Polícia Federal insistiu em devassar atos antidemocráticos, e Aras levou 5 meses até preferir “arquivar”

Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu no G1 — Brasília

A Polícia Federal defendeu junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) um aprofundamento das investigações do inquérito dos atos antidemocráticos. A PGR, no entanto, demorou cinco meses para se manifestar e, na sexta-feira (4), pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito.

Parlamentares e blogueiros bolsonaristas são investigados no inquérito, que apura o financiamento e a organização de manifestações realizadas em abril do ano passado. A abertura do inquérito foi pedida pela PGR e autorizada pelo STF. As manifestações levantaram causas inconstitucionais, como ataques ao Congresso e ao STF e apologia ao AI-5, considerado o ato mais repressor da ditadura militar.

SEM COMPROVAÇÃO? – Ao pedir o arquivamento, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, argumentou que as investigações da PF não conseguiram apontar a participação dos deputados e senadores nos supostos crimes investigados.

A TV Globo teve acesso a documento que comprova que o relatório parcial da PF foi liberado para a PGR em 4 de janeiro. Não foram feitas diligências por parte da PGR.

No relatório parcial, assinado pela delegada da PF Denisse Ribeiro, ela afirma que vê “justa causa” para aprofundamento das investigações, mesmo diante de “lacunas” na apuração. Algumas dessas lacunas, segundo ela, ocorreram porque a PF não conseguiu obter provas junto à CPI das Fake News.

DELEGADA INSISTIU – “Apesar de a Polícia Federal não ter conseguido utilizar determinados meios de obtenção de prova (busca e apreensão, acesso ao conteúdo obtido pela CPI, por exemplo) para completar lacunas em alguns eventos e também para verificar a consistência e subsistência de algumas das hipóteses criminais apresentadas, observa-se que há justa causa para aprofundamento desses fatos, não necessariamente dentro do presidente inquérito situação que deverá ser avaliada pelo ex. sr. ministro relator”, disse a delegada.

Em outro trecho, a PF afirma que a investigação permitiu identificar a “existência de um grupo de pessoas que se influenciam mutuamente, tanto pessoalmente como por meio de redes sociais digitais, com o objetivo de auferir apoio político partidário por meio da difusão de ideologia dita conservadora”.

O relatório afirmou também que foi verificada a tentativa de um empresário e do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de comprar ou alugar uma rádio para fortalecer apoios políticos. “Uma articulação de Otávio Fakhoury – empresário – com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, no intuito de adquirirem ou alugarem uma rádio com o fim de possuírem, um canal de mídia tradicional para a difusão do ideal conservador”.

CRUZAMENTO DE DADOS – Ao longo do inquérito, a PF faz uma série de cruzamento de dados e mostra a relação de empresários, políticos e apoiadores do governo. Sites que apoiam Bolsonaro lucraram durante os atos antidemocráticos

Uma das linhas de investigação da PF é se houve o direcionamento de repasse do governo federal para sites e outros canais bolsonaristas atacarem as instituições.

A PF diz que não foi possível obter informações aptas a verificar se a Secretaria de Comunicação da Presidência adotou medidas que impedissem o direcionamento de recursos federais aos canais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, a Procuradoria-Geral da República abriu o inquérito somente para manter as aparências. Sentou em cima, deixou o tempo passar, sem fazer diligências, e agora quer arquivar. O argumento do subprocurador é de uma desfaçatez assustadora. Alega que não se comprovou o envolvimento de deputados e senadores. Ora, é claro que não. Os atos pediam justamente o fechamento do Congresso e nenhum parlamentar quer perder a boca rica, como se dizia antigamente. (C.N.)

3 thoughts on “Polícia Federal insistiu em devassar atos antidemocráticos, e Aras levou 5 meses até preferir “arquivar”

  1. Felipe Quintas (via Facebook)

    A revista The Economist, de propriedade da família Rothschild, está promovendo abertamente o separatismo da província argentina de Mendoza (link nos comentários).

    Nenhuma novidade para quem conhece o básico da história latino-americana do século XIX. O ponto é que a agenda de balcanização das nações latino-americana continua atualíssima. Se incide na Argentina, também incide no Brasil, país que os Rothschild não conseguiram fragmentar.

    Aí a gente começa a entender o porquê de tanto vídeo no youtube conjecturando sobre separatismos (“como seria se a região tal fosse um país”), o porquê de grupos separatistas, a princípio de pouca expressão, fazerem parte da base de apoio leal ao Bolsonaro, o porquê de tanta propaganda em torno desse tal “Consórcio Nordeste”, o porquê do aumento, nas redes sociais, da rivalidade artificial entre sul e nordeste e de discursos como “o sul é meu país” e “o nordeste é o meu país”, o porquê da Folha de São Paulo ter dividido, ainda pelos idos de 2010, o mapa eleitoral-cultural do Brasil em “Brasil vermelho” e “Brasil azul”, ignorando as centenas de municípios sulistas que votavam mais no PT e importantes núcleos eleitorais do nordeste que votavam em outros candidatos.

    Lembrando que separatismo sempre acontece em meio a guerra civil. Nesse momento, temos grupos à direita defendendo a “ucranização” do Brasil e grupos à esquerda defendendo a “colombianização”. Como se Ucrânia e Colômbia fossem exemplo de algo que prestasse…

    Enquanto alguns deliram com o Partido Militar e outros com o Foro de São Paulo, na prática o Partido Financista e o Foro de Bilderberg vão retalhando o país e escravizando a população.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1600817850115463

  2. Tem que rever essa regra de que o MP é dono da ação penal pública… e que pode desistir de aprofundar diligências investigatórias para subsidiar a ação penal quando o trabalho policial claramente indicar que haja pendências.

    Deixar a palavra final à cúpula do órgão designada com interesse político é como deixar o lobo cuidando do galinheiro.

    Essa cúpula do MP é claramente prevaricadora

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