Polícia Federal fracassa e não descobre o mandante da invasão de celulares da Lava Jato

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Delgatti, o chefe, se recusou a denunciar o mandante

Carlos Newton

Chegou ao fim o prazo para concluir o inquérito sobre os hackers que invadiram e roubaram mensagens de celular de autoridades da República e integrantes da Operação Lava-Jato. Após seis meses de investigações, foram indiciados Danilo Cristiano Marques, Gustavo Elias Santos, Thiago Eliezer Martins Santos e Walter Delgatti Neto, que liderou a quadrilha.

Os seis responderão pelos crimes de organização criminosa (formação de quadrilha), invasão de dispositivos telemáticos e interceptações de comunicações indevidas.

LEI CAROLINA DIECKMAN – A legislação atual é de 2012, denominada “Lei de Crimes Informáticos” (ou “Lei Carolina Dieckman”, cujo celular foi invadido), que incluiu alterações no Código Penal Brasileiro, com a tipificação criminal de delitos informáticos.

Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.
Pena – detenção, de um a três anos, e multa.

Art. 266 – Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento.
Pena – detenção, de um a três anos, e multa.

 DUPLICIDADE – Embora a PF tenha pedido de enquadramento nesses dois artigos, para aumentar a pena, essa duplicidade dificilmente vai prosperar, porque o ato criminoso está perfeitamente tipificado apenas no artigo 154-A. 

Da mesma forma, o crime de organização criminosa também será dificilmente aplicável, porque terá de restar provado que houve “associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais, cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional”.

E acontece que o crime de hackeamento tem pena máxima de três anos, não é aplicável a formação de quadrilha.

DENÚNCIA ACEITA – É claro que o Ministério Público Federal vai aceitar a denúncia e encaminhá-la à primeira instância da Justiça Federal, em função da abundância de provas e até de confissões. Mas a punição será pequena, na forma da lei, apesar da gravidade dos crimes cometidos e da intenção maior, que era desmoralizar a Lava Jato e libertar todos os criminosos apanhados na operação.

É por isso que alguns dos envolvidos na quadrilha se hackers já foram até libertados. Quando o caso enfim for a julgamento, todos serão imediatamente soltos por já terem cumprido um sexto da pena (16%).

Assim, fica claro que é necessário reformar a legislação, que ainda considera de mínima gravidade os crimes cibernéticos, embora a finalidade da quadrilha liderada por Delgati tenha sido concretizar uma trama diabólica, como diria o genial Alfred Hitchcock.

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P.S.
Também fica claro que a Polícia Federal fracassou por não encontrar o mandante, que soube operar com segurança, pagou tudo com dinheiro vivo (lembrem-se que o indiciado Gustavo Elias Santos foi preso com R$ 100 mil em espécie). Ou seja, o mandante só será identificado se o chefe da quadrilha revelar seu nome. Mas Walter Delgatti Neto já mostrou que é um criminoso inteligente e preparado. Não irá matar sua galinha dos ovos de ouro, pois o mandante ficará em suas mãos enquanto viver, a não ser que se repita o caso Celso Daniel, desta vez na Prefeitura de Araraquara, que por coincidência é comandada por um dirigente petista, o ex-ministro Edinho Silva. (C.N.)

13 thoughts on “Polícia Federal fracassa e não descobre o mandante da invasão de celulares da Lava Jato

  1. Autoridades não deveriam ter diálogos capciosos. A divulgação sempre é boa para entendermos ou comprovarmos como funcionam os esquemas.
    Já aconteceu tantas vezes. E achei isso bom, em todas as ocasiões.

    Afinal de contas, quanto mais conhecimento, menos ignorância. Ainda assim, o desconhecimento é muito maior.

    • Capciosa foi a interpretação que uma parte da mídia quis dar àquele amontoado de bobagens e fofocas. Ao contrário do que alguns mandarins da mídia querem pensar, magistrados neste país não vivem em bolhas incomunicáveis. E Isso não exclui o caráter criminoso das ações de Delgatti e seus asseclas.

    • Oh, não me diga!
      Sei o porquê de você ter sido a favor dessas tais gravações clandestinas de autoridades e depois as divulga-las.
      Conhecendo como funciona a cabeça de um socialista que sempre estar a defender os erros dos tiranos da Esquerda, minha intuição leva-me a crer que você foi a favor sim, mas especificamente da divulgação dos diálogos entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.
      E o seu motivo de ser a favor é óbvio, você esperou a desmoralização e até a queda do ministro Moro, você esperou punição e o afastamento do procurador Deltan Dallagnol da Operação Lava Jato, você esperou o enfraquecimento ou até se acabar com a Operação Lava Jato.
      Resumindo, você esperou Lula ser beneficiado e perdoado dos seus crimes. Você esperou o poder Judiciário se auto culpar e reconhecer que errou ao condenar o santo do pau oco.
      Você esperou haver uma maneira de se provar que Lula nunca cometeu crime algum, que Lula foi injustiçado, que o mesmo é preso politico e que apenas ele está sendo perseguido pela zelites porque colocou comida na mesa do pobre e poderia novamente ser presidente e voltar a ajudar os pobres.

