Política cambial mantém o real supervalorizado em relação ao dólar

Carlos Frederico Alverga

A taxa de câmbio está apontando para um real extremamente valorizado em relação ao dólar, porque o Federal Reserve, o Banco Central americano, para estimular a economia, está praticando uma política monetária de juro quase zero e, com isso, a rentabilidade dos títulos do Tesouro dos EUA caiu demasiadamente.

Por outro lado, a taxa de juros no Brasil é altíssima e, em função disso, houve um enorme deslocamento de capitais dos Estados Unidos para os países ditos emergentes, dentre os quais se destaca o Brasil, que pratica juros mais altos, comparado com a China, a Índia e a Rússia. Sendo assim, uma enxurrada de dólares entra no país para auferir a diferença entre os juros brasileiros e os dos EUA, a chamada arbitragem. Como tem entrado muito dólar no Brasil, e o Banco Central brasileiro está fazendo uma política monetária extremamente restritiva, de taxa de juros muito altas, a conseqüência é que o BC acaba por retirar reais, em quantidade substancial, do meio circulante e, assim, o real se valoriza em decorrência de haver, no mercado, uma quantidade enorme de dólares e uma quantidade bem menor de reais, os quais são trocados por títulos da dívida pública.

O efeito de tudo isso é uma desvalorização do dólar, em virtude da sua abundância no mercado, e a valorização do real, em decorrência da sua relativa escassez no mesmo mercado. Como tudo na vida, essa situação tem suas vantagens e desvantagens.

POSITIVO/NEGATIVO

O aspecto positivo é que essa taxa cambial contribui para manter a inflação baixa, ao baratear as importações, mas, por outro lado, encarece as exportações, o que acaba gerando desemprego e contribuindo para desindustrializar o país, além de criar um sério problema no balanço de pagamentos, devido ao déficit comercial. Para tentar evitar uma deterioração ainda maior do balanço de pagamentos, o governo tomou algumas medidas, tais como o aumento da alíquota da taxação sobre as compras com cartão de crédito feitas por brasileiros no exterior, para tentar inibir este tipo de transação, tentando impedir que o balanço de transações correntes fique mais deficitário ainda.

Apesar de a taxa de juros ainda ser elevadíssima, o desemprego está baixo e a demanda segue aquecida, embora o governo venha tentando conter o aumento do crédito nos últimos meses.

Não defendo as taxas de juros altas praticadas pelo Banco Central, mas devemos refletir em quanto estaria a inflação caso a Selic não estivesse tão elevada quanto está atualmente.

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