Podemos expulsa Marco Feliciano por infidelidade partidária e infração ética e moral

Câmara pagou R$ 157 mil por tratamento odontológico de Feliciano

Daniel Weterman
Estadão

O Podemos expulsou o deputado Marco Feliciano (SP) do partido. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, dia 9, pelo comando da legenda em São Paulo por unanimidade (oito votos a zero).

Se quiser reverter o quadro, o parlamentar poderá recorrer à Executiva Nacional do partido dentro de um prazo de três dias – ele já foi comunicado da decisão.

MANDATO – A expectativa entre dirigentes da sigla, no entanto, é que ele aceite sair da legenda. Como foi expulso do partido, Feliciano não perde o mandato, a menos que haja uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que não deve acontecer.

A denúncia que originou a expulsão de Feliciano cita uma série de acusações ao deputado. Entre elas, estão os gastos de R$ 157 mil referentes a um tratamento odontológico reembolsados pela Câmara, caso revelado pelo Estado.

SORRISO CARO – “Parece-nos, outrossim, importante destacar que entendemos por desproporcional e pouco recomendado que em pleno ano de 2019 um parlamentar ainda se utilize de recursos públicos para fins particulares, vide o caríssimo tratamento (dentário) feito pelo representado e pago com dinheiro do povo”, diz parecer do Conselho de Ética do partido citado no comunicado enviado ao parlamentar assinado pelo presidente do Podemos em São Paulo, Mario Covas Neto.

Além disso, o apoio irrestrito ao presidente Jair Bolsonaro, acusações de assédio sexual no gabinete, recebimento de propina, pagamento a supostos funcionários fantasmas e até comentários sobre o cantor Caetano Veloso.

“INCOMPATIBILIDADE “ – O partido decidiu expulsar Feliciano por “incompatibilidade programática e comportamento incondizente com as diretrizes” do Podemos. A saída forçada de Feliciano ocorre dentro da estratégia do Podemos de se afastar do “bolsonarismo” e se firmar como a sigla da Lava Jato.

O partido tem atraído parlamentares da centro-direita descontentes com o governo e, só no Senado, passou de cinco para dez parlamentares nos últimos meses – a segunda maior bancada.

Dirigentes do Podemos querem desvincular a imagem do partido à de Feliciano. Alguns deputados e senadores, citam as fontes nos bastidores, condicionam a negociação de migração para a legenda à saída do deputado dos quadros do Podemos.

SILÊNCIO – Procurado pela reportagem para comentar a decisão do partido, Marco Feliciano não respondeu. No início do mês, quando perguntado sobre o assunto, o parlamentar afirmou que iria respeitar a decisão da legenda.

“Para mim, o que acontecer está bom. Que o eleitor julgue o caso. Um partido expulsa um deputado por apoiar um presidente da República. Aí, não tem mais o que fazer”, afirmou, na ocasião.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Feliciano aguarda o Aliança pelo Brasil sair do papel para ingressar no futuro partido de Bolsonaro. Já que não perdeu o mandato, agora pode ir de mala e cuia para a nova  sigla. Agora, a questão do sorriso do deputado-pregador pago a peso de ouro é gravíssima. A justificativa de corrigir um problema na articulação da mandíbula e de fixar coroas e implantes é um problema pessoal e não do cidadão-contribuinte. Deboche maior foi ver, após a rejeição inicial do reembolso pela equipe técnica da área de perícia da Câmara, sete parlamentares da Mesa Diretora aprovarem o gasto. Em entrevista, na época, Feliciano argumentou que enquanto político e líder religioso utiliza a boca como “ferramenta”. Piada pronta. Ainda que de mau gosto. O desfecho fica a cargo dos comentaristas de plantão. (Marcelo Copelli)

8 thoughts on “Podemos expulsa Marco Feliciano por infidelidade partidária e infração ética e moral

  1. “Agora, a questão do sorriso do deputado-pregador pago a peso de ouro é gravíssima.”

    -É verdade. Tão grave e imoral quanto a lagosta do Supremo…

  2. Não basta o plano de saúde top ad eternum dos parlamentares e seus dependentes, o fdp gasta fortuna para arrumar a boca, mais um dos infindáveis escárnios.

  3. Com uma boca dessa já faz por merecer ser ministro do STF, para comer lagosta.
    Pessoalmente acho a boca do Gilmar muito feia, lagosta só deve ser comida por quem tem boca rica.
    Quanto aos judeus, comparando seu tamanho com os demais países da região não passa do tamanho de um grão de arroz, e se não se cuidar vai ser “varrido do mapa” como deseja o Irã e outros fundamentalistas islâmicos.
    Dito isso declaro que Israel tem o direito de existir nem que seja a ferro a fogo.

  4. O partido Podemos jogou para a torcida.

    Expulsar o deputado por infração ética e moral mais infidelidade partidária foi uma atitude demagógica.

    Fosse assim, nenhum parlamentar existiria no congresso, diante da quantidade de afrontas à moral e à ética!

    Quanto á infidelidade partidária, eis a razão mais falsa, idiota e imbecil levada a efeito.
    Quantas agremiações, que se apresentam para o povo como opositoras, e pendem para o lado da situação quando lhes convém ou vice-versa?!

    O MDB, por exemplo, é oposição ou situação ou ambas ao mesmo tempo?
    Os tucanos?
    Posam só na mesma árvore ou também naquela que dá bons frutos?

    Torna-se até mesmo risível quando um partido expulsa um parlamentar por infidelidade partidária, se a agremiação é a primeira a ser infiel com seus eleitores!
    Depois, lançar mão do expediente ético e moral, a contradição absoluta e falsidade indiscutível, por conta dos crimes praticados mensalmente pelos parlamentares quando apresentam as suas “despesas” para ser indenizados!

    Não sobraria um para contar história.

    Fosse mesmo punir alguém, o processo seria a cassação, menos esta pantomima de baixa qualidade e mal intencionada.

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