Por falta de perspectiva, os jovens autores do amanhã querem deixar o país

Charge do Genildo (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo de segunda-feira, focaliza um problema de enorme dimensão que está atingindo metade da juventude brasileira. Jovens querem deixar o país achando que entre nós há uma falta de perspectiva para o acesso a um panorama favorável ao desenvolvimento e, por isso, para a construção do futuro em condições de proporcionar um avanço social indispensável.

Os jovens, digo eu, são os autores do amanhã, os construtores do futuro e por esse motivo são fundamentais para as próximas décadas. Uma pesquisa que deu base à matéria foi feita pelo Atlas das Juventudes e também através  de estudos da Fundação Getúlio Vargas Social. Nada menos que 50 mil jovens encontram-se mergulhados no pessimismo e, assim, sentem-se numa fila que não caminha para frente.

MERCADO DE TRABALHO –  O número de desencantados vem crescendo e a esperança é que ele decaia em 2050, portanto daqui a 29 anos. Isso se a política global sofrer uma alteração bastante profunda. Não há motivo para otimismo. O mercado de trabalho encontra-se retraído e não se consegue perceber um caminho para que o avanço capaz de entusiasmar gerações possa retornar ao cenário nacional.

Essa realidade é focalizada também em reportagem de Carolina Nalin e Alex Braga, O Globo, decorrente de uma análise do pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, incluindo dados comparativos fornecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE.

A matéria e o seu conteúdo confirmam e acrescentam um aspecto que tem raiz na existência de uma sensação de mal-estar que acomete todos aqueles que alimentam a esperança de chegar a um novo horizonte capaz de compatibilizar a liberdade política com o progresso econômico, como ocorreu nos anos dourados  de JK, do início de 1956 a janeiro de 1961, quando o presidente eleito em 1955 transmitiu o cargo a Jânio Quadros.

TEMPO PERDIDO –  A partir daí, os fatos se complicaram no Brasil e agora estão se aprofundando ainda mais em consequência do governo Jair Bolsonaro. O ambiente não é favorável a qualquer sonho e também à confiança nas décadas futuras, pois o estrago feito hoje no país, a partir da pandemia principalmente, exigirá muito tempo para ser modificado para melhor. O país tem que partir em busca do tempo perdido para que possa retornar à alegria de viver, trabalhando para chegar a um patamar compatível com a esperança.

É difícil, mas temos que continuar enfrentando as dificuldades presentes que atrasam a chegada de um novo panorama que devolva a perspectiva aos brasileiros e brasileiras. É preciso não esquecer que a juventude será eternamente uma usina de pensamentos e disposição capaz de mudar a realidade sombria dos dias de hoje.

CONTAS PÚBLICAS – Em um artigo assinado na Folha de São Paulo, Henrique Meirelles e Nelson Barbosa apontam como uma etapa inicial da maratona  o saneamento das contas públicas. Mas como atingir esse patamar?

As contas públicas dependem do poder de consumo da população, uma vez que todo sistema tributário, direta ou indiretamente, repousa sobre o nível de consumo. Este é o grande impasse brasileiro de hoje que está freando o impulso para frente, pois esse parte de motivos concretos e não de teorias que tanto o papel quanto as telas dos computadores aceitam acionados por cérebros que não levam em conta o poder da emoção.

9 thoughts on “Por falta de perspectiva, os jovens autores do amanhã querem deixar o país

