Por que Bolsonaro nega ter feito acordo com o Legislativo na negociação das emendas?

Propostas mantêm nas mãos do Congresso cerca de R$ 15 bilhões

Daniel Gullino
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro negou nesta terça-feira, dia 3,  que tenha feito um acordo com o Legislativo na negociação envolvendo o Orçamento impositivo, horas após ter enviado três projetos ao Congresso como parte de um entendimento com parlamentares para manter vetos presidenciais. Em publicação em suas redes sociais, Bolsonaro ainda disse que a manutenção dos vetos irá “garantir a autonomia orçamentária” do governo federal.

De acordo com parlamentares, os projetos encaminhados nesta terça-feira farão com que o Congresso tenha direito a indicar a prioridade de execução de cerca de R$ 15 bilhões em ações que estão descritas como emendas de relator, com montante da mesma ordem retornando ao controle do Executivo.

“SEM NEGOCIAÇÃO” – Sem os projetos, R$ 30 bilhões ficariam como como emendas de relator. Mesmo assim, Bolsonaro disse que não houve negociação sobre esse valor.

“Não houve qualquer negociação em cima dos R$ 30 bilhões. A proposta orçamentária original do Governo foi totalmente mantida. Com a manutenção dos vetos está garantida a autonomia orçamentária do Poder Executivo. O projeto de lei encaminhado hoje preserva a programação original formulada pelo Governo”, diz o texto.

Ao chegar no Palácio da Alvorada, no início da noite, Bolsonaro não quis comentar a publicação: “Está nas minhas mídias sociais. Está nas minhas mídias sociais”, disse, insistindo: “Interpretem. Interprete, você tem curso superior para isso”.

“ENTENDIMENTO” – Após passar a tarde em reuniões e negociações à espera dos projetos de lei, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que há “entendimento” para manter o veto presidencial e votar os projetos que distribuem a execução das verbas.

Alcolumbre (DEM-AP), anunciou, na noite desta quarta-feira, a suspensão da sessão que deliberaria sobre o assunto. Agora, a cúpula do Congresso e líderes partidários vão tentar costurar um acordo nesta quarta-feira para decidir sobre o veto e os projetos encaminhados pelo governo sobre o tema nos próximos dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Não dá para entender esse exibicionismo de Bolsonaro, dizendo que não houve acordo. Já explicamos aqui na TI que prevaleceu o acordo que já antes havia sido fechado três vezes, até que o governo disse que não cumpriria, causando essa confusão toda. Agora, decidiu cumprir. E assim, dos R$ 30 bilhões em emendas, R$ 15 bilhões para o governo escolher os destinos, e R$ 15 bilhões para o Congresso. Nada de novo na frente ocidental, diria o escritor Erich Maria Remarque. (C.N.)

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