Popularidade de Dilma evidencia o progressivo desprezo dos brasileiros pela política

Carlos Newton

Segundo pesquisa CNI/Ibope  recentemente divulgada, a aprovação pessoal da presidente (aqueles que acham o jeito Dilma de governar “ótimo” ou “bom”) subiu cinco pontos percentuais desde dezembro, de 72% para 77%. É o maior índice registrado desde março do ano passado, quando a primeira pesquisa sobre seu governo foi divulgada.

Sua popularidade é recorde após um ano de mandato, superando a todos seus antecessores neste período de gestão, incluindo seu mentor político, Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, nem mesmo o tsunami de corrupção que varreu o governo no ano passado, causando a demissão de sete ministros (Antonio Palocci/Casa Civil; Alfredo Nascimento/Transportes; Wagner Rossi/Agricultura; Pedro Novais/Turismo; Orlando Silva/Esporte, Carlos Lupi/Trabalho e Mario Negromonte/Cidades), foi capaz de diminuir a popularidade da presidente, que na verdade nada fez para demiti-los, preferindo esperar que caíssem de podres.

Agora, a presidente Dilma tem dois ministros “pendurados”, como se diz na gíria do basquete, quando o jogador fica próximo de ser expulso: Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, e Fernando Bezerra, da Integração.

Apesar das gravíssimas acusações contra os dois ministros, Dilma Rouseff finge que não é com ela e segue em frente, sem demonstrar a menor intenção de afastá-los. E sua popularidade aumenta, ao invés de diminuir.

Alguém poderá justificar o resultado da pesquisa citando James Carville, ex-assessor de Bill Clinton. que garantiu seu lugar no panteão das citações universais ao cunhar a frase “É a economia, estúpido!”, escrita num quadro de avisos da bem-sucedida campanha do presidente dos EUA à reeleição.

No caso do Brasil, esse lance da “economia, estúpido” parece não ser o motivo principal da popularidade de Dilma, que inclusive tem mais prestígio do que o governo, vejam só que dado interessante. A situação evidencia também o progressivo desprezo dos brasileiros pela política e pelos poderes constituídos, porque outras pesquisas de opinião indicam que as pessoas não confiam mais nos três poderes, muito pelo contrário.

Hoje em dia, cá entre nós, as pessoas nem mesmo conseguem se indignar com a corrupção. Acham que todos os políticos são iguais. Esta é a nossa verdade. Já comentamos aqui que o Brasil se tornou um país politicamente insípido, incolor e inodoro, com uma juventude que só pensa em imitar os mais velhos e se dar bem, a qualquer custo.

O quadro é este, com as honrosas exceções de sempre, que apenas confirmam a regra. No Congresso, por exemplo, destaque para os deputados Reguffe e Carlos Sampaio, entre outros. No Senado, citemos Cristovam Buarque, Pedro Simon, Eduardo Suplicy, entre outros.

Poderemos perguntar insistentemente: “Que país é esse, Francelino Pereira?” Mas ele não responderá, porque ninguém sabe. É um país ao mesmo tempo disforme e extraordinário, pois consegue se desenvolver, apesar dos governantes. Como dizia o antigo ditado, o Brasil cresce à noite, enquanto os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. É um paradoxo ambulante.

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