento Brasil Livre), pelo Vem Pra Rua e por outros grupos em defesa do impeachment de Bolsonaro. O diagnóstico do Planalto é que o comparecimento foi reduzido e deixou patente que a chamada terceira via —que defende uma opção que não Bolsonaro ou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)— não tem até o momento o poder de mobilizar as ruas.

POUCA PRESENÇA – Estiveram presentes no ato da avenida Paulista os presidenciáveis João Doria (PSDB), governador de São Paulo; Simone Tebet (MDB-MS), senadora; Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde; e Ciro Gomes (PDT).

Mesmo assim, em termos de comparecimento, Bolsonaro conseguiu colocar mais apoiadores nas ruas. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estimou cerca de 6.000 manifestantes na Paulista neste domingo, contra 125 mil no ato bolsonarista de 7 de setembro e 15 mil na manifestação da esquerda no mesmo dia no Vale do Anhangabaú.

A contraposição do público de domingo com o das manifestações pró-Bolsonaro tem sido amplamente explorada por aliados do Planalto nas redes sociais.

MANTER A MILITÂNCIA – De acordo com esses assessores, as publicações que ironizam e até ridicularizam o MBL têm ajudado a manter a militância digital coesa em um momento importante, após a divulgação da “Declaração à Nação”.

Não é possível afirmar se a estratégia será suficiente para ofuscar as queixas sobre a nota de Bolsonaro. Porém, afirmam que, pelo menos por ora, a ofensiva digital tem mostrado resultados.

O próprio Bolsonaro ridicularizou os atos deste domingo. Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, disse que os contrários ao governo são uma minoria e que eles são “dignos de pena”.

11 thoughts on “Planalto quer usar fracasso dos atos contra Bolsonaro para animar a militância radical

  1. A piada do Ano ou melhor do Século é a quadrilhinha mimada psicopata puxadinho do FHCorrupto se aliar aos Comunistas, Socialistas, Fabianas etc.
    Essa não tem preço
    Ver o Johnny Comunist Doryan Grey, legítima Fabiana, dançar ao som da Micareta ao comando do psicopata Chefão do Movimento da Bundinha Tucana foi demais da conta….

    Alô, Cabral, estamos mais do que vingados…..

    eh!eh!eh

    PS. E ainda tem idiotas que acreditam nessa quadrilhinhas e seus donos….

  2. Conclusão.
    Bolsonaro só pode ser ridicularizado.
    Bolsonaro não pode ridicularizar ninguém.
    Os fatos não convencem, o discurso canhestro que veio de cima pra baixo é o que prevalece.
    A vaia é o aplauso de quem não gostou.

    • Como se autodeclararam organizadores do evento, as investigações devem mirar bem nesse pessoal do Agro Golpe.

      Podem ter utilizado recursos de financiamentos públicos para a organização dos atos antidemocráticos.

      Se confirmado, tem que cortar o financiamento e obrigá-los a ressarcir em dobro os bancos públicos.

  3. Nem todo é tristeza ou desânimo ante a podridão que a CPI desvenda dia a dia. Regularmente, como hoje, os paladinos do Presidente, se esmeram nas manobras de acobertamento e distração na defesa do bom nome do patrão, continuamente atingido pelos respingos da lama que transborda.
    É nos pronunciamentos de alguns desses senadores guardacostas que aparecem os laivos de humor de, especialmente, três deles, o senador gaúcho Luíz Carlos Heinze com suas estatísticas mentirosas e defesa imbecil da cloroquina, ridículo no seu argumento e hilário na sua repetição.
    O cearense espírita hipócrita Eduardo Girão na sua insistência desvairada em inviabilizar a CPI pelo acúmulo de oitivas, arranca risadas ao repetir invariavelmente seu pedido de convocação do ministro Wagner Rosário, o secretário geral do Consórcio Nordeste e dos governadores da Região.
    E o Clown líder da troupe, senador Rolando Lero Marcos Rogério, leva a plateia ao delírio com seus arrazoados retóricos , gongóricos e grandiloquentes, para declarar ‘neste governo não tem corrupção” e aí é a gargalhada geral.

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