Planos de Morte: os serviços de saúde deveriam ser públicos, gratuitos e iguais a todos os brasileiros.

José Reis Barata

Repetitivamente escrevo que saúde, segurança e educação não são mercadorias, por dizerem respeito diretamente à sobrevivência em uma sociedade dita civilizada. Retirá-las do mercado e colocá-las exclusivamente nas mãos do Estado (como prescreve a Constituição Federal) é a única via material que concede um determinado tipo de igualdade, além da igualdade na lei. Ou seja, a de oportunidades iguais para todos; todos que, com seu livre–arbítrio, por ela se interessarem.

Este é o princípio basilar de cidadania que fez dos EUA a nação que é. Esta é a ótica que leva o cidadão previdente que trabalha, contribui tributariamente e paga por um seguro–saúde fechar os olhos para a sobrevivência de um concidadão que fez a opção dele em não possuir o seguro, em participar.

O homem é capaz de tudo, menos trabalhar para outro. Selvageria e barbárie são estágios ultrapassados. Hábitos geram necessidades, e os hábitos civilizados geraram necessidades próprias, novas e atuais.

Não se trata de ideologia, menos ainda de demagogia: os tempos modernos, da ciência, da objetividade, portanto, da racionalização e intelectualização, exigem uma nova interpretação da realidade, somente.

Vivemos um sistema que ninguém idealizou, resultante do próprio progresso humano, rotulado de capitalismo e que não pode ser confundido com as práticas humanas abusivas, ilegais e imorais que dele e nele acontecem, como igualmente soe ocorrer em qualquer outro já experimentado ouem evidência. Ocomunismo ou socialismo por exemplo.

Toda idealização é um ideal e como tal, uma perfeição. Nesta o defeito, pois, quem realizará, aplicará o ideal é o homem, imperfeito, egoísta, interesseiro e interessado.

Nele, no capitalismo e com o advento da moeda e coadjuvado pelo Direito e novos meios contábeis cibernéticos on-line, o lucro e acumulação são meios e fins, tudo para eles converge. É assim. Não se trata de invenção, basta olhar para você mesmo ou para o lado. O computador traz o mundo financeiro até você, para participar, lucrar, acumular suficiente e ter capacidade para tal. Nisto e disto é que se sustentam os conglomerados financeiros sem pátria, sem limites, sentimentos, moral ou ética sem que de nenhuma anormalidade possam ser interpelados.

A vida do cidadão, ilegal e imoralmente entregue pelo governo aos “Planos de Morte” do pessoal da saúde e mais propriamente dos médicos que se integram perfeitamente neste cenário. Fazem da saúde mercadoria tanto quanto da segurança e educação.

O Estado moderno de tudo pode se ocupar. No entanto,em um Estado Constitucional, democrático, republicano e de Direito, nele se inscrevem direitos e deveres individuais e coletivos, bem como Garantias Fundamentais inarredáveis.

No instante que um governo circunstancial, usando da intrínseca natureza da burocracia, fazendo–a de ninguém, inatingível, ele tripudia, faz do texto constitucional letra morta, vazia, utilitária, despe a cidadania de seus valores mais importantes e capeia a Constituição com os qualificativos de: Judas, Cigana e Bombril, desnorteia, brutaliza a nação, avilta o cidadão, implantando a insegurança jurídica onde vige a desordem, o direito da força e a violência.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *