Por gostar de dar entrevista, Bolsonaro transforma o governo num Big Brother político

Domingo de lazer. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro andou de moto e passeou de jet-ski acompanhado do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos Foto: José Cruz / Agência Brasil

Primeiro, andou de moto e jet-ski e depois bebeu caldo de cana

Jussara Soares e Daniel Gullino
O Globo

Sete meses após chegar ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro assumiu o controle total da comunicação do governo e tomou para si o papel de decidir os rumos da narrativa da sua gestão. Em conversas reservadas, alguns dos seus principais auxiliares admitem que, além da espontaneidade que agrada o eleitor fiel, Bolsonaro utiliza uma boa dose de cálculo político que o mantém como protagonista, pautando o noticiário e sendo matéria-prima de piadas na internet.

Para o bem ou para o mal, ele segue o assunto principal e, ao mesmo tempo, evita que coadjuvantes, como o vice-presidente, Hamilton Mourão, e ministros que comandam algumas das principais pastas roubem-lhe a cena.

TODOS OS DIAS – O mais recente exemplo foi a decisão do presidente de fazer declarações diárias pela manhã a repórteres na saída do Palácio da Alvorada. Em conversas que chegam a 30 minutos, Bolsonaro começa o dia respondendo a perguntas da imprensa, mas aproveitando o espaço para transmitir seus recados pelas emissoras de TV e pelos sites de jornais. Tudo também é gravado por seus assessores e, ao longo do dia, vira conteúdo para suas redes sociais.

A assessores, o presidente admite que suas declarações, mesmo as mais polêmicas, repercutem menos negativamente do que quando fica em silêncio, o que era mais comum no início do governo. Agora, mesmo tendo a imprensa como um dos seus alvos principais, faz questão de dar entrevista.

— Vocês nunca tiveram um presidente que conversou tanto com vocês — disse a repórteres, no último sábado.

“URUBUS” – Frequentemente, ao encerrar as coletivas, ele diz que “está cada vez mais apaixonado” pelos repórteres, a quem também chama de “urubus”.

Quando dá vazão a ímpetos aventureiros e escapa da agenda oficial, arrastando a imprensa na sua cola, Bolsonaro sabe que reforça a imagem de ser “autêntico” e “verdadeiro”, fundamentais para a narrativa de que se trata de um político diferente de seus adversários, avalia um auxiliar.

No domingo, o presidente deixou o Palácio da Alvorada e foi até o Clube da Aeronáutica, onde pegou uma moto. De lá, foi até o Lago Sul e andou de jet-ski. Ainda de moto, foi até a Torre de TV, onde funciona uma feira de artesanato, e tomou caldo de cana. “Minha vida (sempre) foi essa. Tenho saudades. Foi muito gratificante, excelente. Estou com as baterias recarregadas” — disse, após o passeio.

GRANDE COMUNICADOR – Um integrante do primeiro escalão do governo observa que Bolsonaro, depois de “declarações infelizes” e de ter a comunicação como fonte constante de crises no início da gestão, encontrou um método de “ser o Jair que sempre foi, com espontaneidade e simpatia” dos tempos de deputado do baixo clero.

Na época em que era parlamentar, Bolsonaro já gostava de aparecer, e cabia ao ex-assessor Waldir Ferraz a tarefa de disparar notas, mesmo negativas, com o intuito de manter o chefe em evidência. Segundo um atual auxiliar, Bolsonaro “é o grande comunicador do governo” e gosta desse papel.

O presidente, aliás, teria convencido o filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio e apontado pelo pai como responsável por sua eleição, a diminuir postagens no Twitter que levem polêmicas para seu governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caraca! Quer dizer que teremos de aturar as declarações malucas de Bolsonaro todos os dias, tipo Big Brother Brasil, de manhã, de tarde e de noite, até o final do mandato, em 1º de janeiro de 2023? E se ele for reeleito? Mais quatro anos dessa doideira? É melhor a gente mudar para um país mais sério, como Paraguai ou Bolívia. (C.N.)

19 thoughts on “Por gostar de dar entrevista, Bolsonaro transforma o governo num Big Brother político

  1. Ainda bem que é do Bolsonaro, pior foi aturar lula , o presidiário, e dilma , a próxima presidiária, durante 14 anos.
    Pode falar Bolsonaro!
    Agora, eles tem que engolir.
    Quem teve dois bandidos como presidente não pode reclamar de nada. Precisa aplaudir e ficar bem calado.

    • Não tem solução essa confusão de ladrão roubar ladrão e juiz roubar do pobre o dinheiro escasso para o pão.
      Houve esperanças nas úlimas eleições mas uma punhalada de um louco elegeu o capitão – tanto sacrificio para no fim ser tudo em vão.
      Ele, agora presidente, nos deu uma banana, e porta-se como todo sacana que ocupou o posto mais alto da nação.
      Trocamos 6 por meia duzia e ficamos reféns da mesma súcia que sempre nos rouba até o último tostão.
      E aí, seu Bolsonaro, vai tirar os sapatos altos? Ou está mesmo convencido que é o bonzão?

  2. Bolsonaro já conseguiu uma vitória na reforma da previdência e agora tudo indica que vai conseguir outra, que será libertar os investidores das amarras deste estado socialista, que colocou o Brasil, pasmem, na 150ª posição em liberdade econômica.

    Só pessoas com alguma falha mental ainda não perceberam o quanto a esquerda fez de mal a este país durante quase um século: 30 milhões na rua da amargura do desemprego.

  3. Carlos Marchi (via Facebook)

    “É racista, violento, misógino”, disse Alberto Fernández, vencedor das primárias argentinas, sobre Bolso.

    Ele açula Bolso, um ingênuo que foi se meter na eleição argentina, para falar mais.

    Quanto mais falar, mais Fernández cresce. País nenhum gosta de ver estrangeiro dando palpite sobre seu futuro.

    Mas Bolso não entende nada de política, assim como não entende de economia, do social, de cultura.

    Agora, é enorme a possibilidade de Fernández ganhar a eleição presidencial.

    Se ele ganhar mesmo, entope o diálogo entre Brasil e Argentina.

    O Mercosul desce pelo ralo. E o acordo Mercosul-União Européia morre antes de nascer.

    Tudo graças ao despreparo de Bolso, o azíago imprudente.

  4. Parabéns Bolsonaro, enquanto vc estiver desagradando a esquerdinha, mostra que está no caminho certo.

    A esquerda, como eu já disse lá atrás, destruiu este país durante décadas. Quase já um século.
    O resultado das suas ideias e de suas ações nefastas, quando no governo, é acachapante: 30 milhões de de desempregados.

    • Só para não deixar passar em branco: a ditadura militar nunca foi a favor do capitalismo, nunca foi de direita, por isso teve também um papel nefasto ao estruturar a nossa economia a isolando do resto do mundo, que ficava rico com a globalização.
      Ela acabou por praticar todo ideário da esquerda, e isto ficou claro com Geisel, que criou 430 estatais entre outras coisas que determinou a nossa descida para o fundo poço e que chegou a ele com os recentes governos anteriores.

  5. Sou obrigado a retomar meu mantra,
    Pra quem teve duas mula, uma besta e meia meio vampiro, e um bando de jumento corrupto no desgoverno do pais, um cavalo é lucro.
    Fiquem tranquilo, tudo é passageiro menos o motorista e o trocador se tiver.

  6. “Caraca! Quer dizer que teremos de aturar as declarações malucas de Bolsonaro todos os dias, tipo Big Brother Brasil, de manhã, de tarde e de noite, até o final do mandato, em 1º de janeiro de 2023?”

    -Com todo respeito, caro Jornalista, nós que temos aguentado bandidos nos roubando desde 1988, aguentar um falador agora vai ser moleza!

    • Fazer cocô dia sim, dia não, até que é moleza, o duro vai ser aguentar o Bolsonaro e os seus sacripantas aqui nos blogs e redes sociais jorrando bosta pela cabeça, pela boca e pelos punhos 24 horas no ar. Ademais, pelo menos para os traficantes por parte do Brasil até que está tendo muita liberdade econômica, até porque estão transportando droga até em avião da FAB, a servido do presidemente, livre, leve e o solto, com o mula fardado preso, servidor do presidente, preso ao desembarcar na Espanha, com a mala cheia de cocaína, o famigerado ouro branco, porque lá o combate às drogas deve ser coisa séria.

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