PMDB: de verdade ou de mentirinha?

Carlos Chagas

Na véspera de uma reunião partidária para decidir importante questão política, tudo precisa estar resolvido nos menores detalhes. Quem assim ensinava era o senador Benedito Valadares, durante décadas ícone do velho PSD.

Hoje à noite o vice-presidente Michel Temer reúne perto de cem líderes do PMDB para um jantar em sua residência oficial. Vão decidir inúmeras questões, da participação no novo governo Dilma, quantos ministérios reivindicarão, quem lançarão para presidentes da Câmara e do Senado e outras.

Se tudo não estiver resolvido de antemão, será apenas um convescote reunindo governadores eleitos, deputados e senadores que chegam, além dos que vão continuar, ministros, chefes estaduais e mais a torcida do Flamengo. Como as lições do passado estão aí mesmo, senão mostrando o que fazer, ao menos indicando o que evitar, parece difícil ao PMDB não sair da reunião sem diretrizes básicas de ação futura.

Unanimidade de jeito nenhum será encontrada, mas ao menos tendências majoritárias são aguardadas, ou melhor, já terão sido tomadas. Claro que ainda existem pontos controversos, como a presidência da Câmara, onde o líder da bancada de deputados, Eduardo Cunha, desponta como favorito mas é contestado pela presidente Dilma e, como consequência, por Michel Temer. O polêmico desafeto do palácio do Planalto está convidado. Ignora-se se terá coragem de faltar. Por cautela, de tarde, antes do ágape no palácio do Jaburu, ele terá reunido o alto comando de sua campanha, para estender os limites do chamado “blocão”, ou seja, o pedaço do PMDB que o apoia, por sinal majoritário, além de outros partidos infensos ao alinhamento automático com Dilma, incluindo oposicionistas.

Os montes de peemedebistas, entre o uísque inicial, o vinho e o champagne, terão poucas condições de decidir alguma coisa, mas espera-se que as decisões fundamentais já tenham sido tomadas. Uma delas será o lançamento de um candidato alternativo para enfrentar Eduardo Cunha, dificilmente alguém do PMDB, sendo mais provável um candidato do PT ou de outro partido aliado. O preço dessa abdicação pode ser mais um ministério, dos cinco que o partido detém, ou, ao menos, a preservação dos atuais.

Mais importante do que o banquete de hoje será o encontro, amanhã, entre Temer e Dilma, para os finalmentes. De qualquer forma, como as eleições para a presidência da Câmara só acontecerão em fevereiro, nada poderá ser considerado definitivo. Mesmo assim, estará delineado o rumo do maior partido nacional diante do governo, que continuará apoiando, de verdade ou de mentirinha.

ESPÍRITOS LIVRES

Eurípedes, na peça “Hipólito”, encenada no teatro do Pireu, colocou na fala do herói a frase de que “minha língua está presa a um juramento, mas meu espírito permanece livre”. A reação da assistência foi imediata, pois os atenienses eram, acima de tudo, conservadores atrelados aos postulados religiosos da época. Queriam o alinhamento automático dos cidadãos com os deuses, forma de a sociedade funcionar com ordem e disciplina, sem contestações.

Eurípedes, sentado na primeira fila, levantou-se e acalmou os presentes, assegurando que até o final da peça Hipólito sofreria de maneira edificante o castigo do sacrilégio. Assim aconteceu, apesar de o genial autor ter terminado seus dias no exílio.

A história se conta a propósito da revolta no PMDB…

5 thoughts on “PMDB: de verdade ou de mentirinha?

  1. Prezado Chagas : Como você diz : ” … será apenas um convescote reunindo governadores eleitos, senadores, deputados, ministros, chefes estaduais e mais a torcida do Flamengo. Mais uma palhaçada com um verniz dizendo ser uma Reunião de bancada. Boca livre para 100 pessoas, ou seja, uma mordomia para acalmar os abutres para o próximo governo.” A pergunta que não quer calar : Quem vai pagar essa conta ?

  2. Os nossos políticos profissionais não sabem fazer outra coisa senão querer o poder pelo poder , não interessa a competência para realizar, acertando ou errando no ministério, o politico profissional pode deixar o ministério e voltar para o parlamento sempre que quiser.Nos EUA os políticos são empresários de sucesso, militares que estiveram na guerra, homens de realização, se forem convidados para o Executivo , perdem o cargo no parlamento. Nos EUA os poderes são independentes.
    No Brasil o político indicado para o ministério pode até sabotar o Executivo se quiser. Atrasar projetos e obras, comprar material errado, sucatear equipamentos novos que serviriam ao povo, se envolver em corrupção e sair impune enquanto o Executivo é cobrado pelo contribuinte. Dizem que no Brasil falta planejamento, mas na realidade o que falta mesmo é a tal capilaridade para que o cidadão seja atendido.
    O Brasil precisa é de reformas. Reformar não está na pauta.

  3. Reafirmo, o que falo a anos ,o maior câncer deste país é o PMDB.Esse partido não quer o bem do país e sim o seu bem estar .Jamais esse partido ajudara nas reformas que o país tanto necessita.

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