Política é uma estrada sinuosa, marcada a cada curva por contradições sem fim

Resultado de imagem para ciro gomes no JN

Ciro se deu bem ao defender sua proposta sobre a Serasa

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na tarde de ontem, terça-feira, portanto antes da entrevista de Bolsonaro à Rede Globo. Minha base assim está focada na entrevista de Ciro Gomes, noite de segunda-feira, a William Bonner e Renata Vasconcelos. Esta entrevista, embora pautada em linguagem de alto nível, ressaltou mais contradições do candidato do PDT do que propriamente seu plano e projeto de governo. Foi uma pena. Uma pena para os telespectadores, mas um êxito para o candidato.

Seu lance mais forte na busca de votos terminou obtendo grande destaque na tela. Deu oportunidade a ele de colocar diante de milhões de pessoas seu projeto para retirar 63 milhões de brasileiros e brasileiras do rol de inadimplentes. Sobre este aspecto a meu ver, deve ter obtido mais intenções de votos do que aquele que possuía antes da entrevista.

CONTRADIÇÕES – No caso eleitoral somou para sua imagem, embora dificilmente possa concretizar a intenção dentro da perspectiva de sua vitória em outubro e de seu governo que começaria em janeiro de 2019. Mas falei em contradições da política. São enormes, inclusive parecem não ter fim.

Para citar um exemplo marcante de contradições, podemos lembrar o encontro entre Roosevelt, Churchill e Stalin em abril de 1945, na cidade de Yalta, ao sul da Rússia, a poucas semanas da rendição da Alemanha nazista. Estavam a mesa o presidente dos Estados Unidos, um liberal, o primeiro-ministro inglês, um conservador, e o ditador Stalin, comunista que sucedeu a Lenine no governo da então URSS. Discutiu-se a divisão da Alemanha entre duas partes a ocidental e a oriental, divisão que permaneceu de 1945 a 1989. Depois de Yalta, houve mais dois encontros. Um em Potsdam, outro em Berlim. Os três governos vitoriosos logo após o desabamento do Terceiro Reich, começaram a se desentender. Como explicar uma união entre os lados opostos do capitalismo e do comunismo? Mas foi o que aconteceu.

PRIMAVERA DE PRAGA – Os exemplos não ficam só nesse confronto. Em 1956, a então União Soviética invadiu a Hungria e mudou o governo do país. Em 1968 a invasão russa sufocou a Primavera de Praga, na então Checoslováquia, derrubando o governo que fazia tentativa de conjugar o comunismo com a liberdade. A liberdade era inadmissível para Moscou.

Aliás, há um terceiro exemplo. Em1948, ainda Stalin no poder, o governo comunista ameaçou invadir a Iugoslávia para conter o projeto de independência do Marechal Tito, que não aceitou e por isso teve sua fronteira fechada.

Mas esses exemplos são do passado. As contradições são de todas as épocas. Escreverei para amanhã artigo sobre a entrevista de Bolsonaro.

3 thoughts on “Política é uma estrada sinuosa, marcada a cada curva por contradições sem fim

  1. Quer comprar o voto dos caloteiros? Ciro mostra quem é nem e nem se elegeu. Ele coloca na mesma régua, tanto os que foram prejudicados pelo desemprego, quanto os caloteiros contumazes que já agem de má fé na esperança de negociação ou apenas por compulsão a compra. Os bancos erram por cobrarem juros de agiotas e os governo por permitirem.

  2. “Os três governos vitoriosos logo após o desabamento do Terceiro Reich, começaram a se desentender. Como explicar uma união entre os lados opostos do capitalismo e do comunismo?”

    UNIÃO?
    O termo não lhe parece bastante solto, leve e frouxo, para imaginar duas figuras de escol como Churchill e Roosevelt com um genocida como Stalin?

    O que desmoronou foram as conveniências políticas da hora, expressas e postas para o período da guerra e do pós-guerra. Duraria pouco tempo. Leiam as memórias de De Gaulle, que não foi convidado.

    Nunca houve UNIÃO. Nada. Zero. E por não ter havido união, assim que as conveniências políticas desapareceram, o racha veio à luz.

    O que permaneceu, e de tudo não tem a ver diretamente dessas conferências, foi a UNIÃO Europeia. Essa sim, com todas as diferenças, ainda tem o vigor de uma verdadeira UNIÃO. No nome e na prática.

  3. Pedro do Couto, acho que você já escreveu sobre isso. Mas tenho a oportunidade de falar sobre Churchill: Terminada a guerra chega da África o general Motongomery e é assediado pela imprensa com todo tipo de perguntas. Uma delas: O senhor enfrentou uma guerra durissímas , mas está bem disposto forte e corado: Responde o general: Eu não bebo, não fumo, não jogo e não prevarico. Churchill ficou furioso com a repercursão. Procurou a impresa e lá para as tantas disse: Eu bebo, fumo, jogo e prevarico. No outro dia estava demitido. Veio as eleições e ele perdeu. Churchill o herói inglês que deu um exemplo de bravura ao mundo perdeu a eleição. Tem explicação?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *