Por que Catta Preta renunciou à defesa de três delatores?

A advogada Beatriz Catta Preta define a delação premiada como um meio de defesa

A advogada Beatriz Catta Preta, em seu escritório

Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

A criminalista Beatriz Catta Preta renunciou à defesa do lobista Julio Camargo, delator do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ela também renunciou à defesa de outros dois delatores da Operação Lava Jato: Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, e o lobista Augusto Ribeiro de Mendonça. A renúncia foi comunicada pela advogada à Justiça Federal no Paraná por meio de petições protocoladas nos processos em que os três delatores são réus.

Na semana passada, Julio Camargo, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, revelou ter sofrido pressão do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para pagar propina de US$ 5 milhões. O valor seria referente a dois contratos de R$ 4 bilhões da estatal para a contratação de navios-sonda.

No último dia 20, segunda-feira, Beatriz Catta Preta enviou e-mail para os delatores, informando sobre sua decisão. “Prezado Sr. Pedro Jose Barusco Filho, Boa tarde. Vimos pela presente notificá-lo da renúncia a todos os poderes a nos outorgados por Vossa Senhoria. Comunicamos que Vossa Senhoria devera constituir novo procurador no prazo de 10 dias a contar desta data. No mais, até o termo final do prazo acima, seremos responsáveis por Vossa defesa em ações e procedimentos em andamento, exceto perante CPI, CADE, CGU, Receita Federal, dentre outros. Atenciosamente, Beatriz Catta Preta”, escreveu para o ex-gerente de Engenharia da Petrobrás.

FASE MAIS EXPLOSIVA

Beatriz Catta Preta foi o artífice da fase mais explosiva da Lava Jato. Sob sua orientação, o primeiro delator, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, revelou o amplo esquema de corrupção que tomou conta de diretorias da estatal. Ele apontou ainda nomes de deputados, senadores e governadores que teriam recebido porcentual de propinas pagas por empreiteiras.

Depois da delação de Costa, a criminalista renunciou à causa, assumida pelo advogado João Mestieri. Na ocasião, Beatriz Catta Preta alegou que sua missão já havia sido cumprida e que ela não acompanharia as ações penais. Nos últimos anos, a advogada notabilizou-se na defesa de colaboradores da Justiça. Sua atuação provocou críticas de renomados criminalistas que se opõem à delação. No entanto, no decorrer da Lava Jato, alguns destes advogados recorreram à colaboração para livrar clientes da prisão.

No início de julho, Catta Preta foi convocada a depor na CPI da Petrobrás. Os parlamentares queriam indagar da advogada detalhes sobre a origem de seus honorários. O pedido de convocação da advogada foi feito pelo deputado Celso Pansera (PMDB-RJ).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta notícia está meio esquisita. Por que renunciou a todos os delatores, antes de serem tomados todos os depoimentos? O fato é a delação de delação premiada deles ainda não acabou e a advogado está saindo dos casos. Será que algum deles faltou com a verdade e ela não quer se envolver nisso? Muito estranho, vamos voltar ao assunto. (C.N.)

13 thoughts on “Por que Catta Preta renunciou à defesa de três delatores?

  1. A advogada Beatriz Catta Preta está de mudança para Miami, nos Estados Unidos, com pelo menos R$ 22,5 milhões no bolso. Com honorários entre R$ 2,5 milhões e R$ 5 milhões por causa, ela pode chegar a R$ 45 milhões na Lava Jato, uma vez que fez nove das 17 delações.

    Ela comunicou ao juiz Sérgio Moro que largou as defesas do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e do ex-executivo da Toyo Setal Augusto de Mendonça.

    A magistrada deixou a operação após o lobista Julio Camargo mudar sua versão e dizer ter pago US$ 5 milhões em propina ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Desde então, ela começou a ser questionada, em requerimento do integrante da CPI da Petrobras, o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), sobre a origem do dinheiro que recebeu como pagamento dos réus da Lava Jato. Em outro pedido, dirigido a uma juíza do Paraná, exigiu a lista de todos os clientes da criminalista.

    O dinheiro sinaliza que delatores não devolveram tudo que obtiveram no esquema.

    Segundo o presidente da CPI, Hugo Motta, ela ainda será convocada para depor: “A renúncia mostra que a CPI da Petrobras não errou em fazer a convocação. Qual o motivo para ela deixar os clientes? Ela continua convocada”.

    Fonte: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2015/07/23/lava-jato-advogada-que-atuou-em-acordos-de-delacao-deixa-clientes/

    • “A magistrada deixou a operação após o lobista Julio Camargo mudar sua versão e …”. como assim, “a magistrada” ? É filha de ministro do STF, por acaso ?

    • “A magistrada deixou a operação após o lobista Julio Camargo mudar sua versão e …”.. Como assim, “a magistrada” ? É filha de ministro do STF, por acaso ?

  2. Muito interessante os questionamentos sobre a origem dos recursos dos honorários da advogada. Sou leigo no assunto, então sempre pensei nessa questão mas acreditava que o sigilo dessa origem se relaciona com privilégios dos advogados e sigilo fiscal. Se existe a possibilidade desse tipo de questionamento eu me pergunto: por que nunca foi levantada essa questão quanto ao falecido Marcos Tomaz Bastos e ao advogado Luis Eduardo Greenhalgh, por ocasião de suas atuações em defesa dos pobres mensaleiros e de acusações contra os torturadores da ditamole, respectivamente?

  3. Não há e, NUNCA houve qualquer outro interesse dessa zelite de advogados de “grande saber jurídico” que não seja os polpudos honorários ($$$$U$U$), arrancados dos corruptos ou, inocentes. Portanto, que se dane a pátria! Para garantir, eles contam com reserva de mercado e total apoio da OAB, uma das mais antigas capitânias hereditárias do Brasil.

  4. O advogado, nem ninguém, tem que pedir atestado de bons antecedentes do dinheiro recebido. O responsável pela origem é quem efetua o pagamento, se de outra forma fosse, nenhum negócio seria feito.
    A convocação feita pela “cpi”, além de jogar para a platéia, demonstra o nível de esgoto do congresso nacional e de seus menbros.
    DEUS nos acuda!

  5. Concordo com o Luiz Antônio. Por essa argumentação que sempre achei que o crime de receptação (artigo. 180, CP) deveria ser abolido do Código Penal. Afinal não estamos falando da mesma coisa?

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