      Você diz: Já aconteceu tantas vezes. E achei isso bom, em todas as ocasiões.
      Ah, foi? Então quando o Juiz tornou público o diálogo entre Lula e Dilma que o queria ministro, você concordou com o juiz.
      Quer enganar a quem meio véi? Diria o caboclo.

      • Sim, João da Bahia, achei bom que o diálogo de Dilma e Lula fosse divulgado, Também não achaste?
        Achei bom também a divulgação do diálogo de Temer com o Wesley. Achei bom a que fosse divulgado o diálogo do Delcídio com o filho do Cerveró.

        Enfim, autoridades não deveriam ter segredos espúrios.

        Também te entendo, João da Bahia. Tens a incapacidade de dialogar. Achas que todos devem rezar a mesma cartilha. Que se alguém pensar diferente das tuas convicções estará errado.
        Mas não estás sozinho, há muitos que pensam assim.

        Quanto a Lula, o tempo dele já passou e nem mesmo pode concorrer por já ter sido condenado em segunda instância. Ele e seu partido acertaram em algumas coisas, mas erraram em muitas outras.

        Enfim caro João da Bahia, não penses com a cabeça das outros, pois para isso é preciso ter empatia, qualidade muito difícil nos seres humanos.

        • E acaso quem pensa com a própria cabeça vai necessariamente pensar como você? Quem pensa com a própria cabeça pode pensar qualquer coisa, certa ou errada?
          Que pessoas pratiquem atos espúrios não dá a ninguém o direito de praticar ilegalidades a pretexto de expor esses atos. Os hackers também tinham seus “segredos” espúrios, como já vimos no noticiário.
          Os casos de Moro, Lula, Delcídio e Temer foram coisas muito diferentes. O último foi uma armação, em que se usou diálogo enviesado para induzir o à época presidente a endossar um ato ilegal de Joesley, e todo mundo fez de conta que Temer era mais culpado que Joesley, até que a íntegra das gravações vieram à tona.

          • Pedro Meira, não tinha comentado a tua crítica, mas tens razão, cada qual pensa conforme suas convicções e conhecimento (ou desconhecimento?).
            Por exemplo, falas que o diálogo exposto de Lula e Dilma foi legal, é isso? E que o diálogo de Temer com Joesley não tinha nada demais.
            Engraçado, nesses dois casos eu penso diferente.

            Todavia, o que me agrada é o conteúdo, porquanto eu também considere ilegais esses e outros vazamentos ocorridos. Pelo menos é desnudado um pouco, o muito que desconhecemos.

            Quanto aos diálogos invadidos pelo hacker, acho que mostraram algo que no mínimo não é ético, principalmente para autoridades.

            Mas não devemos brigar para vencer a discussão. É o bastante a gente ler o comentário do outro, mesmo que contrário. A absorção ou não, depende de quanto a gente está propenso a manter a nossa “verdade”.

            Abraço e saúde.

  2. Caro CN. Essa afirmativa de que a PF fracassou fica um tanto “rasa”; ora sabemos do envolvimento do milionário Green, que segundo relatos suas cifras passam de 250 milhões, como é divulgado também que o Green já operou de forma semelhante em outra “Nação”…, ora o gringo foi Condecorado pelo “Congresso Nacional” com medalha mês passado…, quem divulgou as supostas mensagens do supostos “hackers de Araraquara” foi o estrangeiro…, foi a caso ouvido ou investigado o Green?! Ou foi um mero conluio ao ponto deste ser condecorado, e os piratas foram apenas mero “alvos”… Diria Getúlio Vargas: -“este país está sobre forças ocultas”?
    PS. Foi omissão, mera manipulação teatral?! Para se ganhar tempo e ter algumas PEC’s aprovadas desde outubro…

  3. Aqui no Brasil temos a mania de esperar que criminosos passem recibo de seus atos, a fim de que tudo fique bem provadinho.É claro que na vida real não é assim, e mandantes só são formalmente identificados quando delatados por seus cúmplices que querem aliviar suas penas. Pela regra do “qui bono, não é difícil saber quem quer foram os associados nessa empreitada, mas isso não vale como prova formal.

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