  1. As reportagens da Folha de São Paulo e do O Globo focalizaram muito bem, o drama da juventude brasileira, que procura emprego e não encontra, bem analisada por Pedro do Couto.
    O pessimismo e a tristeza está tomando conta dos nossos jovens e isso se reflete nos pais também, os quais precisam manter essa garotada.
    De Juscelino até o final do regime militar, os empregos eram fartos. Os economistas reclamavam do turn over, que significava uma alta rotatividade da mão de obra, que pedia demissão para pegar no FGTS e logo era empregado em outra firma. Hoje não acontece essa ação, porque o trabalhador sabe, que se o fizer não conseguirá outro emprego tão cedo.
    Há um fator mais desesperador ainda, que são os reflexos da privatização em massa, orquestrada pelo economista/ ministro Paulo Guedes, obviamente com apoio de Bolsonaro. Trata-se do mergulho na ociosidade, de milhares de empregados qualificados, na rua da amargura ou competindo com os atuais trabalhadores por um lugar ao sol. As novas empresas, que estão assumindo as estatais, não assumem os empregados da ex-estatal e contratam outros empregados com salários menores e sem os benefícios ( Plano Médico) por exemplo.
    Os desempregados das empresas públicas, então, tiram seus filhos das escolas privadas, saem do Plano Médico e deixam de consumir, o que faziam antes.
    Os reflexos imediatos no Ensino Público, no SUS e no consumo passam a ser uma consequência imediata.
    Logo, não há como sonhar com um país melhor, mais justo e equilibrado com essa política de arrasa quarteirão implementado pela dupla Bolsonaro/ Guedes.
    As contas públicas não fecharão, enquanto a população não tiver condições de consumir, de ir às compras no supermercado e nas lojas de roupas, de calçados, de Bolsas e olhe que nem digo das feiras, cujas frutas e legumes estão os olhos da cara. O ICMS, o importantíssimo imposto estadual está descendo a ladeira para desespero dos governadores, cada vez mais, pedindo o pires/ recursos ao governo federal e por isso, execrados pelo presidente, que não quer repassar nada, a mando do Guedes.
    Sinceramente, não vejo luz no fim do túnel, que está um breu e sem uma única saída.

  2. Nobre colunista Pedro do Couto, os jovens não terão boa vida no exterior, pois tanto na Europa quanto nos EUA, em crise também, estão fechando o cerco contra os imigrantes, na tentativa de conservar o emprego de seus compatriotas. Somente cientistas e pesquisadores são aproveitados.
    O mundo não vive um bom momento. Por falar nisso, as crises sistêmicas são fenômenos naturais das relações de causa e efeito, oriundas da transformação constante vividas pelo Planeta.
    Acrescente nesse caudo efervescente, as crises fabricadas pelo sistema capitalista, que precisa dessas idas e vindas para a manutenção no Poder, das castas privilegiadas, as quais precisam de mão de obra farta e barata visando a maximização dos lucros.
    Afinal, sem lucro não subsiste nenhuma empresa privada. Por essa simplória razão, todas as empresas do Estado serão repassadas para empreendedores privados, que irão sugar até o osso desse patrimônio construído e depois devolverão a sucata para o Estado reformar novamente.
    Foi sempre assim, porque agora seria diferente?
    Lembro da LIGHT canadense, quando nas vésperas de entregar a concessão de volta para o Estado, o presidente Ernesto Geisel comprou a LIGHT por 900 milhões e depois privatizou de novo, para uma empresa Estatal francesa associada a ENRON empresa de Eletricidade dos EUA. As duas saíram do negócio e entregaram a outros empresários, quando perceberam, que teriam que fazer pesados investimentos para manter o sistema de distribuição de energia em condições técnicas, sem apagão, como no tempo da marchinha: ” …de dia falta água de noite falta luz”.
    Que triste realidade!

  3. Caro Pedro Couto, bom dia!

    Penso que contribui com essa indisponibilidade de vagas a ocupação de funções (no caso do serviço público) por servidores cedidos de outros órgãos.

    Isso porque no órgão de origem a vaga continua preenchida.
    Já no órgão de destino, se existente vagas, não se abre concurso ou se nomeia diretamente, no caso de comissionados, ou contrata mão de obra terceirizada, em outros casos.

    Somada a issso temos ainda exemplos de acumulação indevida de cargos nas áreas da Educação, de profissionais com mais de duas matrículas, e da Saúde, com cargas horárias incompatíveis sendo, com jeitinho, os profissionais da área pagando colegas para cobrir – em alguns casos ainda sem formação e que deveriam estar supervisionados.

