PMDB esquece Minas e indica Temer para vice

Pedro do Coutto

A Executiva Nacional do PMDB, reunida terça-feira, decidiu finalmente formalizar a indicação do deputado Michel Temer para vice-presidente na chapa do PT, encabeçada por Dilma Roussef, que passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Antes da divulgação dos levantamentos do Vox Populi e do Sensus, a direção nacional do partido vacilava e, de outro lado, condicionava a indicação formal do presidente da Câmara ao apoio do PT à candidatura de Helio Costa ao governo de Minas Gerais. As pesquisas, apresentando resultados favoráveis a Dilma, fizeram, num passe de mágica, desaparecer a condicionante inicial. Tanto assim que a formalização do acordo será referendada pela convenção nacional do PMDB marcada para 12 de junho.

Em Minas, o PT só vai responder se concorre com Fernando Pimentel ou apóia Helio Costa a 19, ou a 20 de junho. Quer dizer: quando responder, o PT já terá recebido a adesão quase total do PMDB no plano nacional. Digo quase total porque a regional paulista, liderada por Orestes Quércia está com José Serra. O mesmo acontece na seção de Pernambuco com Jarbas Vasconcelos. A decisão da Executiva Nacional peemedebista foi bem focalizada nas reportagens de Maria Clara Cabral, Folha de São Paulo, Cristiane Samarco, O Estado de São Paulo, e Gerson Camaroti, O Globo, todas publicadas a 19 de maio. Reflexo claro das pesquisas.

Antigamente, muito poucos acreditavam nelas. Eu sempre acreditei e fui um dos primeiros jornalistas, tempo do Correio da Manhã, a escrever sobre elas, levando-se a sério. Focalizei muito o plano nacional em 89. Houve, no período, também as municipais de 85 e 89. Os acertos passaram de 95%. As pesquisas são precisas.

Prova de sua credibilidade, hoje, está no comportamento dos próprios candidatos e partidos. José Serra teme enfrentar a popularidade de Lula, procura manobrar pelos flancos, o PMDB apressa sua decisão de indicar o vice temendo apoiar tarde demais. Claro. Pois à medida que o tempo passa a adesão pode tornar-se menos necessária. Isso na hipótese de as próximas pesquisas do Datafolha e do Ibope, esperadas para o final de semana, como afirmou Dora Kramer em sua coluna de terça-feira no Estado de São Paulo, confirmarem as tendências em favor de Roussef, que, de acordo com o Vox Populi e o Sensus, ultrapassou Serra.  Difícil, mas não impossível, reverter a ultrapassagem

Difícil porque, para isso, o ex-governador de São Paulo necessita de fatos novos, de um novo enfoque para sua campanha. O enfoque colocado em prática até agora não apresentou resultados concretos. Tanto assim que Serra liderava, porém dentro de um teto de 38%, a faixa que normalmente atingiria fosse qual fosse sua atuação. Não agregou novas correntes à sua candidatura. Não agregou porque – penso eu – lhe faltava a dose necessária de entusiasmo contagiante. Sua campanha  é fria, previsível. Não arrebata. Dilma, apesar de erros, passa mais calor do que ele. É preciso não esquecer que, para o Vox Populi, Serra recuou 3 pontos.

Não quero dizer que Dilma Roussef entusiasmou parcela ponderável de eleitores da oposição. Mas começa a reunir os indecisos em torno de si. O PMDB sentiu o clima. Esqueceu Minas e indicou Temer para vice-presidente. Dentro de sua lógica, agiu certo.

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