Planilha investigada pela PGR aponta caixa dois para Onyx também em 2012

Repasse ocorreu em 2012, quando Onyx presidia o DEM-RS

Fábio Fabrini
Rubens Valente
Folha

Uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República (PGR) sugere que o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), recebeu via caixa dois uma segunda doação eleitoral, por ele não admitida até agora. No ano passado, o congressista confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral. O documento agora revelado mostra que ele recebeu outros R$ 100 mil em 2012.

O pagamento a “Onyx-DEM” foi feito em 30 de agosto daquele ano, em meio às eleições municipais. Segundo os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. Na época, o deputado não concorreu a cargos eletivos, mas era presidente do DEM no RS e apoiou vários candidatos. Nos registros do Tribunal Superior Eleitoral, não consta doação oficial da JBS ou da J&F — holding que a controla— para a sigla naquelas eleições. Os executivos da JBS relataram esquemas de caixa dois de 2006 a 2014.

APURAÇÃO PRELIMINAR – Os dois pagamentos estão sendo investigados pela Procuradoria desde agosto, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. A pedido da PGR, ele determinou a instauração de uma petição autônoma — espécie de apuração preliminar — sobre as suspeitas de contribuições ilegais a Onyx e mais 35 políticos. Em 3 de maio do ano passado, o ex-diretor de Relações Institucionais da J&F Ricardo Saud entregou à PGR anexo de sua colaboração informando que a JBS doou via caixa dois R$ 200 mil a Onyx em 2014.

Foi após o caso ser divulgado que o deputado admitiu ter recebido R$ 100 mil da empresa. Ele não mencionou pagamento em 2012. Afirmou que o dinheiro foi usado para quitar gastos eleitorais e concordou que deveria “pagar pelo erro”. As informações sobre a doação em 2012 foram detalhadas pelos delatores depois disso. Elas constam de anexos complementares entregues por Joesley Batista, dono da J&F, Saud e Demilton Castro, responsável por pagamentos ilegais.

“BENEVOLÊNCIA” – A planilha “Doações-2012”, com os registros de caixa dois, foi entregue para corroborar as acusações.  Joesley disse que todas as contribuições não declaradas foram feitas a pedido dos políticos. Os objetivos, explicou, eram evitar retaliações e contar com a boa vontade deles. Saud relatou que os pagamentos a partidos e políticos foram feitos sem contrapartida, no intuito de que se tornassem benevolentes ou simpáticos com a JBS. Segundo ele, isso faria a empresa economizar com subornos.

“Negociações específicas de propina em troca de atos de ofício costumam envolver somas de dinheiro bastante elevadas. Por isso, fazer um pagamento genérico a título de doação de campanha pode ser uma forma menos custosa de obter o mesmo resultado”, justificou, dizendo que “a simpatia de um parlamentar é sempre um bom investimento”.

Castro explicou que, entre as doações não oficiais listadas na planilha, há entregas de valores em espécie a nomes diversos, entre eles Onyx. A instauração da petição foi requisitada em maio pela procuradora-geral, Raquel Dodge, juntamente com providências sobre outros casos. No mês seguinte, Fachin autorizou apuração sobre todos os fatos narrados nos anexos. Desde setembro passado, o caso está na PGR para providências.

CITADOS – Uma petição autônoma é uma investigação preliminar, mas, segundo a PGR, caso haja elementos suficientes, pode redundar em pedidos de quebra de sigilos, prisões e até na apresentação de denúncia. A Procuradoria não  informou quais medidas tomou no caso.Outros citados por recebimento de caixa dois são o presidente Michel Temer, o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Eunício Oliveira (MDB-CE) e José Serra (PSDB-SP), além dos ex-governadores tucanos Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR). Eles negam ilicitudes.

Sobre a doação ilegal feita a Onyx em 2014, Saud contou ter usado como intermediário Antônio Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Como chefe da Casa Civil, caberá a Onyx negociar com o Congresso. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez campanha defendendo a ética na política e o combate à corrupção.

Questionado sobre a situação de Onyx, o juiz Sergio Moro, futuro ministro da Justiça, disse ter admiração por ele pela defesa que o deputado fez, no Congresso, das medidas anticorrupção, e lembrou que o deputado pediu desculpas.

OUTRO LADO – Questionado pela Folha, o deputado Lorenzoni não respondeu especificamente sobre o suposto caixa dois delatado pela JBS na campanha de 2012. A assessoria do futuro ministro afirmou, em nota, que ele não recebeu da empresa, mas da Abiec, em 2014. “Os recursos foram usados na campanha de 2014 e o ministro só soube da origem quando os diretores da JBS falaram a respeito, pois ele havia recebido do presidente da Abiec, Camardelli, amigo de 30 anos.”  Naquele ano, ele se candidatou a deputado federal — está em seu quarto mandato seguido na Câmara.

A assessoria do deputado gaúcho ressaltou que, segundo a versão de Saud, os recursos eram para campanha, sem contrapartida. Acrescentou que não há inquérito em andamento contra Onyx. “Onyx Lorenzoni está fazendo uma devolução do dinheiro [de 2014] por meio de doações para entidades filantrópicas de assistência, educação e saúde, entre elas a Santa Casa de Porto Alegre. No total, já foram doados aproximadamente R$ 50 mil. Ao final, o ministro fará uma prestação de contas.”

Também por escrito, o presidente da Abiec disse ter “total interesse no esclarecimento dos fatos”. “Ao longo de toda a sua vida profissional, [Camardelli] pautou seu comportamento no respeito aos ditames legais e éticos, e jamais praticou qualquer comportamento indevido.”

