Planalto teme que CPI convoque Edinho e Mercadante

Vera Magalhães
Folha

Sem goleiro nem zaga Uma das preocupações imediatas do Planalto e do PT é que a CPI da Petrobras aproveite a fragilidade do governo para convocar os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secom), citados na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa. Se votar, passa, disseram, em jogral, dois membros da cúpula da comissão nesta segunda-feira. Embora o alarme tenha soado, o governo ainda não acionou a tropa para evitar novo desastre após a próxima inquirição de Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula..

Na reunião de coordenação política, o núcleo do governo avaliou que a reação do PT e de ministros às investidas do PSDB pela queda de Dilma Rousseff apenas inflou a polêmica.

Foi decidido que era preciso baixar o tom e não “morder a isca” da oposição. Mas só valeu até a própria Dilma, em entrevista à Folha, desafiar a oposição a tirá-la do cargo.

APATIA AO ATAQUE

Petistas, na contramão do Planalto, se queixavam em reunião da Executiva estadual de São Paulo de “apatia” do governo e de líderes da sigla. Querem uma reação “muitos tons acima”.

“Parece que o Planalto não vê que a decisão de tirar Dilma já está tomada pela oposição. Lula continuar insistindo em pauta positiva não resolve”, diz um petista.

Ainda sem uma orientação geral, o PT paulistano marcou um ato em defesa do governo e da democracia para a próxima terça-feira.

3 thoughts on “Planalto teme que CPI convoque Edinho e Mercadante

  1. A imagem do Brasil é vergonhosa, a política, o executivo, o judiciário, todos os poderes são vistos como coniventes com a atual situação do país, um país com esta dimensão, com as riquezas naturais, não era para estar oferecendo esta miséria de sobrevivência a sua população, poucos são dão o luxo de comer, se vestir, viajar, é uma vergonha, até quando não usaremos bons exemplos para mudar o país.

  2. para se dissipar.

    Não é piada porque o povo grego não está achando graça nenhuma. Mas é uma ironia pronta. Há dois anos e meio, Alexis Tsipras, então um jovem aspirante a líder europeu, esteve no Brasil para ouvir o conselho de Dilma e Lula. Ouviu que políticas de austeridade só levam ao desastre e que era preciso, ao contrário, aumentar o gasto público e o consumo. E não é que ele, eleito primeiro-ministro, seguiu o conselho quando o governo Dilma estava fazendo justo o contrário, uma severa política de aumento de impostos, corte de gastos e alta de juros? A mesma que os credores europeus estão exigindo da Grécia.

    Tsipras está muito ocupado com a confusão que armou. Mas ainda assim poderia tomar um tempinho para telefonar ao mentor e à mentora brasileira: e o que eu faço agora, hein?

    Seria só para manifestar sua bronca porque Lula e Dilma não teriam o que responder. Depois de três anos de política anti-austeridade, a economia brasileira chegou ao desastre. Logo, o conselho de dezembro de 2012, quando Tsipras teve longos papos com Dilma e Lula, está superado pelos fatos.

    Austeridade, então? Dá para imaginar Tsipras reclamando com razão: mas só agora vocês me avisam? Seria melhor, então, que os conselheiros não dissessem nada. Simplesmente não atenderiam o telefone, celulares… e, talvez, poderiam mandar uma mensagem tipo “desculpaí, foi mal”. Sabem como é, o primeiro-ministro grego é bem jovem, nem usa gravata.

    Mesmo porque, seguem as ironias, Dilma não poderia recomendar austeridade no momento em que sua popularidade é um desastre tão grande quanto a economia.

    E querem mais uma? Pois a Grécia, do ano passado para cá, estava em processo de recuperação do crescimento, junto com a Europa. Podem checar os diversos cenários que vinham sendo feitos por instituições internacionais. Ou pela revista “Economist”: a previsão de crescimento para este ano é (era) de 1,4%, depois de uma expansão de 0,8% em 2014.

    É pouco, claro, nem de longe repõe as perdas da recessão e o desemprego continua na casa dos 25%. Mas era um desempenho melhor que a anti-austeridade brasileira. Nada de crescimento em 2014 e uma recessão em 2015. Alguns dirão: a recessão deste ano é culpa da austeridade. Não é. Nenhuma política conseguiria produzir maldades tão rapidamente. Desastres econômicos são cuidadosamente construídos ao longo de muitos equívocos. E tanto maior o tempo de recuperação quanto maior e mais longo o desastre.

    Tudo considerado, a população brasileira sabe que ainda passará por tempos difíceis: inflação elevada, juros altos, desemprego em alta e só a renda em queda. A população grega vai passar por tempos piores, ficando ou não na Zona do Euro, fazendo ou não um novo acordo com os credores. A incerteza trazida pelo governo de esquerda de Tsipras levará tempo para se dissipar.

    Por exemplo: se o governo reabrir os bancos e permitir a livre movimentação do dinheiro, não sobrará um centavo na Grécia. Toda pessoa de bom senso transferirá sua poupança para, digamos, a Alemanha.

    Mas o país estará certamente pior se deixar o Euro, sem novo acordo de financiamento. Além dos problemas atuais, haverá desvalorização e alta inflação na nova moeda (contra inflação zero do euro) e, pois, a perda do valor de poupanças e rendas.

    Neste caso, entrará em operação o Plano B, explicado em entrevista a O GLOBO por Theodoros Paraskevopoulos, assessor econômico do Syriza, o partido de Tsipras: “Suspender completamente o pagamento da nossa dívida, em outras palavras, dar o calote. Pela primeira vez, os bancos alemães e franceses vão sofrer com essa crise. Eu sei que, nesse caso, a Grécia não teria mais acesso ao mercado de capitais”.

    Não é verdade que aqueles bancos vão sofrer pela primeira vez. Lá atrás, no primeiro acordo de resgate da Grécia, já foram obrigados a aceitar um desconto nos seus créditos e a refinanciá-los com juros menores. Hoje, é bem pequena a exposição de bancos privados alemães e franceses à dívida grega. Aprenderam. Esta dívida está hoje, na maior parte, com os governos e instituições europeias. A Grécia de Tsipras, portanto, vai dar um calote nos colegas, vai passar a conta para contribuintes de outros países.

    De todo modo, ficará isolada da Europa na política, estará fora dos mercados de capitais, sem financiamento, portanto, e afastada da economia global. Tudo bem, disse Paraskevopoulos: “Temos a chance de procurar novas alianças, com o Brasil, com a Venezuela, com a Rússia”.

    Estão lascados. Vão cair na esparrela outra vez.

    Tags: Alexis Tsipras, crise, Dilma Rousseff, Grécia, Lula

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