PMDB mineiro (rachado) admite entrar para o governo de Anastasia

Isabella Lacerda e Lucas Pavanelli

O PMDB mineiro avalia a possibilidade de aderir à base do governador Antonio Anastasia (PSDB). Lideranças do partido admitem “conversas” com a cúpula tucana no Estado, e uma aproximação mudaria o cenário eleitoral para 2014, inclusive o nacional.

“É natural que o (senador) Aécio Neves queira que todos os partidos em Minas o apoiem. Conversamos algumas vezes a respeito de o PMDB caminhar junto com o PSDB. Vamos continuar conversando e vendo as possibilidades”, admitiu o presidente estadual da sigla, deputado federal
Antônio Andrade.

Na mesma linha, o deputado estadual José Henrique (PMDB) confirma que a participação no governo está em pauta. “Estive nesta semana na Assembleia e ouvi essa conversa entre os deputados”, contou.

Nos bastidores, o governador Antonio Anastasia teria convidado os peemedebistas a assumirem alguns espaços “nobres”: de acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, eles seriam as secretarias de Obras e de Saúde. Anastasia teria negado a informação. Sem falar em cargos, contudo, um dirigente estadual, que pediu anonimato, confirmou que, caso os peemedebistas decidam compor o governo, duas pastas já estariam na mira.

OFERTA DE CARGOS

A oferta dos cargos seria uma forma de tentar atrair, pelo menos em âmbito local, o maior aliado do Planalto. Para o projeto de candidatura à Presidência da República do senador Aécio Neves (PSDB) seria uma forma de rachar a base de sua provável rival em 2014.

Caso o governo de Minas e os peemedebistas mineiros entrem em acordo, a direção nacional do partido precisará se posicionar. O PMDB ocupa a Vice-Presidência da República, cinco ministérios e é o maior aliado da presidente Dilma Rousseff (PT).

De antemão, a Executiva Nacional nega, inclusive, que exista a possibilidade de rompimento em Minas com o projeto de reeleição da petista. “Isso aí é para criar clima ruim com Brasília. Não vamos participar do governo Anastasia. Não tem clima para isso”, assegurou o secretário geral do PMDB nacional, o deputado mineiro Mauro Lopes. “A direção estadual tem obediência à nacional. Isso não vai acontecer de jeito nenhum”.

RACHANDO DE VEZ

Um possível acordo com o governo de Minas provocará um racha no PMDB mineiro. O partido conta com integrantes simpáticos tanto ao PSDB quanto ao PT, legendas que serão adversárias tanto no cenário nacional quanto no estadual nas eleições de 2014.

“Não haveria problema nenhum em participar do governo Anastasia. Seria uma honra”, avaliou o deputado estadual José Henrique (PMDB). “Todo mundo sabe minha posição. Se for chamado, faço toda a força e todo o empenho para ajudar a vingar um projeto dessa natureza”, acrescentou o também deputado peemedebista Vanderlei Miranda, em favor da adesão.

Derrotado por Antonio Anastasia (PSDB) nas eleições para o governo em 2010, o ex-ministro Hélio Costa aposta que o projeto não vai vingar. “Sou contra e acho que um partido que foi prejudicado como nós fomos pelo atual governo não pode tomar essa decisão”, defendeu.

Até 2009, o PMDB fazia parte da base de apoio do então governador Aécio Neves (PSDB). Após o rompimento, o partido se juntou ao bloco de oposição ao governo do Estado na Assembleia, composto por PT e PCdoB .

(Transcrito do jornal O Tempo)

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