Por que outros países recusam a urna eletrônica brasileira?

José Augusto Aranha

Em palestra proferida no Equador em dezembro de 2013, o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, citado em matéria na Tribuna da Internet sobre a falta de confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, fez algumas colocações que não trazem nenhuma tranquilidade para o eleitor:

“As máquinas usadas no Brasil, do tipo DRE (Direct Recording Electronic), são totalmente dependentes de softwares e não atendem ao Princípio da Publicidade.

Por quê? Porque o eleitor, quando vota nessas máquinas, digita em um teclado o número do seu candidato, aparece uma foto, ele aperta a tecla verde e confirma o voto. Esse voto é gravado na memória da máquina, gerando um ‘Registro Digital do Voto’. Mas o eleitor não tem como saber se o que foi gravado é o que ele viu na tela. Ou seja: não há transparência. O eleitor não pode conferir o registro do próprio voto; em quem ele votou. Por isto esse tipo de máquina de 1 ª geração não atende ao Princípio da Publicidade e foi declarada inconstitucional na Alemanha.

Outro problema é que, ao final do dia, quando acaba a votação e se faz a apuração dos votos, o presidente da mesa digita uma senha e a máquina totaliza o resultado. O resultado se chama ‘ata de escrutínio’ (ou Boletim de Urna, no Brasil), que é a soma dos votos registrados e contados naquela máquina.

Acontece que esse total dos votos não pode ser conferido pelos fiscais dos partidos. Eles não podem saber – não têm como saber – se aqueles totais que estão ali, naquela ata, são a soma dos votos que os eleitores viram na tela. Ou seja: novamente o agente do processo, que são os candidatos, não tem como saber se a soma dos votos foi correta.

Também por isso, esta máquina não atende ao Princípio da Publicidade e também não contempla o Princípio da Independência do Software . Esta máquina funciona corretamente, se o software estiver correto. Se houver algum erro não detectado no software, ela pode, eventualmente, afetar o resultado de maneira indetectável.”

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E então, você continua confiando cegamente nas urnas eletrônicas brasileiras, que são como jabuticabas, só existem aqui?…

8 thoughts on “Por que outros países recusam a urna eletrônica brasileira?

  1. As pesquisas são tão frágeis, para não dizer encomendadas, que até o histórico das eleições passadas não é analisado como referência pelas “empresas de pesquisa”.
    Afirmei algumas vezes aqui que o máximo que o PT conseguiu de votos no 1° turno, em eleições anteriores, foi 47 milhões. E isto com a economia bombando e dom lula distribuindo dinheiro. Portanto os números estavam nitidamente superdimensionados para a dilma. Era lógico avaliar que o PT não conseguiria ultrapassar 45 milhões de votos numa eleição muito disputada com 3 candidatos com possibilidades de vitória.
    Urnas de 2ª geração, com voto impresso para conferência e nova legislação regulamentando a divulgação das pesquisas. Sem isso a eleição continuará com mais dúvidas do que certezas.

  2. D E N U N C I O

    para o Brasil e para o mundo:

    quando confirmei meu voto para presidente da república,

    saiu a estranha mensagem – “máquina carregando – 20%”.

    Com mais alguém ocorreu algo semelhante?

    É desnecessário dizer que votei em um candidato para ser o

    Presidente da República, não numa candidata a “presidente”

    marionete.

    Alguém explique o que houve, SEM EMBUSTES, SEM SOFISMAS.

    Reitero que já expus: NÃO CONFIO NA TAL URNA ELETRÕNICA BRASILEIRA.

    MORRO DE MEDO DA ‘justissa’ BRASILEIRA – verdade!!!

  3. Apenas dois exemplos de outra áreas nem tão importantes, mais que confirmam a brilhante exposição: O primeiro, o Cartão Ponto Eletrônico, em que, nem Ministério do Trabalho, nem Justiça do Trabalho aceitam apenas o eletrônicamente registrado, devendo haver necessidade do comprovante impresso, inclusive com cópia para o trabalhador. Segundo, a Nota Fiscal eletrônica, que dispensa maiores comentários.

  4. Os exemplos dados pelo leitor Rubens Barbosa Lima, se acrescentam a outros mostrados em sites, por técnicos de informática e até por hackers sobre a vulnerabilidade da urna eletrônica. O senhor José Augusto Aranha em diferentes ocasiões, também trouxe outros subsídios sobre o tema, que queiramos ou não, é matéria importantíssima para ser merecedora de explicações convincentes e definitivas do STE sobre a urna.
    Neste primeiro turno da eleição, em inúmeras seções que estreavam o voto através da digital, a inovação só atrasou, e quase comprometeu a eleição, nas seções em que foi introduzida.
    A biometria, parece que está mais para fonte de Cadastramento de cada cidadão-contribuinte-eleitor, pelas digitais, conforme se tomou conhecimento no livro do delegado da Polícia Federal, Romeu Tuma Filho, o Tuminha, em tempo de Márcio Thomaz Bastos, como ministro da Justiça de Lula.
    Uma espécie de controle total sobre a manada…
    Quanto ao comprovante do voto, até agora, nada feito, até com a benção do STE. Resumo do trololó: o seu, o meu, o nosso voto, vale menos que aposta em loteria…

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