Por que permanece?

Carlos Chagas

Culpada ou inocente, Erenice Guerra entra no rol de ex-ministros e altos auxiliares do presidente Lula que, acusados de irregularidades, não se demitiram no primeiro momento. Nem foram  demitidos, servindo de alvo para adversários até que o desgaste os defenestrasse implacavelmente.  José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci, além de Delúbios e penduricalhos,  deixaram-se fritar até a frigideira explodir. Melhor teriam feito, em defesa do presidente Lula, se tivessem pedido as contas ao primeiro sinal de denúncias. O mesmo acontece com a atual chefe da Casa Civil, apoiada no vasto coração do chefe. Pior para todos.

A pergunta é se a permanência de Erenice ajuda ou atrapalha a candidatura de Dilma Rousseff. Pelo jeito, o presidente Lula acrescenta novo argumento ao seu sentimento de complacência: julga melhor para a candidata que sua sucessora permaneça na  Casa Civil. Pode estar enganado, como das vezes anteriores. Como coordenadora da administração federal, Erenice não apenas desgasta-se. Desgasta o conjunto, de resto inexpressivo, com as exceções de sempre. O chefe do governo perdeu excelente oportunidade de compor um ministério de primeiro time, logo depois da desincompatibilização dos ministros candidatos às eleições do dia 3. Optou por tirar os reservas do banco, inclusive na Casa Civil. Nada que ofusque sua popularidade, ao menos por enquanto, mas uma decisão responsável por  privá-lo  de conselhos essenciais para levar ao fim seus oito anos de mandato.

Porque Marina cresceu

Continuam  os  mesmos os percentuais de Marina Silva, nas pesquisas, mas setorialmente ela cresceu alguns pontos. Junto aos eleitores mais ricos, aumentaram as tendências em seu favor. A explicação é simples: cada vez mais a filha da floresta aproxima-se do asfalto da Avenida Paulista. Tornou-se neoliberal. Sua antiga pregação parece haver sido esquecida. Se o PSDB estiver atrás de uma candidata para 2014, já encontrou.

Tucanos depenados?

Enquanto Antônio Anastasia cresce em Minas, Beto Richa cai no Paraná. Yeda Cruzius não se firmou no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul, os tucanos nem aparecem. Resta-lhes São Paulo, com nítida vantagem para Geraldo Alckmin. A conseqüência, ao menos por enquanto, é de que o PSDB pode deixar de ser a grande força política no Sul e no Sudeste. Como suas chances são reduzidas no Norte,  Nordeste e Centro-Oeste,  apesar de Marconi Perilo parecer imbatível em  Goiás, surge a dúvida: diminuirão as bancadas tucanas  na Câmara e no Senado? O PMDB confirmará a condição de maior partido nacional. É bom Dilma Rousseff prestar atenção.

Na Câmara e no Senado

Por conta das expectativas favoráveis, cresce no PMDB a tendência para ocupar as presidências da Câmara e do Senado, nos dois primeiros anos da próxima Legislatura. José Sarney continuará entre os senadores e como Michel Temer permaneceria  entre os deputados, não fosse  virtual vice-presidente da República, os peemedebistas já costuram a indicação de Henrique Eduardo Alves. Bem que o PT tenta alterar o rumo dos ventos, julgando-se no direito de presidir e a Câmara, mesmo inferiorizado em número de deputados. Mas se os companheiros arriscam-se a quebrar a cara, se  retomarem antiga sugestão do presidente Lula, de formar um bloco com os pequenos partidos governistas. Estaria deflagrado o conflito.

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