CASOS ANTERIORES – Ao ser confrontado com acusação feita pela JBS, em maio de 2017, Onyx Lorenzoni admitiu na época que recebeu R$ 100 mil de caixa dois na eleição de 2014. Ele afirmou na ocasião que iria ao Ministério Público dizer que recebeu os valores e que assumiria a responsabilidade. Na Lava Jato, Onyx chegou a ser alvo de um inquérito aberto em decorrência da delação da Odebrecht, em 2017. Nesse caso, porém, o Ministério Público entendeu que não foram encontradas provas, e o procedimento foi arquivado neste ano.

19 thoughts on “Planilha investigada pela PGR aponta caixa dois para Onyx também em 2012

  1. Pois é.. quando esta notícia vem de um meio de comunicação sem credibilidade, toda desconfiança é pouca…
    Na minha opinião, um juízo melhor se faz ouvindo os pingos nos is, da Jovem Pan. Além de ,é claro, os editoriais sérios deste blog

      • Pelo andar da carruagem, o fim será o mesmo do Lula, mais cedo que este, ao que parece, até porque o trem da alegria deste ainda nem saiu da estação e já está sendo descarrilado. A mensagem parece ser a seguinte, de duas uma: ou vc monta um governo realmente sério, mudancista de verdade, ou o seu trem nem sairá da estação, inclusive porque de 171 eleitoral já estamos todos de saco cheio há muito tempo, e não temos mais tempo a perder.

  2. Bolsonaro , para a dita esquerda, já é réu reincidente do crime que não cometeu .
    A dita esquerda tem que apresentar propostas ao invés de acusações .

    Mas como a dita esquerda é incompetente, haja vista, os desgovernos anteriores, é querer demais.

  3. Levar um puxão de orelha de Moreira é muito humilhação.

    Aliado de Bolsonaro critica novo governo: “Desce do palanque”

    Um dos deputados federais que apoiou a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) desde o início, o delegado Edson Moreira (MG) subiu à tribuna da Câmara nesta segunda-feira para criticar os problemas de comunicação do futuro governo. Reclamou da ideia de mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém e de o presidente eleito opinar até sobre as perguntas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em suas redes sociais. “Pelo amor de Deus, desce do palanque, monta a equipe, toca esse Brasil”, afirmou.
    Moreira começou o discurso dizendo que tem credenciais para apontar os problemas. “Pedi voto e trabalhei para o presidente Jair Bolsonaro”, disse. Mas completou dizendo que precisava falar porque está “preocupado com certas declarações que o futuro presidente está fazendo”.
    Para o deputado, Bolsonaro não pode falar que “é frescura” a repercussão dos países do Oriente Médio ante sua intenção de mudar a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fez os Estados Unidos. “Não é frescura, não. O pessoal tem que entender e respeitar a cultura e a soberania dos povos árabes, que é grande comprador de produtos brasileiros”, protestou o delegado Edson Moreira no plenário.
    Ele lembrou que o Egito cancelou a visita diplomática que representantes do Brasil fariam ao país. E alertou que no Oriente Médio há culturas em que “homens bomba vão lá e se explodem”. O Brasil não está preparado para lidar com esse tipo de crime, afirmou.
    “Nomeie um chanceler para orienta-lo na política externa. Porque chegar, falar o que está falando, gerar o impacto que está gerando, fica perigoso para o Brasil, fica perigoso para nossa nação”, disse.
    O parlamentar também criticou o “desencontro da equipe” de transição. “Um futuro ministro fala uma coisa, outro fala outra, ninguém se entende. Eu aconselho o futuro presidente a fazer o seguinte: nomear um assessor de imprensa para que fale em nome dele e oriente também”, discursou.
    O deputado reclamou ainda que Bolsonaro perdeu tempo criticando questões do Enem. “[Você] Tem outras coisas com que se preocupar. Monta sua equipe, faz o ministério. Perguntas ou matérias de Enem não têm nada que ver com o presidente da República”, disse Moreira.
    “Questionar perguntas de Enem… pelo amor de Deus, desce do palanque, monta a equipe, toca esse Brasil, a economia está precisando, a segurança pública está precisando”, afirmou.
    Moreira, que não foi reeleito, foi um dos primeiros deputados a declarar abertamente apoio a Bolsonaro na Câmara, apesar de seu partido estar coligado com Geraldo Alckmin (PSDB).

    • Wow o esquerdopata Alex Mentiroso Cardoso amanheceu com todo o gás (roubado). O Haddad já fechou as contas da campanha ou continua pegando dinheiro roubado?

    • Vale a pena escrever tudo isso sobre um deputado que quase ninguém conhece e que nem se reelegeu? Qualquer um que critique Bolsonaro vai se tornar o herói da hora?
      E o PT alguma vez desceu do palanque enquanto esteve no poder?
      Quanto ao Enem, olha a opinião do Fernando Gabeira:
      “Quando vi aquele exame do Enem que apresentou um dicionário dos travestis, pensei que havia infiltração da direita para confirmar suas teses. Por que não alguma coisa em guarani, em italiano, idiomas falados no país e que envolvem muita mais gente? Parecia uma provocação.”
      https://www.oantagonista.com/brasil/enem-da-direita-e-da-esquerda/

      Não tenho a menor intenção de defender o Bolsonaro o tempo todo, mas esse tipo de críticas soa sem sentido.

  4. Quando a Falha publica alguma coisa é preciso cautela. Sabemos muito bem o que é aquela fábrica de fakes.
    Mesmo assim, todos que ocupem cargos públicos devem ser investigados.

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