Política brasileira é capaz de enlouquecer qualquer observador estrangeiro

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Charge do Gilmar (gilmar.zip.net)

Carlos Newton

Eles surgiram ainda no período militar, chamados de “brazilianistas”. Eram acadêmicos e jornalistas estrangeiros que tinham uma enorme curiosidade sobre o Brasil e tentavam entender este gigantesco e rico país, uma das nações de maior potencial de crescimento no mundo. Hoje em dia, são raríssimos os intelectuais estrangeiros que podem ser classificados de “brazilianistas”, porque não houve renovação de valores, em função da imensa dificuldade que eles encontram quando tentam entender como funcionam a política e a administração pública no país.

É por causa dessa esculhambação institucionalizada que até hoje existem jornalistas, políticos e intelectuais estrangeiros que ainda acreditam que Lula da Silva é inocente e está sofrendo perseguição política.

MAIOR DO MUNDO – Aqui no Brasil, grande parte da população já está convencida de que Lula realmente é um político de alta periculosidade, que foi capaz de montar o maior esquema de corrupção institucional do mundo, e não satisfeito em se corromper, fez questão de corromper também a família, a tal ponto que dois de seus filhos (Fábio Luís, o mais velho, e Luís Cláudio, o caçula) conseguiram se tornar “fenômenos” como empresários, mas agora correm risco de serem presos a qualquer momento.

Apesar desta realidade incontestável, no exterior ainda não existe uma visão mais precisa sobre Lula. Pelo contrário, ainda há quem pense que realmente esteja em curso uma conspiração para evitar que ele volte à Presidência.

Atrevo-me a dizer que, se pedisse asilo, Lula seria aceito como refugiado pela quase totalidade dos 194 países de ONU e nem precisaria recorrer aos mais amigos, como Cuba, Venezuela, Equador, Angola, Nicarágua, Bolívia etc.

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COMO EXPLICAR A UM ESTRANGEIRO?

1) Que no Brasil as autoridades policiais e judiciais podem comprovar que o presidente da República é corrupto e chefia uma quadrilha, mas nada acontece a ele, não pode ser processado porque está no exercício do mandato?

2) Que um criminoso condenado em segunda instância, quando já está esgotada a fase do exame das provas, só possa ser preso cerca de 10 anos depois, quando a sentença for confirmada em terceira instância?

3) Que neste período até a terceira instância o crime possa prescrever, livrando o criminoso de qualquer punição, não importa a gravidade do ilícito cometido?

4) Que um criminoso possa ser condenado a centenas de anos de prisão, mas só cumprirá no máximo 30 anos e terá direito a sair muito antes, se tiver bom comportamento, ler livros, trabalhar na prisão e fizer cursos por correspondência?

5) Que um criminoso possa alegar estar doente e ser libertado, mesmo que a perícia médica oficial tenha constatado que ele está bem de saúde e não há motivos para deixar de cumprir a pena?

6) Que um juiz possa agir criminosamente, não ser condenado e ter como punição máxima uma aposentadoria precoce, com remuneração de fazer inveja a qualquer país desenvolvido, com caráter vitalício e transmissível ao cônjuge, que pode até ser uma pessoa do mesmo sexo?     

7) Que no Brasil um juiz de qualquer instância possa julgar uma pessoa com a qual mantém relações de amizade, sua sentença não seja anulada e ele não sofra qualquer punição?

8) Que o presidente da República possa nomear para a Suprema Côrte um advogado que foi reprovado duas vezes em concurso para juiz, e o nome dele seja aprovado pelo Senado da República, como se o indicado tivesse “notório saber”?  

9) Que um ex-presidente da República, já condenado a 12 anos e um mês de prisão, além de responder a outros processos e inquéritos por corrupção e lavagem de dinheiro, possa ter esperanças de que a Suprema Côrte autorize que ele seja candidato a voltar ao cargo?

