População cresceu muito, porém as redes pluviais e os esgotos não foram expandidos

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A situação calamitosa em Belo Horizonte agrava-se a cada temporal

Pedro do Coutto

Ultimamente tem se repetido país afora uma onda de enchentes que leva ao desespero os habitantes das várias cidades onde acontecem alagamentos, com perda de vidas e também a destruição de casas que desabam, ruas e estradas que afundam, prejudicando milhares de pessoas com a lama que se alastra como uma verdadeira maldição.

A questão é bastante complexa, porém sabe-se que o problema não é causado apenas pelo acúmulo de lixo e de objetos jogados nos rios e lagoas. Há muitos outros aspectos a influenciar as enchentes.

CRESCIMENTO POPULACIONAL – Um ponto merece destaque. O fato é que, ao passar do tempo, a população tem crescido muito mais do que a modernização das galerias pluviais e dos sistemas de esgoto. Aliás, constata-se mais uma vez que metade das cidades brasileiras ainda não conta com rede de tratamento de esgoto. Em muitos casos, os dejetos inclusive são lançados diretamente em rios e lagoas.

Na cidade do Rio de Janeiro, há o exemplo emblemático da praia de Botafogo, praia que não pode ser usada por banhistas, devido à poluição dos esgotos sem tratamento, lançados diretamente na antiga enseada de Botafogo, cujas águas recebem também a descarga de óleo proveniente de barcos e iates que ficam ancorados no Iate Clube ou em suas imediações.

O EXEMPLO DO RIO – Uma cidade como o Rio de janeiro serve de exemplo para a comparação que se encontra no título deste artigo. A fonte é o IBGE. O Rio, em 1950, possuía apenas 2 milhões e 300 mil habitantes. Hoje a capital está com uma população calculada em 6 milhões e 900 mil pessoas. Como se vê, o número de habitantes multiplicou-se por 3 num espaço de 70 anos.

Agravando a situação nas grandes cidades, verifica-se um crescimento desordenado de unidades residenciais construídas de qualquer maneira. Hoje, as favelas cariocas reúnem hoje mais de 2 milhões de pessoas, 1/3 da população total.

Evidentemente um sistema de escoamento pluvial – nem cito o de esgoto – dificilmente pode suportar uma contribuição de um universo populacional que triplicou. No Brasil inteiro o fenômeno negativo está presente. O que foi feito pelos governos, ao longo do tempo, para enfrentar essa corrida que separa o crescimento do número de habitantes e as galerias pluviais. Estas não se expandiram, pelo contrário.

SEM ESCOAMENTO – Com a acumulação de dejetos e até objetos reduz-se sua capacidade de canalizar as águas de chuva forte para seu lançamento no mar. Isso na cidade do Rio de janeiro. Na capital paulista o destino final são os rios que permeiam a cidade.

Diante de todo este quadro, a realidade de hoje parece que não poderá melhorar amanhã. Em matéria de meio ambiente, os investimentos são muito pequenos para a enorme dimensão do problema.

Nas enchentes que sempre sucedem aos temporais, afundam-se as esperanças de que os governos façam alguma coisa.

OUTRO ASSUNTO – Esta semana, o governo Bolsonaro demitiu o presidente do INSS, que já foi substituído. O novo dirigente do Instituto diz que não será necessário contratar mais funcionários, mas não revelou quais as providências que deverão ser tomadas para reduzir as filas que envergonham o próprio país.

O fato concreto é que o serviço está parado. E não existe nenhuma justificativa para que isso tenha ocorrido, porque já houve tempo suficiente para os servidores se adaptarem às novas regras da Previdência.

 

 

3 thoughts on “População cresceu muito, porém as redes pluviais e os esgotos não foram expandidos

  1. Essa crise que atravessa o INSS seve de campanha aos defensores da previdência privada, assim como, a crise da CEDAE serve de campanaha para privatiza-la.
    A Baía de Guanabara é hoje uma grande fossa. Nenhum governador interessou-se em despoluir a baía, mesmo tendo o Brizola conseguido financiamento do Banco Mundial para despoluição da Baia de Guanabara e a Lagoa dos Patos.
    O inchaço populacional, principalmente do Rio de Janeiro e São Paulo foi fruto da FALTA da Reforma Agrária ampla que Jango queria fazer, que provocou o aumento do êxodo rural.
    Brasileiro de qualquer estado tem todo o direito de, para fugir da seca ou da miséria, procurar uma cidade onde possa sobreviver.
    O Rio de Janeiro não estava preparado para receber tamanha quantidade de gente. A maioria das favelas são povoadas por pessoas de outros estados.

  2. Pouco se investe em saneamento básico neste país, trata-se de uma questão cultural, aí se diz que esgoto não dá voto. E é assim que pensam e agem os chefes de executivo deste país. As empresas de saneamento sabem perfeitamente aonde ocorrem os furtos de água, onde há ligações clandestinas de esgoto, onde mutias empresas descartam o lixo, não agem sempre cumprindo “ordens superiores”. Então de nada adianta esta choradeira que, se repete a cada nova tragédia. Das duas, uma, ou fazemos a coisa certa, corrigimos todos os erros e os gastos do SUS com saúde baixam. Ou deixamos como está, o que é bem mais fácil.

  3. O problema principal é a impermeabilização do solo, outro é que nunca deram atenção para que as margens dos rios não deveriam ser usadas para construções de avenidas. Pois, devem ter sempre um canal livre para o escoamento da água. Canalizaram e fizeram de alguns galerias subterrânes. Quanto ao esgoto não ger voto. A oposição (pt) foi contrária ao projeto de tratamento. Nossa população também tem culpa. Pois, muitos acham mais fácila jogar o lixo em terrenos baldios ou nos rios.

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