Por que não experimentar o voto facultativo?

Nélio Jacob

A maioria do eleitor brasileiro não tem um mínimo de interesse por política, são alienados. Alguns vão a caminho para votação sem saber em quem votar, ficando a mercê dos cabos eleitorais que fazem boca de urna, acabam votando no candidato que faz a propaganda mais rica e que tem mais cabos eleitorais, e quando se tem que votar em cinco candidatos, aí é que a coisa piora.

Quem vai votar contra a vontade, geralmente não tem ideia da importância do seu voto, votará certamente no candidato que é mais conhecido, como: artistas, jogadores
de futebol, apresentador de programas de televisão sensacionalista etc.

A maior parte do que chamam de elite vota no candidato do pobre e a maior parte do pobre vota no candidato do rico. Tanto Brizola como Darcy Ribeiro sempre tiveram excelente votação na zona Sul do Rio de Janeiro. Os lugares mais pobres do Brasil costumam eleger os piores candidatos.

Acredito que o voto facultativo possa melhorar a representação.

 

22 thoughts on “Por que não experimentar o voto facultativo?

  1. Experimentar? Você não acha que voto seja assunto sério demais para ser apenas testado? E se não der certo uma vez, experimenta-se a monarquia na seguinte?

  2. Jacob esta correto, Froes, com relação ao voto facultativo.
    Democracia pressupõe-se liberdade de escolha, de ir e vir, de se ter poder de decisão.
    Obrigar a votar é a contradição desta falsa democracia brasileira, que não bastaria apenas o voto livre como a necessária reforma política para acompanhá-lo, assunto que aborda com propriedade o professor Alverga em outra página.
    Admito, todavia, que boa parte do eleitorado não tem a devida dimensão desta responsabilidade, que seria a do voto consciente, votar porque se quer votar e escolher o candidato livre de qualquer pressão.
    Haveria a possibilidade, inclusive, do voto vendido, ou seja, só saio de casa se me pagarem.
    Percalços à parte, democracia é exatamente conceder ao cidadão que ele faça o que deve, e não que quer, evidentemente, e se aprimora e amadurece um povo desta forma, aos trancos e barrancos, mas avançando, pulando etapas, e não somente preso a limites permitidos pelo sistema.

    • Bendl, eu não contesto o voto facultativo, até porque entre ele e o obrigatório, meu coração continua a balançar. Eu só contestei o “experimentar” porque reforma política não deve ser uma brincadeira que possa, a cada dois ou quatro anos, ser modificada.

      Quantos países democraticamente resolvidos você conhece que mudaram as regras do jogo eleitoral nos últimos cem anos?

      Que se defina de vez o que se quer, de acordo com a maioria no Congresso e que se batalhe para que, dentro dos parâmetros escolhidos, a decisão seja aplicada da melhor forma possível.

      Do contrário, como explicar cada nova “experiência” a um povo inculto? Vão fundir os miolos, já não muito católicos… Brincadeira tem hora.

      • Froes, meu amigo,
        Uma simples questão de semântica.
        Certamente quando Jacob escreveu experimentar ele quis dizer mudar, até porque a sociedade não pode voltar atrás em suas decisões, ela precisa avançar, repito, e o voto facultativo é condição sine qua non à chancela de uma eleição absolutamente democrática, conforme a vontade do eleitor, que vota se quiser e não vota se assim decidir!
        E se me alegarem falsamente que depois não pode reclamar, pode, sim, e deve, pois o que move um país é a coleta de impostos, e não o voto, especificamente para eleger a nova política a ser adotada e não para quem será o nosso dono por um período!
        Aliás, neste particular, o Cazé tem as suas razões quando se declara absolutamente contrário ao voto nessas circunstâncias atuais, que passo a lhe seguir o caminho.
        Um abraço, meu caro Froes.
        Tu estavas fazendo falta ao blog.

        • Caro Bendl

          Desculpe-me, não é questão de semântica, mas sim do uso de um verbo no título que compromete todo o texto, induzindo o leitor a interpretá-lo de modo errado, caso Jacob não tenha tido o intuito de propor o voto facultativo como “experiência”.