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P. S.Por causa dessas realidades brasileiras, o ator Agildo Ribeiro interpretou um quadro humorístico fabuloso, no qual explicava por que não queria mais viajar para fora do país. Ele contava que sempre que estava no exterior e dizia como as coisas funcionavam no Brasil, as pessoas logo caíam na gargalhada, achando que era tudo mentira e ele estava inventando piadas na hora, ninguém acreditava nele. E Agildo sempre terminava o esquete dizendo: “É por isso que não viajo mais para o exterior…”. (C.N.) 

19 thoughts on “Política brasileira é capaz de enlouquecer qualquer observador estrangeiro

  1. Bom dia ! Excelente artigo ! Ilustra bem nossa triste realidade! O pior de tudo é constatar que 1 por cento da população se indigna com esse estado de coisas e se manifesta de alguma forma. O povo não foi ao Senado protestar quando da sabatina de Dias Toffoli nem quando Renan e Levandowski mantiveram Dilma elegível após sua cassação. Era para o povo cercar o congresso e quebrar tudo exigindo moralidade. Eu realmente não consigo entender como estando o Rio de Janeiro na situação que está , 3 milhões de pessoas se reúnem em um bloco de carnaval para brincar alegremente como se a vida fosse uma festa ! Acho que estamos todos um pouco meio que anestesiados com tantos acontecimentos trágicos em sequência!

  2. Pois é, pois é…
    Mas como explicar para um estrangeiro que, tendo plena consciência de tudo isso, brasileiros ” sensatos” ainda defendem que tudo seja resolvido pelas mesmas vias que produziram tamanho caos?
    Como não mostrar a eles que não entendemos direitinho a preciosa lição dada pelo ” grande “Roberto Jefferson: ” Não passa um filete de água pura num cano de esgoto ” ?
    Como explicar tudinho pra eles sem nos revelarmos, por inteiro, como um povinho sem sangue e estúpido, que aguardamos quietinhos e perfumadinhos o dia mágico das eleições_ quando, então, encharcados de sabedoria, nossos queridos jornalistas escreverão textos pomposos para enfatizar a beleza da democracia que temos, e nos ensinarão , comovidos, que é através do voto, e somente dele, que mudaremos tudo, que haveremos de alcançar o tão maravilhoso horizonte?
    Em suma: como explicar tudo tão inteligentemente sem, contudo, nos revelarmos tão idiotas, tão rigorosamente burros e sem futuro?

  3. Com relação as questões, alguma observações:

    1) Que no Brasil as autoridades policiais e judiciais podem comprovar que o presidente da República é corrupto e chefia uma quadrilha, mas nada acontece a ele, não pode ser processado porque está no exercício do mandato?

    O impeachment de Dilma altamente controverso levanta suspeita de um golpe parlamentar com apoio do judiciário.

    2) Que um criminoso condenado em segunda instância, quando já está esgotada a fase do exame das provas, só possa ser preso cerca de 10 anos depois, quando a sentença for confirmada em terceira instância?

    A condenação é altamente contestada no Brasil e no exterior, justamente por falta de provas, e o que é pior: por falta de crime. Mais uma vez, a suspeita de perseguição política aumenta. No mínimo para servir como troféu para uma justiça altamente seletiva e ineficiente, que precisa de um banho de democracia, para chegar ao século XXI.

    3) Que neste período até a terceira instância o crime possa prescrever, livrando o criminoso de qualquer punição, não importa a gravidade do ilícito cometido?

    A culpa de prescrição da pena se deve a morosidade da justiça. Se há possibilidade de muitos recursos, que seja revisto o sistema, sem passar por cima da garantia constitucional da presunção de inocência até o transito julgado.

    4) Que um criminoso possa ser condenado a centenas de anos de prisão, mas só cumprirá no máximo 30 anos e terá direito a sair muito antes, se tiver bom comportamento, ler livros, trabalhar na prisão e fizer cursos por correspondência?

    A luta progressista esta na abolição do encarceramento em massa e da democratização da justiça.

