Porque a interveno

Carlos Chagas

Um monte de argumentos pueris vem surgindo para tentar convencer o Supremo Tribunal Federal de que a interveno federal em Braslia deve ser rejeitada. Ainda bem que a mais alta corte nacional de justia no se deixa influenciar. Seus onze ministros tem pautado suas decises pela independncia at mesmo diante de presses populares. Imagine-se, ento, frente a interesses mais ou menos escusos de polticos empenhados em manter a capital federal na lama.

Dizem uns que o precedente seria muito perigoso, pois logo o governo tentaria intervir em outros estados. Seria fazer pouco do Procurador Geral da Repblica e do prprio presidente Lula, que jamais privilegiou governadores do PT ou discriminou governadores da oposio. Alm do mais, no se tem notcia, em nenhum outro estado, de governadores, secretrios e deputados flagrados botando dinheiro vivo no bolso, na bolsa e na meia.

Argumentam tambm que seria atropelada a independncia de Braslia, mas se para afastar a hiptese de polticos sem escrpulo continuarem roubando, nem haver que hesitar.

Prevista na Constituio, a interveno federal dispe de trmites regulares. Deve ser declarada pelo Supremo e aprovada, depois, pelo Congresso. Cabe ao presidente da Repblica designar o interventor, cujas atribuies sero as mesmas do governador afastado. Em nenhum momento estaro suspensas as liberdades pblicas. Apenas, restabelecidas a honra e a dignidade perdidas.

Dvidas

Agora que teve sua candidatura lanada oficialmente em congresso do PT, com direito a louvaes do prprio presidente Lula, como estar Dilma Rousseff desempenhando suas funes na chefia da Casa Civil? Despachar processos e adotar iniciativas administrativas com a mesma diligncia anterior? Recusar atender telefonemas de polticos, ministros e companheiros vidos de solidarizar-se com sua indicao?

Parece difcil conciliar as duas situaes, sendo que a natureza das coisas deixa poucas dvidas sobre qual delas prevalecer. Seria injustia concluir ter a Casa Civil se transformado em comit de campanha eleitoral, mas por a que o processo flui. Melhor faria a candidata e ministra caso se licenciasse ou, mesmo, pedisse exonerao do governo antes do prazo fatal do dia 3 de abril, imposto pela lei. O diabo que se assim agisse, comprometeria o presidente Lula ao viajar com ele para inaugurar obras do PAC. O chefe que seria acusado de estar fazendo campanha…

Data marcada por quem?

No deixa de ser engraada a informao de que Ciro Gomes resolver sobre seu futuro depois de uma conversa com o presidente Lula, dia 15 de maro. Por que essa data remota, agendada com tanta antecedncia? Pelo jeito, foi o prprio Ciro que marcou, como prazo final para decidir se ser candidato presidncia da Repblica, ao governo de So Paulo, Cmara dos Deputados ou a nada.

difcil a situao do ex-governador do Cear e ex-ministro. Aceitou a sugesto do presidente Lula para transferir seu ttulo eleitoral para So Paulo, dando a impresso de que cederia ao convite para disputar o governo do estado. Suas declaraes, de l para c, desmentem a possibilidade que chegou a humilhar os companheiros do PT, j que Ciro pertence ao PSB. Acresce no ser fcil para um recm-chegado na poltica paulista superar a candidatura de Geraldo Alckmin.

Candidato presidncia da Repblica quando o presidente Lula e o PT j formalizaram Dilma Rousseff? Sempre haver o raciocnio de que, disputando o palcio do Planalto, poderia tirar votos de Jos Serra, ainda que as pesquisas apontem o inverso. Mas candidatar-se para perder, sabendo das dificuldades inerentes a um pequeno partido, no parece tpico da personalidade dele. Melhor aguardar.

Prioridade

Para o ministro Edison Lobo, a prioridade candidatar-se a mais um mandato no Senado, pelo Maranho. Teria chances de eleger-se governador, mas a vez da governadora Roseana Sarney, com direito a concorrer reeleio. Outra possibilidade, sobre a qual o ministro rejeita sequer pensar, quanto mais conversar, seria de companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Acontece que a direo do PMDB fecha em torno do presidente do partido, Michel Temer. Lobo jamais disputaria a indicao. Mas se o presidente Lula criasse obstculos ao parlamentar paulista, como j andou criando, tudo mudaria de figura. Certa, mesmo, a desincompatibilizao do titular das Minas e Energia, a 3 de abril.

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