Porque nao largamos do pé dele

Carlos Chagas 

Mais uma vez, a mesma música. Parece que o homem não conhece outra,  há anos entoada em ritmo de forró. Fala-se da permanente implicância do ex-presidente Lula com a imprensa. Agora foi no Congresso da União Nacional dos Estudantes. Queixou-se de que os jornalistas não largam do pé dele, como se não fosse notícia, além de usar palavras pouco vernaculares para comentar que o governo de Dilma Rousseff não é fraco.  Mas foi adiante, opinando que os maiores jornais do Rio e de São Paulo sequer chegam à Baixada Fluminense e ao ABC. Uma  bobagem, bastando verificar os índices de circulação.

 Se há implicância, é da parte dele, muito mais do que da nossa. E injustiça, também, porque  ninguém será exemplo igual de  produto da mídia. Desde os tempos de líder sindical, passando pela fundação do PT e as campanhas em que foi derrotado, até chegar ao poder, o Lula deve seu sucesso aos meios de comunicação. Por que essa perseguição?

 A resposta é simples. Porque até hoje ele não entendeu o papel dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão. Provavelmente também não percebe o valor dos e-mails e twitters em crescimento por aí.

A imprensa não vive para elogiar, muito menos para promover pessoas,   idéias e projetos. Existe para trasmitir à sociedade tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor. Só assim a sociedade se irá aprimorar. E se isso não acontece, cabe-nos atuar e resistir para que aconteça.  Erramos muito, como qualquer outro segmento social, mas melhor assim do que como nos períodos em que nos tiram a liberdade.

Quanto à crítica de certas publicações a respeito dele  ter vindo a Brasília socorrer Dilma, os fatos falam por eles mesmos, conforme depoimento das bancadas do PT e do PMDB com quem dialogou. Desdouro algum  verificou-se para a sucessora, já que em meio a crises toda ajuda é  bem-vinda. Não há nada a opor ao fato de a Petrobrás, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil  ajudarem financeiramente a UNE a realizar seus congressos, como ajudam montes de veículos de comunicação.  Lamentável, porém, seria assisti-los  omitindo, distorcendo ou inventando notícias por conta da publicidade fácil.    Como, da mesma forma,  seria  triste ver  a União Nacional dos Estudantes abandonar sua tradição de luta em troca de alguns centavos usados para alugar auditórios ou distribuir cartazes.

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ECONOMIA NAS CAVALARIÇAS  REAIS

 A França comemorou, quinta-feira, mais um aniversario da queda da Bastilha. Nenhuma menção se ouviu em homenagem ao grande precursor da Revolução Francesa, que morreu antes de sua eclosão, Jean Marie Arouet, o Voltaire. Sem o seu sarcasmo e a sua critica, quem sabe os “Luizes” ainda estivessem até hoje governando em Paris.

A propósito de Voltaire, uma historinha talvez aplicável a parte do ministério que envolve a presidente Dilma Rousseff.

 Sabendo que o regente da França, Felipe d’Orleans, resolvera adotar medidas de contenção de gastos, vendendo a metade do plantel instalado nas cavalariças reais, Voltaire escreveu que melhor faria o governante caso se livrasse não dos cavalos, mas dos asnos que circundavam  o trono.

Dias depois, passeando no Bois de Boulogne, o regente deparou-se com Voltaire e disse: “Monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma visão de Paris que o senhor jamais conheceu.” Imediatamente,  mandou o ainda jovem para uma cela na Bastilha, onde ele  penou por alguns meses.  Depois, arrependido, Felipe d’Orleans mandou soltar Voltaire e ainda o premiou com uma pensão anual  de algumas centenas de francos.  Recebeu  carta de agradecimento que fez Voltaire perder a benesse e  exilar-se na Inglaterra: “Fiquei feliz em ver que Vossa Majestade está providenciando minhas refeições, mas aproveito para dizer que de minha moradia, cuido eu mesmo…”

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A ATRAÇÃO DO  FUTURO

 Na última sessão do Senado antes do recesso, ontem, o senador Cristóvan Buarque  aletou para a atração do futuro, inexistente no Brasil. Nossos níveis de poupança são ínfimos, quem pode  pensa apenas em consumir, adquirindo bens. O consumo é desvairado, entre nós. Poucos pensam no futuro, no bem-estar da população que virá,  valor que não se compra no mercado. Investimentos em saúde, educação e segurança tornam-se imprescindíveis,  não a compra de bens de toda espécie, principalmente os supérfluos.

O senador lembrou o risco de seguirmos o exemplo de Portugal,  que com o Descobrimento ganhou uma espécie de pré-sal daqueles idos, mas não se preocupou em utilizar  o ouro que tirava do Brasil para progredir e industrializar-se. Quem fez isso, com o nosso ouro, foi a Inglaterra, tornando-se  uma nação avançada, enquanto Portugal permaneceu atrasado.

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