Pobreza s diminui se salrio derrotar inflao

Pedro do Coutto

Reportagem muito clara, muito bem feita, de Fernando Canzian, Folha de So Paulo de 13 de junho, com base em dados fornecidos pelo economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundao Getlio Vargas, acentua que o nmero de pessoas que vivem na misria no Brasil, hoje na escala de 30 milhes de pessoas, vai cair metade em 2014. Cinquenta por cento num perodo de quatro anos, apenas, representa um salto de gigante. Muito difcil de ser atingido, um sonho. S existe um caminho: o nvel de desemprego baixar 8% atuais para 5 e os salrios superarem as taxas de inflao do IBGE. Hoje, o ndice inflacionrio dos ltimos doze meses, tambm de acordo com o Instituto Brasileiro de geografia e Estatstica, de 5,3%.

H sintomas quanto ao recuo do desemprego, de acordo com informaes do ministro Carlos Lupi, mas no existem sintomas capazes de conduzir afirmao de que os assalariados estejam derrotando a inflao. Entretanto, o professor Marcelo Neri sustenta que, no governo Lula especialmente nos ltimos quatro anos, a velocidade dos que conseguiram escapar da carncia absoluta de 10% a cada doze meses. Ser fato? Francamente no parece, inclusive porque, de acordo com a professora Lena Lavinas, da UFRJ, igualmente citada na matria, 90% dos empregos formais criados no mercado de trabalho incluem remunerao at – disse ela trs salrios mnimos. Portanto o at trs salrios mnimos indicativo de que a mdia setorial menor do que este patamar.

Em matria de mercado de trabalho, alis, no basta levar em conta somente o nmero de novos postos. No. indispensvel confrontar-se os novos empregos com o total das demisses sem justa causa. At o exerccio de 2008, o relatrio anual do FGTS publicava esses nmeros, cerca de 1 milho e 200 mil dispensas por ano. Custavam inclusive algo em torno de 26 milhes de reais em saques. Entretanto, o relatrio de 2009, j publicado no Dirio Oficial, omitiu tais informaes. Importante que tal divulgao seja feita para podermos comparar as admisses e as demisses. Quanto ao desemprego, segundo o IBGE na escala de 8%, representa a existncia de aproximadamente 7,5 milhes de desempregados, pois a mo de obra ativa brasileira, metade da populao, reune em torno de 95 milhes de homens e mulheres. Um pouco mais de homens que mulheres: 56 a 44%. Mas esta outra questo.

O essencial elucidar o problema como um todo, de forma global e lgica, j que sem lgica no se chega a lugar algum. E para isso temos que obrigatoriamente observar tambm a taxa demogrfica, no ritmo anual de 1,2%, assinala O IBGE. Assim, nascem em nosso pas cerca de 2 milhes de pessoas por ano. Como a fora de trabalho representa a metade do total de habitantes, verifica-se por este dado a necessidade de serem criados anualmente 1 milho de novos empregos. Para empatar. Mas ns no podemos empatar, pois o empate nos desclassifica. Precisamos vencer, ultrapassar a carga demogrfica. Estamos conseguindo isso, alm de recuperar os pontos perdidos? No. Os salrios esto vencendo as taxas inflacionrias? No, exceto o salrio mnimo. Porm o piso abrange apenas 27% da mo de obra. Dessa forma, como poderemos ento reduzir a pobreza metade no espao de quatro anos?

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