    5) Que um criminoso possa alegar estar doente e ser libertado, mesmo que a perícia médica oficial tenha constatado que ele está bem de saúde e não há motivos para deixar de cumprir a pena?

    Quem defende cegamente as decisões estatais contra os direitos individuais flerta com o totalitarismo, sem reconhecer que a posições científicas, judiciais e inclusive médicas, podem divergir.

    6) Que um juiz possa agir criminosamente, não ser condenado e ter como punição máxima uma aposentadoria precoce, com remuneração de fazer inveja a qualquer país desenvolvido, com caráter vitalício e transmissível ao cônjuge, que pode até ser uma pessoa do mesmo sexo?

    Para os casos jurídicos, existe o julgamento administrativo, que leva como punição o afastamento da função, e inclusive, a aposentadoria precoce. E existe o julgamento civil, que leva como punição a prisão, por exemplo. A aposentadoria é um direito do sujeito, independente da sua situação civil. Separar uma coisa da outra é fundamental para uma discussão civilizada.

    7) Que no Brasil um juiz de qualquer instância possa julgar uma pessoa com a qual mantém relações de amizade, sua sentença não seja anulada e ele não sofra qualquer punição?

    É preciso reconhecer que nosso sistema judicial é todo baseado na cognição do juiz. Se vamos questionar a decisão do juiz, quando este não se vê impedido de processar um “amigo”, devemos colocar em dúvida, toda e qualquer decisão baseada no cognição do juiz. Mais uma vez, a democratização da justiça é bem vinda aqui.

    8) Que o presidente da República possa nomear para a Suprema Côrte um advogado que foi reprovado duas vezes em concurso para juiz, e o nome dele seja aprovado pelo Senado da República, como se o indicado tivesse “notório saber”?

    A nomeação de ministros indicados pelo presidente para o STF passando pelo crivo do senado é um sistema de natureza politica. Indicações do presidente da republica, em qualquer lugar do mundo, é sempre politica. Entretanto, o sistema pode ser melhorado, com debates públicos, entre candidatos ao STF, para que o povo possa conhecer melhor os critérios políticos adotados para a escolha do ministro.

    A democratização da justiça é uma pauta cada vez mais urgente.

    9) Que um ex-presidente da República, já condenado a 12 anos e um mês de prisão, além de responder a outros processos e inquéritos por corrupção e lavagem de dinheiro, possa ter esperanças de que a Suprema Côrte autorize que ele seja candidato a voltar ao cargo?

    Mais uma uma vez, é preciso separar uma coisa da outra. Existe o julgamento no âmbito civil, e o julgamento político. Em última instância quem faz o julgamento político é o povo, por meio das urnas. Encarar as decisões judiciais como verdades absolutas é mais uma vez flertar com o autoritarismo. Toda decisão dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário, inclusive), em uma república, em uma democracia, pode (e deve) ser questionada publicamente e politicamente.

  4. Excelente artigo.
    Deveria ser primeira página de todos os jornais, para que o povo tomasse ciência da esculhambação que é o Brasil. Mas esse é o tipo do texto que não interessa a mídia.

  5. Uma perguntinha só…
    Esse senhor Alex Cardoso é deste planeta, ou está a serviço de alguém.

    Eu não acredito que ele ache coisa nenhuma, só deve ser, repetindo, a serviço de alguém….

    • Este Alex deveria ser ignorado por todos. Ele na verdade é um robô replicante. É um ctrl v ctrl c explícito. O que eles querem com este robô é que as pessoas continuem o debate com ele. Portanto eu nem replico mais.

  6. Newton, você nos faz refletir. Mas eu tenho uma noção diferente de muitas das coisas acontecidas em nosso judiciário “Latu Senso”. Acho que ninguém se livrou do “complexo de vira-latas” imortalizado por Nelson Rodrigues que conheceste bem. Nelson achava o brasileiro ainda desprovido de “amor próprio”. Não confiava no que fazia principalmente no esporte. Tudo o que vinha de fora (de outros países) era melhor do que faziamos no Brasil. A nossa justiça está se pautando por essa forma de pensar: As leis dos EEUU são melhores e mais aperfeiçoadas que as nossas. Da Alemanha também, Da Noruega também. Enfim , devemos mudar tudo porque está tudo errado. Somos umas bestas quadradas essa é a verdade. Mas esquecem e você sabe, que nosso direito é “Romano Germânico” e os dos países citados são “Anglo Saxônicos”. Esquecem também que somos oriundos de um país (monarquia) unitário. Os EEUU foram formados por 13 colônias inglesas independentes que se uniram em Federação. Posteriormente vendo a fragilidade da Confederação idealizaram a Federação que é indissolúvel. Cada estado conservou alguns direitos que tradicinalmente existiam em suas colônias. Porqtanto as leis anglo-saxônicas diferem muito da nossa que é “romano germânica”. Neste momento estão empurrando goela abixo do povo brasileiro, interpretações duvidosas de algumas leis. O Certo é corrigirmos as leis que estiverem em desacôrdo com a evolução e não como imortalizou Nelson Rodrigues: Ficarmos com complexo de vira-latas. Tudo que vem de fora é melhor. Assim sendo dentro de cinqüenta anos seremos uma “Colônia Americana”.

    • O problema das nossas leis é a punição que praticamente não existe.
      Nem estou falando de pena de morte, mas de pelo menos prisão perpétua sem direito a condicional.
      Acabar com essa história de recuperar preso com pena máxima de 30 anos e com 5 anos apenas soltá-lo.

      Minério dá duas safras?

  7. Carlos Newton, excelente artigo.

    Peço permissão para lembrar que estamos no país do imortal Tim Maia, onde prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia.

    E mais: ministro da Fazenda (Guido Mantega) sonega, senadores envolvidos na Lava-Jato (Jader Barbalho, inclusive) são do Conselho de Ética e o doleiro Lúcio Funaro processa, da cadeia, a J&F por não ter recebido sua propina em empréstimo feito pelos Batista junto à Caixa. (segundo Ancelmo Góis, O Globo, 02/8/2017)

    E ainda “funciona” um STF-Supremo Tranquilizador de Finórios.

  8. O povo que não respeita suas leis não tem direito de se chamar povo. É um amontoado de gente vagando sem destino pelo mundo. Temos uma Constituição.e se ela está ou ficou defasada, devemos atualizá-la e não usar as leis de outros países sem uma “constituinte”. Tem muita gente com razão de estar contrariado. Mas se quando estivessemos contrariados fosse só dizer: “Vamos prendê-lo até o fim da vida”. Não é assim. E o povo como fica? O Estado que não dá educação, saude e segurança para seus filhos tem moral para dar-lhes uma prisão perpetua? Não tem. Mas tem muita gente que não pode ver um americano. Vai logo beijar-lhe as mãos. Isso é falta de dignidade. Nossa elite é que não tem sentimento de pátria. Só pensa em violência. Não pensam em educar o povo. Muitos usam o Blog sabendo o que dizem. Outros nada sabem. Não têm a mínima noção do que significa cidadania. Não têm noção do que significa lei. Pensam que lei é pegar um porrete e sair matando criminosos ou não. Quase sempre são falsos moralistas. Só pensam em violência. São uns bestalhões.

    • Crime é crime e tem que ser punido com rigor para desencorajar aqueles que pensam em cometê-lo.
      Aqui no Brasil isso não existe.
      Educação tem a científica que se aprende nas escolas, e as escolas devem ter devem ter somente esta missão, e a caseira. Nesta última deve se ensinar desde criança sobre o perigo de se cometer crime, pois as penalidades serão duras, como ocorre no mundo civilizado.
      Mais: sem essa de idade mínima. cada caso é um caso. se o crime for hediondo cometido por um garoto, ele tem que receber pena longa como nos EUA.

      • Tem que ter prisão perpétua sem direito à condicional, principalmente para os ocupantes do estado que cometerem crimes.
        Prisão no máximo na segunda instância.

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