Polícia solta homem que se apresentou como cúmplice do assassinato de Bruno e Dom

Viciado em drogas inventou uma história muito criativa

Rayssa Motta
Estadão

A Polícia Federal (PF) soltou o homem que se apresentou na quinta-feira, 23, em São Paulo para confessar envolvimento no assassinato do indigesta Bruno Pereira e do repórter britânico Dom Phillips. Os investigadores dizem que a versão dele é “pouco crível e desconexa com os fatos até o momento apurados”.

Na manhã de quinta-feira, Gabriel Pereira Dantas procurou policiais na Praça de Sé, na região central da capital paulista, e disse que queria se entregar. Ele foi levado para o 2.º Distrito Policial, no Bom Retiro, onde detalhou com “riqueza de detalhes”, segundo os delegados que o ouviram, como ajudou a esconder os pertences, a ocultar os corpos e a afundar o barco de Bruno e Dom.

ESCOLTA POLICIAL – Ao final da tarde, ele foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em São Paulo sob forte escolta policial. Ao ser interrogado novamente, segundo a PF, ele permaneceu calado. As investigações do duplo homicídio são conduzidas por autoridades federais.

A Polícia Civil de São Paulo chegou a solicitar a prisão temporária dele, mas a Justiça do Amazonas negou o pedido. O delegado Roberto Monteiro, policial tarimbado no combate à criminalidade que comanda a Delegacia Seccional Centro, disse que acreditava na versão e que parte das informações passadas pelo suspeito já haviam sido confirmadas. “É uma versão que tem fundamento”, afirmou. “Ele relata com muita riqueza de detalhes.”

Em depoimento à Polícia Civil, Dantas disse que morava em Manaus, mas se mudou para Atalaia do Norte depois de ter sido ameaçado por traficantes.

DISSE À POLÍCIA – Dantas afirmou que estava na cidade há poucos dias quando se envolveu no crime. Recém-chegado, teria se aproximado de um homem conhecido como “Pelado” ao frequentar o Bar e Mercearia dos Amigos. Não se sabe se ele se refere a Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, ou Jeferson da Silva, o Pelado da Dinha. Ambos foram presos na investigação das mortes de Bruno e Dom.

No dia do crime, ele disse que estava bebendo com Pelado e recebeu o convite para sair de barco. Eles teriam encontrado a embarcação de Bruno e Dom no rio Madeira, na altura da comunidade Vila Isabel. O suspeito afirma que o jornalista e o indigenista não tinham “prática em andar rápido” e foram alcançados após uma perseguição. Dantas atribuiu a execução a Pelado, que segundo ele usou uma espingarda calibre 16.

Em sua versão, considerada verossímil pela Polícia Civil, ele passou os últimos dias em fuga. O objetivo seria chegar ao Rio de Janeiro. Entre trechos percorridos de barco e de carona, Gabriel Dantas diz que cruzou três estados.

TRAJETO LONGO – Ele afirma ter saído de Atalaia do Norte, no Amazonas, e viajado por Manaus (AM), Santarém (PA), Trairão (PA), Cuiabá (MT), Guarantã do Norte (MT) e Rondonópolis (MT) antes de chegar a São Paulo.

Usuário de drogas, também relatou ter passado por uma casa de acolhimento para dependentes químicos no Pará. O trajeto soma mais de 8,5 mil quilômetros.

No caminho, disse que contou com a ajuda de um caminhoneiro, que chegou a abrigá-lo e a dar R$ 150 para ele passar os seus primeiros dias na capital paulista, sem saber que o homem era suspeito de participação no assassinato de Bruno e Dom. O caminhoneiro foi interrogado pela Polícia Civil em Goiás e confirmou a versão do suspeito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É cada maluquice que chega a desmoralizar o trabalho da Polícia. Mas a pior informação foi a do caminhoneiro, que teria confirmado a versão do toxicômano. E ainda lhe deu R$ 150 para seguir em frente. É mesmo desmoralizante. (C.N.)

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