Por que Serra, Aécio e Alckmin não atacam Palocci, se o próprio PT não aguenta mais o ministro? É porque todos são iguais, e a política brasileira realmente vive uma fase de invulgar decadência.

Carlos Newton

É triste a situação de Antonio Palocci, que vai sendo cozinhado a fogo brando, no estilo Martinho da Vila, “devagar, devagarinho”. Para continuar no governo, ele se humilha de tal maneira que chega a provocar constrangimento. Agora, está procurando os líderes da base aliada para buscar apoio, enquanto o governo luta agressivamente para cancelar a convocação do ministro pela Comissão de Agricultura da Câmara. É tanta mobilização, até parece que Brasília hoje vive por conta de Palocci.

Em meio a essa crise, é de estranhar o fato de que os três maiores líderes da oposição – os tucanos José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin – até agora não abriram o bico para atacar Antonio Palocci, que está acuado nas cordas, com a guarda baixa, pronto para ser nocauteado. As referências desses tucanos a Palocci são feitas com ressalvas, eles defendem o ministro com mais eficácia do que os próprios petistas.

Só há uma explicação: todos têm telhado de vidro, não podem atirar pedras na casa do vizinho. Serra também é enriquecido com “consultorias”, Aécio nasceu rico, mas tem feito tanta besteira que chega a ser inacreditável, e Alckmin é um carreirista, que não tem escrúpulos e faz aliança com qualquer um, está aí o Paulo Maluf que não nos deixa mentir.

Na quarta-feira, Palocci foi almoçar com o líder do PR, senador Magno Malta (ES), um dos mais irritados porque até agora não tinha sido recebido pelo ministro, a quem chamou de “playboy”. Palocci evitava recebê-lo, porque Malta é pastor evangélico e está “por aqui” com o governo, devido ao projeto 122 e ao kit educacional gay, que uns dizem serem anti-homofobia e outros classificam de pró-homossexualismo. Mas agora, no desespero, sem saber mais a quem apelar, Palocci recebe e convida qualquer um. Mesmo assim, sua agenda está vazia, ninguém quer ser visto com ele.

O problema de Palocci na verdade nem é apenas a oposição. Cada vez aumenta mais o número de petistas que exigem explicações dele. Como sabem que não tem explicações a dar, na verdade querem é vê-lo fora do governo, o que não seria nada mal, pois acalmaria a crise e o governo poderia tocar o barco para a frente, já que ninguém é insubstituível. Mas Lula alega que Dilma não se aguentaria sem Palocci e insiste em preservar o chefe da Casa Civil. Lula deve ter lá suas razões, Palocci é o homem que sabia demais, se for derrubado e resolver se vingar, abrindo o verbo, fará um estrago enorme, até mesmo definitivo. Lula, portanto, sabe o que faz.

Ninguém sabe ao certo o que está se passando. Há outras informações em Brasília dizendo que, nos bastidores, o governo Lula Rousseff até já teria desistido de blindar Palocci e agora estaria pouco ligando para ele, mas na boca de cena aparece o ministro Gilberto Carvalho anunciando que Palocci vai se defender antes mesmo de intimado pela Procuradoria-Geral da República, veremos se é realidade. O certo é que nada acontecerá enquanto Lula estiver no exterior, com os companheiros Raúl Castro e Hugo Chávez.

No PT a batata de Palocci está assando. Depois dos senadores Walter Pinheiro (PT-BA), José Pimentel (PT-CE) e Wellington Dias (PT-PI), e do governador baiano Jaques Wagner, agora é a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) que confirma ter pedido explicações de Palocci, porque o processo está prejudicando o governo.

“Foi uma reunião fechada em que defendi que tivéssemos todos os esclarecimentos da situação, em razão de ser um fato pessoal que está prejudicando o governo. Não defendi a saída de Palocci. Eu confio que ele vai dar todos os esclarecimentos aos órgãos competentes”, tentou amenizar a senadora, porque é suspeita de querer colocar na Casa Civil o próprio marido, ministro Paulo Bernardo, que hoje está na pasta das Comunicações.

Na verdade, o que se diz em Brasília é que a bancada do PT no Senado só tem dois integrantes a favor de Palocci: Delcídio Amaral (MS) e Marta Suplicy (SP). E os demais, como Jorge Vianna (PT-AC), não se manifestam nem contra nem a favor, o que é péssimo para Palocci. Vianna, embora ninguém saiba, é também candidato à Casa Civil. Quando José Dirceu foi demitido, Lula o convidou, mas Vianna não quis abrir mão do emprego na Helibrás. Lula então chamou Dilma, vejam como o destino é algo impressionante.

Assim, pouco a pouco, vai surgindo no PT uma campanha aberta para derrubar Palocci. A maior evidência dessa situação foi a convocação do chefe da Casa Civil para se explicar, aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara. Vários deputados petistas sabiam que a oposição se preparava para aprovar a convocação, mas faltaram à sessão propositadamente.

No desespero, a presidente Dilma Rousseff agora se volta para o PMDB na tentativa de seguir blindando Palocci. O Planalto ainda tem muitos cargos importantes a oferecer. Quem sabe a estratégia dá certo? Mas o ideal mesmo é que o governo Lula Rousseff se livre logo do incômodo ocupante da Casa Civil. Mas a parte da frente do governo ainda não quer, e a parte de trás vem só a reboque. Por enquanto a coisa está assim, e Palocci torce para o fim de semana começar logo e a pressão diminuir, como se isso fosse adiantar alguma coisa.

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