          Como o autor efetivamente não fala em “experimentar” nada no texto, das duas, uma: ou Jacob se complicou ou o artigo foi titulado equivocadamente por outrem. Sendo a segunda hipótese a verdadeira, quero, desde aqui, pedir minhas sinceras desculpas a ele, não sem adverti-lo que títulos são muito perigosos e induzem a interpretações estapafúrdias. Como lembrança, cito uma manchete antológica do jornal O Dia onde se lia “Cachorro fez mal a moça”, e mais nada além da indicação da página da matéria e, quando se chegava lá, lia-se que uma moça havia comido um cachorro-quente estragado…

          • Froes,
            Certo, certo …
            O interessante é registrarmos nossas opiniões a respeito da situação brasileira.
            E devemos compreender quando não usamos o termo adequado, haja vista que o mais interessante é o conteúdo do comentário ou artigo.
            Acho que devemos facilitar entre nós o que escrevemos, de modo a captar a maior quantidade possível de pensamentos a favor e contra, e extrairmos deles o sumo correto e palatável para um suco apreciável.
            Observa que muitos dos nossos colegas precisam de incentivo, de ânimo, para que continuem a escrever, e compreensão, caso usarem de uma ou outra palavra mal colocada.
            Olha o meu caso:
            Eu não poderia estar participando porque sou semianalfabeto.
            Valho-me da coragem para participar deste espaço democrático e incomparável, que reúne mentes brilhantes e pessoas dotadas de conhecimento e cultura admiráveis, caso contrário jamais eu poderia registrar sequer um cumprimento, quanto mais comentar sobre os assuntos postados.
            Outro abraço.

  3. O tema é por demais complexo. O voto obrigatório ou facultativo não responderá as nossas preocupações. É como estatuto de entidade/condomínio perfeito. Por mais completo e correto, sempre terá falhas e janelas abertas.
    Assim, perguntaria: mas então, onde está o problema? Fácil resposta: nas pessoas.
    O voto é direito e é dever. Em sendo um direito, pode ser exercido ou não.
    Contudo, é dever do eleitor exercê-lo com responsabilidade. E ´r aqui que a “vaca torce o rabo”.
    Gostemos ou não, de um modo geral, o voto no Brasil é exercido SEM RESPONSABILIDADE. A profunda e crescente ignorância de boa parte da sociedade, transforma-se numa poderosa arma, invariavelmente usada em favor dos políticos de ocasião/safados/vigaristas e outras coisas mais.
    Facultar o voto seria uma tentativa válida de verificar-se o nível de “cidadania” existente. Atualmente, tem-se sinais vagos desta qualidade nas pessoa.
    Contra argumentar que, facultando os candidatos comprarão votos, levarão as pessoas com promessas e qualquer outro benefício é chover no molhado. Hoje isto já acontece, com o agravante de que as pessoas já são obrigadas a votar.
    O voto tem de ser um ato consciente. Quem não votar, mais do que perder o direito de cobrar, perderá o de opinar.
    Estamos perdendo uma ótima oportunidade de realizar este teste. Quem sabe, um dia, possamos experimentar e verificar o tamanho da “cidadania” do povo brasileiro, pelo voto facultativo.
    Eu sempre defendi o voto facultativo. Ele pode, mais rapidamente, tornar o ato de votar mais consciente.

  4. Ou é DIREITO ou é DEVER.
    Não posso ser credor e devedor, ao mesmo tempo, da mesma quantia e à mesma pessoa.
    O voto opcional diminuirá, ao me ver, a força dos coronéis ladrões nos currais e à compra de voto por estes. Quanto à perda da qualidade e da representatividade dos votos, conforme apregoado por alguns, alguém acha que quem hoje vota por obrigação está preocupado com alguma qualidade?
    O que representam hoje os candidatos os eleitos por essas pessoas?

  5. No mundo apenas vinte e poucos países praticam o voto compulsório, e a metade deles está na América Latina, coincidentemente feudo dos coronéis camuflados numa pseudo-democracia.
    Além de favorecer quem está no poder central (ou detém o poder no vilarejo, rincão ou bairro) pois pode influenciar/comprar o voto com mais facilidade, aqui ainda temos o absurdo de votar num candidato e ajudar a eleger o oposto.
    Querem exemplos?
    Na última eleição no Rio de Janeiro se você votasse num candidato do PSB para deputado federal estaria ajudando a eleger um do PT, pois estavam “coligados” no estado. Porém na disputa para presidente a dilma e militantes do PT agrediam a candidata do PSB, Marina, com baixarias e mentiras.
    E a maioria dos eleitores nem sabiam que estavam fazendo isso.
    Tem que mudar quase tudo, começando pelo voto impresso que foi aprovado ontem mas, no Brasil, ninguém sabe se vai valer mesmo.

    • José Augusto Aranha, você tem toda a razão, tem que mudar muita coisa: essas
      urnas eletrônicas, sem dúvida dá margem a fraude, não há critério para escolha
      dos candidatos, qualquer um sem um mínimo de conhecimento dos problemas
      da sua Cidade, do seu Estado ou do país, sem ideologia pode candidatar-se a qualquer cargo. que
      diga-se de passagem, são os cargos mais importantes do país. FHC, Lula, um foi Senador e o outro Deputado, nunca tiveram cargos de executivos, uns inexperientes. Quanto a Dilma, ainda foi pior, nunca disputou uma eleição e todos três foram eleitos Presidente, o resultado é a situação desastrosa em que o país se encontra. Esses três: FHC, Lula e Dilma se tivessem antes governado algum Estado ou cidade, jamais seriam eleitos Presidentes.

      • Olha o artigo é bem realista, pois, faz uma análise correta, coerente, racional da relatividade do voto do brasileiro.

        Muito boa, também, a intersecção do Sr. Aranha, sempre atento.

        O Sr. Bendl, que não nos deixa esquecer, o Brasil paga pela sua carente educação.

  6. O ELEITOR BRASILEIRO TEM QUE SER ALIENADO. COMO ESCOLHER EM QUEM VOTAR NESSE MUNDÃO DE CANDIDATOS, DISPERSOS EM DEZENAS DE PARTIDOS, CADA QUAL PIOR QUE O OUTRO? VOTAR NESSES CANALHAS? SIM, PORQUE NÃO EXISTE UM SÓ POLÍTICO QUE PRESTE NESTE PAÍS. E NÃO ADIANTA QUERER FORÇAR A BARRA. PARA ISSO EXISTE O VOTO NULO !!! NEM NO VOTO EM BRANCO TENH0 CONFIANÇA. ELE PODE SER MANIPULADO. ALIÁS, NA MINHA SINCERA OPINIÃO, ESSA MAQUININHA DE VOTAR JÁ VEM PRÉ PROGRAMADA. O RESULTADO JÁ ESTÁ LÁ, ANTES DE ELA SER LIGADA! O BRASIL É UM PAÍS PODRE E TODOS OS SEUS POLÍTICOS DEVERIAM SER DESPEJADOS NUMA GIGANTESCA PRIVADA !!!

  7. Mas nos não somos obrigados a votar, e sim a comparecer na zona eleitoral , ou justificar, no dia da eleição. Vc pode simplismente ir e anular o voto, votar em branco, mas escolher um candidato ninguém e obrigado.

  8. Tenho esperança que, pelo menos, o voto facultativo, pode eliminar do cenário político, eleitores de segunda classe.
    Parcela importante do povo brasileiro sabe tudo sobre novelas, futebol, vida de artistas e coisas do gênero. E aqui, quero dizer, gênero de inutilidades e futilidades que não lhes afetam a vida. Mas com que atenção e dedicação, esta mesma parcela, ouve, vê e discute estes temas.
    Política? Longe de nós! Dizem odiar política e os políticos. Muitos deles, eleitos com seus votos.
    Pois eu odeio idiotas. Odeio quem diz besteiras, comenta sobre o que não entende, dá opinião sobre algo que nunca viu e desconhece.
    Por mais partidos e por mais candidatos, desconhecer ou não querer conhecer nada de política, é duro. Isto só tem um significado: falta de interesse.
    Assim, quem não dá valor às eleições, à candidatos e à propostas, que interesse terá em votar? É por isto que votam em qualquer porcaria! São “cidadãos” que fazem do voto uma coisa que vai para o lixão. Sem consciência, sem responsabilidade, sem compromissos. Que belo eleitor!
    São estas “pessoas” que vão às urnas obrigados. Serão que aprenderão, um dia, a votar? Nunca! Nem sabem o que estão fazendo. Pouco se preocupam com os resultados.
    Não apenas vendem os seus votos e os de outros. Nas urnas, atiram suas escolhas com desprezo, com raiva. Tanto faz o resultado. Amanhã, suas vidinhas continuarão iguais. Nem lembrarão mais daqueles para os quais “entregaram seus votos”.
    E, para completar com sua ignorância, normalmente, riem do próprio gesto.
    Como diz o poeta, músico e compositor Guilherme Arantes, “triste é o riso dos ignorantes”. E é verdade: mal sabem: estão rindo de si mesmos!
    Permitam-me complementar: triste é ter consciência num país onde, boa parte do seu povo, age e pensa assim.

  9. Prezado Jacob, apenas uma correção: Brizola, Darcy, o PDT e os trabalhistas sempre foram mal votados na zona sul do Rio. Quem era bem votado nessa área do Rio era a direita e o PT, mas antigamente, nos anos 80, 90. Brizola e os trabalhistas sempre foram muito bem na Zona Oeste e na Baixada Fluminense. Mesmo no interior do Estado, tirando talvez Petrópolis e Friburgo, Brizola nunca foi muito bem votado.

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