Por que Obama optou por matar e não capturar Bin Laden?

Pedro do Coutto

É a pergunta que se pode colocar em relação ao desfecho de domingo à noite, quando um comando da Força Seal, da Marinha, localizou e eliminou o terrorista Bin Laden na mansão em que residia na cidade de Abotabad, a 35 quilômetros da capital, Islamabad. O comando, como se vê nas detalhadas reportagens de O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, estava supertreinado e assim capaz de enfrentar diversas alternativas e emergências que sempre ocorrem em ações desse tipo.

A descida dos helicópteros que cercaram a residência e a invasão durou 40 minutos. Tempo suficiente para que o presidente dos Estados Unidos decidisse totalmente o caminho a seguir. O Estado de São Paulo de terça-feira 3, inclusive, publicou excelente foto na primeira página focalizando quando Barack Obama, Hillary Clinton, o vice  Joe Biden, o diretor da CIA, Leon Panetta, futuro Secretário da Defesa, assistiam na Casa Branca, em tempo real, a ação da força de elite da Marinha.

Claro que a vitória política de Obama foi total. Desarmou inclusive a oposição Republicana a seu governo e prometeu indiscutivelmente a recuperação plena da popularidade que o levou à vitória nas urnas de 2008. Tem-se a impressão, hoje, que o ataque bem sucedido assegurou sua reeleição no ano que vem. Se o Partido republicano já vinha encontrando dificuldade em escolher um adversário à altura, que dirá agora?

Mas a questão não é totalmente esta. Pode-se considerar que ainda melhor seria para o governo dois EUA capturar Bom Laden vivo e levá-lo a julgamento. Talvez não tenha sido possível tentar a prisão. Afinal o terrorista mais procurado do mundo, aliás o maior da história universal, responsável pela tragédia de 11 de setembro, estava nas mãos americanas após quase onze anos seguidos de sucessivas buscas e aproximações para localizá-lo. Como os criminosos sempre selam seu destino, título de antiga série publicada pelo Globo, Osama selou o seu. É sempre assim.

Ao longo dos séculos, pouquíssimos criminosos alcançaram escapar. O nazista Martin Borman, da alta hierarquia do governo Hitler, foi a exceção. Eichman foi preso por um comando israelense em Buenos Aires, 1959, quatorze anos depois do fim da guerra, Klaus Altman, na Bolívia, em 76. Bin Laden é mais um assassino terrível a cair no abismo que armou para si próprio.

Lí, com atenção, as reportagens de Fernando Eichenberg, correspondente de O Globo em Washington, de Adriana Carranca, enviada especial de O Estado de São Paulo, e da correspondente na capital americana Denise Crispim Marin. Edições de 3 de maio. Relataram detidamente todas as etapas e detalhes da operação. Moravam 22 pessoas na casa de Abotabad. Provavelmente – opinião minha – pelo que se depreende dos textos, havia uma dissidência na Al Qaeda. Uma trilha, portanto, para a CIA que possui flexibilidade e autonomia financeira. Uma rota certa para os helicópteros que bombardearam a mansão e de cujos cabos lançados no ar desceram os integrantes do comando fatal. O ataque estava programado para a noite de sábado. O mau tempo impediu e levou ao adiamento de 24 horas. Qual teria sido o pensamento de Obama nesse espaço de tempo? A decisão final teria sido sua ou coube ao desenrolar dos fatos?

Não creio que a al-Qaeda tente atentados agora, em represália. Ela sofreu um golpe duríssimo em sua estrutura. Não só a que se refere a suas ações. Mas também a que está relacionada com o comércio de armas, com o comércio da morte. Para este comércio é preciso mobilizar dinheiro e formas clandestinas de pagamento. O terror conseguirá preencher a lacuna? Eis aqui uma segunda pergunta.

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