PMDB cobra do PT fidelidade que não devolve

Pedro do Coutto

Em sua coluna no Estado de São Paulo, edição de 4 de junho, Dora Kramer, com o alto nível de sempre, focalizou a divisão que está ocorrendo em Minas entre PMDB e PT em torno das eleições para o governo estadual, com o primeiro exigindo do segundo fidelidade em torno da candidatura do ex-ministro Hélio Costa. As pesquisas apontam um empate entre Hélio Costa e Fernando Pimentel, aparecendo distanciado em terceiro o governador Antonio Anastasia, candidato de Aécio Neves, que disputa o Senado nas urnas de outubro e conta com o apoio de dois terços do eleitorado.

O PT, com Pimentel, disputa o Palácio da Liberdade com reais possibilidades de êxito. Inclusive se o Partido dos Trabalhadores for forçado pelo presidente Lula a apoiar o candidato do PMDB, existe a perspectiva de as bases petistas preferirem Anastasia, o que causará à candidatura Dilma um prejuízo maior do que aquele que poderá ocorrer com a existência de um palanque duplo no rumo do Palácio da Liberdade. Uma questão sensível, como se observa, sobretudo porque Minas é o segundo colégio eleitoral do país. Mas a questão não é apenas esta. O PMDB, em sua exigência, cai em contradição.

Cai em contradição porque está exigindo do PT uma fidelidade à aliança que ele não oferece, tampouco devolve. Basta ver os casos de São Paulo e Pernambuco. Em São Paulo, o candidato do partido ao Senado, Orestes Quércia, apóia a candidatura José Serra contrariando assim a orientação nacional da legenda que escolheu Dilma e indicou Michel Temer, presidente pemedebista, para vice. Em Pernambuco, o PMDB escolheu Jarbas Vasconcelos para disputar o governo do estado e Vasconcelos também apóia Serra.

No Rio Grande do Sul, outro colégio eleitoral de peso, o candidato do PMDB, José Fogaça, vem se articulando com o ex-governador de São Paulo para enfrentar Tarso Genro, candidato do PT ao Palácio Piratini. Lá, no sul, Serra não quer proximidade com a governadora Yeda Crusius, do PSDB, face sua extrema impopularidade. Os tucanos estiveram a ponto de negar a legenda à tentativa de reeleger-se.

São três casos marcantes de divergência entre a orientação nacional e decisões regionais. Tudo bem. É do jogo político, é difícil estabelecer-se harmonia total nos 27 estados brasileiros. Mas não venha o partido cobrar do PT uma fidelidade em Minas que não encontra contrapartida em São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, pelo menos. Mas existe, além desses, outros casos como o Paraná, para não citar o Maranhão, em que Lula pressionou o PT para unir-se à governadora Roseana Sarney.

É verdade, entretanto, que as cisões regionais do PMDB tendem a diminuir, perdendo  força à medida em que as pesquisas apontam  um avanço sensível de Roussef e um declínio acentuado de Serra. Inclusive, (Dora Kramer também analisou) o PSDB não conseguiu ainda formalizar a indicação de um candidato à vice presidência. Sérgio Guerra e Tasso Jereissati nada acrescentam nas urnas, e Itamar Franco –sugestão de Aécio – parece não contar com a simpatia de Serra, embora seja de Minas e tenha deixado a presidência no início de 95 com grande aprovação popular e nas urnas de 94, com o Plano Real, tornou-se decisivo para a vitória de Fernando Henrique. Como em 2002, governador de Minas, foi fundamental para a primeira vitória de Lula. E também para a eleição de Aécio para sucedê-lo nem Minas. Coisas de política, todas elas.

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