Pode o PT ser renovado na segunda metade?

Carlos Chagas

Novidade não é, mas serve para oxigenar ainda mais o governo Dilma, considerado ótimo ou bom por 62% dos consultados na mais recente pesquisa do Ibope. Quanto à presidente, recebeu 73% de aprovação, daqueles que confiam nela e consideram positiva sua atuação.

Dilma descolando do PT?

O mandato presidencial chega à metade e a conclusão é de que os malfeitos revelados na administração pública de 2010 até hoje não foram debitados a Dilma, mesmo referentes ao período em que ela foi ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil. Funcionou a estratégia do bateu-levou, quer dizer, sempre que tomou conhecimento de irregularidades a presidente tomou providências cirúrgicas. Ainda agora, quando demitiu a chefe do escritório da presidência da República em São Paulo e mandou passear dois diretores de agencias reguladoras, mais a segunda autoridade da Advocacia Geral da União. Antes, quando livrou-se de um monte de ministros herdados do governo Lula, acusados de corrupção.

Mais do que impressão, a certeza é de que tudo continuará desse jeito, imaginando-se não se interromper a cascata de investigações a cargo da Polícia Federal. Há muito lixo ainda em baixo do tapete, remanescente da ascensão do PT ao poder, situação, aliás, cada vez mais incômoda para os velhos companheiros.

Essa a grande mutação verificada hoje: a presidente mostra-se cada vez mais desligada das lideranças arcaicas do Partido dos Trabalhadores. Tornou-se uma entidade à parte, com luz própria, não obstante sua gratidão ao Lula, que a elegeu acima e além dos companheiros. Prova disso foi a péssima figura feita pelos candidatos do PT nas recentes eleições para as prefeituras das capitais.

A pergunta que se faz é se, na hipótese de ser candidata a um segundo mandato, Dilma poderá reeleger-se mantendo o velho PT à distância, como hoje mantém do seu governo. A saída pode estar numa ampla renovação. Na substituição daquelas lideranças erodidas pelo mensalão e congêneres, claro que de preferência sem contrariar o Lula. Missão quase impossível, mas necessária. Sempre haverá a possibilidade de ampliação da base de apoio partidário, com o PMDB à frente. Em suma, a segunda metade surge mais complicada.

###
SÓ COM VESTIBULAR

Os anos cinquenta foram agitados, em termos de política estudantil. O velho Partidão dominava boa parte das entidades e diretórios, sempre se confrontando com as felizmente já extintas Delegacias de Ordem Política e Social. Numa daquelas badernas usuais, a polícia ia invadindo o saguão da Faculdade Nacional de Direito, prenunciando-se um festival de cassetetes. Foi quando uma figura roliça e delicada colocou-se debaixo dos umbrais da vetusta instituição. Sozinho, ante a surpresa dos alunos, gritou para a tropa prestes a ultrapassar os limites da faculdade: “Alto lá! Aqui só se entra prestando vestibular!”

Recuaram todos e o Magnífico Reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon, saiu carregado pelos estudantes, em especial os simpáticos ao comunismo, até pouco seus maiores adversários.

Por que se conta essa historinha? Porque já não se fazem mais magníficos reitores como antigamente…

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *