Por que Palocci não deve desaparecer da mídia

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Palocci caiu, mas seu caso deveria permanecer no ar. Quais são seus clientes? Nenhum deles se manifestou, o que é expressivo. Houvesse uma relação saudável entre as partes e, até por solidariedade, eles tenderiam a dizer que contrataram os serviços de Palocci. Talvez até com algum orgulho.

Não se esqueçam dele…

Mas não houve nada parecido com aquela passagem da vida de Espártaco, o escravo que liderou uma revolta contra os romanos. Derrotados os insurgentes, os romanos perguntaram quem era Espártaco. Seu rosto não era conhecido. Uma multidão de mãos se ergueu para dizer “sou eu” em resposta à pergunta dos romanos.

A completa falta de transparência nos negócios privados de Palocci conta muito. É um lugar comum na política brasileira. Alguém conhece os clientes do consultor Zé Dirceu?

É importante que a mídia traga à luz a clientela – que falta faz um Wikileaks nacional – para que a luta contra a corrupção avance. A legislação tem que ser rígida no caso de altos funcionários de governos que depois de deixar Brasília montem seus negócios. É lastimavelmente fácil que se trafique influência nessas circunstâncias, e isso vale não apenas para o PT, naturalmente.

Quanto a Palocci, ele deveria aproveitar parte do dinheiro que amealhou para fazer uma psicoterapia intensiva. Quando alguém como ele compra uma casa de 6 milhões de reais, é porque perdeu o sentido de realidade.

Me chamou a atenção que, nas entrevistas que ele concedeu nas vésperas da queda, ninguém tenha perguntado se ele não imaginava que o casarão o deixaria absurdamente exposto caso um dia se tornasse público.

Quanto a mim, fiz meu papel ao contar que foi Palocci quem passou às Organizações Globo os extratos bancários violados de Francenildo. Eventuais historiadores que queiram registrar aquele episódio não precisam publicar as falácias paloccianas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste artigo foi escrito em 9 de junho de 2011. De lá para cá, aconteceu exatamente o que Paulo Nogueira temia – Palocci sumiu do noticiário, com os bolsos recheados de milhões. E nada acontecerá com ele, mostrando que no Brasil ser corrupto pode dar certo como profissão. O ministro Fernando Pimentel imitou Palocci e não foi punido, porque os malfeitos foram realizados antes dele integrar o governo, vejam só a desfaçatez da atual Comissçao de Ètica do Planalto. (C.N.)

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