    Educação e Saúde são áreas com potencial de empregar muito no setor público, como também na área da Segurança Pública, onde ocorrem muitas cessões de funcionários que são desviados para Tribunais de Justiça e de Contas, Ministérios Públicos, Procuradorias e Casas Legislativas.
    E tem ainda muitos ocupantes administrativas nos Municípios, Estados, cedidos a esses mesmos órgãos.

    Todos esses ganhando contracheque dobrado.

    Se feito um levantamento amplo de quantos ocupantes de cargos públicos no país todo se encontram cedidos para outros órgãos, muitos desviados de suas funções, com contracheque dobrado, e além de tantos outros nas áreas acima citadas da Educação, com número de matrículas acima do permitido, e da Saúde, com carga horária incompatível, certamente encontrariam muitas vagas – ão duvido que quase ou mais de 1 milhão.

    Portanto, quando o Estado Administração Pública deixa perdurar essa situação de preenchimento indevido de ocupações pagando por elas, às vezes dobrado, sem a contraprestação dobrada, ou ainda naqueles casos de profissionais que dão jeitinho para terem matrículas além do permitido, ele (Estado) está fazendo um desserviço à sociedade porque como empregador poderia gerar milhões de empregos.

    • Em resumo: tiram-se vagas que poderiam estar disponíveis e poderiam ajudar no aquecimento interno ao invés de propiciar enriquecimento de acumuladores de cargos e funções em benefício próprio.
      Alguns lesando os cofres públicos porque não fazem jornada em dobro;
      E outros que se inserem na perspectiva de concentração de renda.

  4. “Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dúvidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas”. Margaret Thatcher.
    Parafraseando a Dama de Ferro: Se o problema é nosso, somente a nós cabe resolvê-lo. Desertar da trincheira, e se autoexportar para outras pátrias, levando na bagagem seu desencorajamento e sua frustração, não é a melhor saída.
    Antes de bater em retirada, pergunte a si mesmo, o que você e seus pais têm feito de edificante pelo Brasil. Ou você quer, de verdade. é encontrar uma mesa posta?

  5. Mídia partidária, trapaceira, labora na mentira usando roupas da verdade. JOGAR XADREZ POLÍTICO com operadores do sistema político apodrecido, na moral e no jogo limpo, não tem jeito, eles não têm a disciplina necessária para o jogo limpo, é algo parecido a jogar com pombo, trapaceiam, sobem e sapateiam no tabuleiro, sujam tudo, derrubam as pedras, batem no peito e dizem que venceram a partida. FHC já disse quase mil vezes que é contra o continuísmo da mesmice, que quer para o Brasil como presidente alguém que mostre um novo caminho, e que, tendo em vista 2022, é uma possível terceira via e que nessas condições que o FHC tem indicado só pode ser a Terceira Via de Verdade, antissistema apodrecido, encarnada pelo Leão, a Nova Política de Verdade, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, capaz de motivar e empolgar o Brasil inteiro, o novo caminho para o possível novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso que, há cerca de 20 anos, infelizmente, encontra-se cercado pelas ditaduras partidária e midiática que funcionam à moda leoas de chácara, tipo milícias protetoras do continuísmo da mesmice do sistema apodrecido, que fazem de tudo e qualquer coisa que para puxar as brasas, todas as brasas, para as suas sardinhas, não obstante podres, como se deduz da opinião do próprio FHC na matéria abaixo: “Então eu acho que é preciso que nós nos unamos para encontrar alguém que seja capaz de ter uma outra visão do que é o desenvolvimento do Brasil, que tenha sensibilidade com os mais necessitados, inclusive com o coronavírus. Então eu acho isso. Se o Lula for capaz e não havendo outro, o que eu posso fazer? Não pode ser neutra a terceira via, tem que ser uma coisa com força ” https://www.brasil247.com/poder/fhc-diz-preferir-nome-do-psdb-contra-bolsonaro-mas-reconhece-forca-de-lula-ele-sabe-se-colocar?fbclid=IwAR14SMuM8JkfIT64yRI1rVjD5Loxs_8qIbdJL0fSwFs6ZBp9c7j0NbIvdYc.

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