Política é como a nuvem e 100 milhões de brasileiros recebem 13º salário

O general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro — Foto: Sara Resende/TV Globo

Mourão imitou Guedes e deixou Bolsonaro mal

Pedro do Coutto

Francamente a semana não foi boa para a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. O candidato a vice na sua chapa, general Hamilton Mourão, ao criticar o 13º salário e também a contribuição no valor de 1/3 nas férias, conduziu o PSL para uma situação difícil de explicar diante de aproximadamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras que compõem a mão de obra ativa do país, além dos aposentados e pensionistas.

A imagem da chapa ficou desgastada, uma vez que se tem a seguinte certeza: não somou em nada para a candidatura Bolsonaro e provavelmente reduziu as intenções de voto que, dependendo do reflexo do estrago, podem fazer diferença tanto no primeiro quanto no segundo turno.

DESDE JANGO – O 13º salário, vale lembrar, decorre de uma lei sancionada em 1962 pelo presidente João Goulart. A origem da matéria vem de um projeto proposto pelo Senador Aarão Steinbruch, da bancada do Rio de Janeiro, antes da fusão com a Guanabara.

Vale a pena acentuar a origem da lei para se ver que ela, que começou restrita aos regidos pela CLT, terminou se estendendo também a todo funcionalismo público do país. Tanto civis quanto militares, além de aposentados e pensionistas. Por isso, sem dúvida, Jair Bolsonaro recebe dois 13º salários: um como parlamentar, outro como capitão reformado do Exército.

MOURÃO RECEBE – Aliás, convém destacar também que o general Hamilton Mourão, seu companheiro de chapa, também se inclui no recebimento do 13º salário, cuja existência foi criticada por ele. 

O 13º salário atravessou inclusive os 21 anos da ditadura político-militar que governou o país de Castelo Branco a João Figueiredo. Esta semana que termina amanhã, sábado, termina não foi boa para Bolsonaro.  Os jornais, todos eles, deram grande destaque ao tema, da mesma forma proliferaram críticas nas redes sociais da Internet.  No Globo de ontem, a reportagem de Jussara Soares e Vinicius Sassine tornou-se a manchete principal da edição, na primeira página. Também foi a manchete principal de O Estado de São Paulo.

NOVA PESQUISA – No momento em que escrevo este artigo nesta sexta-feira, ainda não havia sido divulgada a nova pesquisa do Datafolha. É provável, contudo, que ela não focalize com profundidade o reflexo do tema em discussão, pois a distância entre o noticiário e o fechamento da pesquisa provavelmente não deu tempo para uma avaliação mais precisa do que as críticas subtraíram em matéria de voto para Bolsonaro. Portanto, na minha opinião, para se ter uma visão dos estragos causados teremos que esperar as pesquisas que vão ser divulgadas na reta final da campanha, semana que vem.

No título cito uma frase do governador Magalhães Pinto. Política é como a nuvem. Muda de direção e de forma a qualquer tempo. Mas nesse tempo, entre a explosão e seu efeito, vamos verificar que o quadro eleitoral pode se alterar em consequência das palavras do general Mourão.

Outro dia foi o economista Paulo Guedes que destacou estar sendo cogitada a criação de um novo imposto. Portanto, os maiores adversários de Bolsonaro não se encontram nos partidos que lhes são contrários. Pelo contrário. Situam-se em seu próprio quartel de votos.

4 thoughts on “Política é como a nuvem e 100 milhões de brasileiros recebem 13º salário

  1. Mourão, tira o 13º salário da sua tropa, o salário deles já não é lá essas coisas.

    Bolsonaro: 16 anos no exército, recebe
    aposentadoria com a reforma e tem
    13º também. Quem se aposenta com
    33 anos de idade e 16 anos de
    contribuição?

    30 anos como parlamentar, quais
    foram suas atividades parlamentares
    a não ser ajudar a eleger os filhos.

    Perdendo a eleição deve se
    aposentar como deputado federal.

  2. A bronca do Mourão contra o décimo terceiro é porque 13 identifica o número do “Partido Triunfante”, se é que pesquisa pode ser levada a sério.

  3. Como este cidadão é burro !!! Somente um asno poderia em plena campanha eleitoral , prestar uma declaração contemptível com esta . Este ( toco ) realmente é um ( mourão ) e certamente depois desta transgressão , irá perder a eleição . Uma coisa é certa , ele é sincero . Esta ideia faz parte do projeto guardado para o povo brasileiro , caso fossem eleito.

  4. Depois desse artigo a humanidade jamais sera a mesma, Pedro do Coito deu um tiro de canhão 35 mm para arrancar a perna de uma pulga.
    Mas para acertar Bolsonaro qualquer arma serve, a mídia `isenta` baba e uiva.

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