Por uma terceira Polícia

Mauro Santayna

A propósito do incidente ocorrido na porta de uma delegacia da Zona Leste de São Paulo, a imprensa chama a atenção para o “agravamento da rixa” entre policiais civis e militares de São Paulo. A questão por trás do fato não é essa, mas sim o que se seguiu a um primeiro gesto, emblemático, de um delegado de polícia, no sentido de fazer valer a lei e combater a tortura, que é crime hediondo, dando voz de prisão, em flagrante, a um sargento da PM, acusado de dar uma série de choques em um suspeito de roubo dentro da viatura a caminho da delegacia, e a reação de um bando de PMs, em sua defesa, que foi, na verdade, a defesa da parte mais visível de um gigantesco iceberg de cultura da violência e do genocídio, caracterizado pela onipotência dos agentes de segurança no Brasil, que se acham no direito de tratar, como a um animal de caça ou de sua propriedade, qualquer pessoa  que venha a cair sob sua custódia, em uma situação de “trabalho”.

Chama a atenção, também, o fato de que, na Câmara dos Deputados, circulem projetos destinados a dar à PM poder de investigação, e que, por iniciativa do Secretário de Segurança de SP, Alexandre de Moraes, PMs estejam sendo dispensados de aguardar, em casos mais simples, a conclusão de Boletins de Ocorrência por parte de delegados.

Ora, o que o Brasil precisa não é de uma legislação que divida ainda mais as diferentes  polícias, dando mais poder a cada uma delas, mas de uma nova polícia, unificada, judiciária, com a presença de um juiz em cada delegacia, para que se proceda à audiência de custódia, no momento do encaminhamento  do preso pelos agentes responsáveis pela prisão, com o rígido cumprimento do exame de corpo de delito.

NOVA FILOSOFIA

Como é simplesmente impossível, diante de fatos como esse, unificar as polícias já existentes em todos os estados, deveria ser criada, por decreto, essa nova polícia, responsável pelo policiamento ostensivo – nos primeiros anos de carreira – e depois, pela investigação, a partir da estruturação de um novo sistema acadêmico, com uma nova filosofia, baseada, fundamentalmente, no mais estrito cumprimento da lei, e suspender a realização de concursos para a Polícia Civil e Militar, até que estas viessem a se extinguir naturalmente, em uma geração, sendo progressivamente substituídas em suas atribuições, por essa nova força.

No intervalo,  poder-se-ia avançar na federalização dos crimes de tortura, sejam esses cometidos por policiais ou por bandidos, a cargo da Polícia Federal, e, se isso não for possível, na criação de delegacias específicas para a investigação desses delitos, com a presença – aí, sim, mista – de membros das corregedorias da Polícia Civil e da Militar, em todos os estados.

Sejamos claros. O que ocorreu em São Paulo não foi uma “rixa”. Foi uma tentativa, combatida pelo mais reles corporativismo, de se fazer cumprir a Lei e a Constituição. Um corporativismo cada vez mais desatado e incontrolável, que ameaça a sociedade e o Estado de Direito como um todo e que deveria ser enfrentado de frente, com coragem e com mão firme, e não da forma covarde, escorregadia e ambígua, demonstrada, na entrevista que se seguiu ao “incidente”, pelas autoridades do Estado.

9 thoughts on “Por uma terceira Polícia

  1. Não precisei ler mais de duas linhas, para constatar que o articulista sr Mauro Santayna. Nutre despropositado ódio à Policia Militar. Sugiro ao referido senhor, que procure se inteirar melhor das atividades da gloriosa corporação. homens que dão a vida e a maior parte do tempo das suas vidas. Para que o escriba acima, no conforto do seu escritório ou do seu lar escreva impropérios desta magnitude.

  2. Não é bem Boletim de Ocorrência e sim Termo Circunstanciado, para casos onde a representação do crime seja opcional por parte da vítima, como acidentes de trânsito, Vias de Fato, Ameaças, etc….

  3. A polícia brasileira é uma PORCARIA…
    Assim como são os hospitais, as escolas, as estradas, as leis, os políticos, …
    Mas ainda não inventaram coisa melhor para você ligar em caso de emergência e para combater o crime (vai ver é por isso que é sucateada!).
    Mas não dá pra tirar essa polícia ruim da rua e esperar a formação de uma polícia padrão Avatar.

  4. Os bons policiais são mortos, parte da culpa é dos maus policias.
    São roubados e furtados em média dezenas de carros diariamente no Rio de Janeiro,
    só são encontrados quando se trata de um figurão. Será que a polícia não sabe dos
    locais de desmontes de carros? Como armas e drogas chegam nas favelas?
    Tinha-se que fazer uma limpeza geral nas polícias, os que sobrassem ficariam no quartel, saindo apenas para casos que houvesse necessidade de um grupo maior e criar uma nova polícia com nova
    mentalidade e isso é possível, dependendo de vontade política

  5. O sonho dos comunas brasileiros é acabar com tudo que lembre militarismo. As sovas que levaram em 35, 64 e nos “anos de ouro” causam-lhes urticária quando pensam em fardas.

    Mas há outro motivo para essa pregação quase raivosa, que é desviar o foco da causa real do aumento da violência no país: a adoção de políticas progressistas na segurança e na sociedade. Em nome da justiça social, Brizola proibiu a PM de subir nos morros, a violência explodiu, passaram a culpar o “lixo autoritário” e a conceder mais “direitos humanos”. Quanto mais direitos e mais relaxamento dos valores (libertinagem, desrespeito às autoridades, pregação anti-religiosa, etc), mais a violência aumentava, jogou-se então a culpa para a “cultura das armas”. Empurraram goela abaixo do povo o tal do desarmamento, de novo a violência aumentou; urge arrumar outro culpado. O bode da hora é a “militarização” da PM. Enfim, trata-se da manjada patifaria esquerdista, agindo insidiosamente para engambelar os incautos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *