Política externa a ser implementada por Bolsonaro ainda não está bem clara

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Correio Braziliense

Com a entrega dos nomes da equipe de transição, que ocorre nesta segunda-feira (5/11), é possível que se clareie um pouco mais o que será o futuro do Itamaraty. O alinhamento de Bolsonaro com o presidente Donald Trump é uma nova ruptura com a política externa brasileira, que passou por um processo de partidarização sob comando do ex-chanceler Celso Amorim, nos governos Lula e Dilma, mas voltou ao velho pragmatismo na gestão do tucano Aloysio Nunes Ferreira.

Agora, após a repercussão negativa de suas declarações sobre a China, Cuba e Oriente Médio, Bolsonaro parece recuar da intenção de chutar o pau da barraca na política externa e anunciou um encontro com o embaixador chinês Li Jinzhang.

ATITUDE PREDATÓRIA – O presidente eleito havia acusado o país asiático de ter uma atitude predatória nos investimentos realizados no Brasil, além de ter visitado Taiwan em fevereiro passado, atitude inédita de um candidato a presidente da República desde que o Brasil reconheceu Pequim como o único governo chinês, em 1979.

A reação mais dura veio num editorial do jornal China Dayle, porta-voz informal do governo chinês: “Temos a sincera esperança de que, após assumir a liderança da oitava maior economia do mundo, Bolsonaro vai olhar de forma objetiva e racional para o estado das relações China-Brasil”, escreveu o jornal, que se refere a Bolsonaro como “Trump tropical”.

 

MAIOR MERCADO – “Bolsonaro estará ciente de que a China é o maior mercado para as exportações brasileiras e a maior fonte de superavit no comércio externo brasileiro”, acrescentou a publicação, lembrando que as duas economias são “verdadeiramente complementares” e “dificilmente concorrentes”.

Em 2017, o comércio entre o Brasil e a China atingiu 87,53 bilhões de dólares, aumento de 29,55%. A China vendeu bens no valor de 29,23 bilhões de dólares e importou mercadorias no montante de 58,30 bilhões de dólares, segundo dados das alfândegas chinesas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente análise de luiz Carlos Azedo. Mostra que Bolsonaro precisa se informar melhor sobre o comércio exterior. A situação econômica do país está muito frágil, não pode ficar sendo sacudida a todo momento. É preciso ter muita ponderação na diplomacia. (C.N.)

11 thoughts on “Política externa a ser implementada por Bolsonaro ainda não está bem clara

  1. Caro Jornalista,

    O editorial do China Daily já está ultrapassado. Assim como o artigo do Correio:

    “Após receber o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, Bolsonaro disse à Band que “todos os países podem comprar no Brasil, mas não comprar o Brasil”.

    “Está na cara que China quer aumentar negócios com o Brasil. Não teremos nenhum problema com a China. Pelo contrário, [o negócio] pode ser até ampliado”, declarou ele. ”

    Artigo completo:
    https://br.sputniknews.com/brasil/2018110512606220-entrevista-bolsonaro-band/

  2. Antes da eleição do Bolsonaro meu divertimento predileto eram as diatribes da Gleisy Nazi mas agora eu me divirto muito mais com a “bateção de cabeças” que a mídia tenta descobrir alguma coisa que incrimine o presidente eleito inclusive dando palpites nas carreiras de Moro dentre outros-realmente hilário- para não dizer patético.

  3. A doença “do minério não dá duas safras” do “petróleo é nosso” ainda contamina muitos neste país com graves consequências para aqueles que precisam de emprego e para a economia do país de modo geral.

  4. “O alinhamento de Bolsonaro com o presidente Donald Trump é uma nova ruptura com a política externa brasileira.”

    Azedo está equivocado. A uma ele não demonstra coisa alguma de que há alinhamento com Trump. A duas, o restante de seu artigo elabora em cima dessa tese que ele nem se quer deu ao trabalho de elaborar. Ruptura é puro exagero. Nem existe política externa definida ainda.

  5. Bolsonaro precisa de pensar um pouco mais e ouvir mais antes de falar. Precisa de entender que é presidente de um povo e não de suas convicções particulares. Pode fortalecer os laços com Israel mas não precisa desprezar os árabes. Pode alinhar-se com a América mas não brigar com a China ou Rússia. Nós temos os nossos problemas e são muitos. Chega. E mais, ser presidente é ser um servidor dos que o elegeram.

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