Porque não navegamos num mar de rosas, não me ufano do Brasil

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Acílio Lara Resende

Filho de um amigo, de 20 anos, estudante de direito, depois de experimentar no ano passado excelente temporada nos Estados Unidos, passará agora dois meses no Canadá. Seu pai me anunciou a viagem feliz da vida. Disse-me que o aconselhou a ficar por lá e a não voltar tão cedo. Não creio que esteja certo, mas, na verdade, o Brasil não anda merecendo o que de melhor dispõe – os jovens, seu maior tesouro.

Ouvi quieto o desejo do amigo e, obviamente, elogiei a ótima oportunidade que deu ao filho. Uma exceção à regra, sem dúvida. Não sei por que, me lembrei do polêmico livro “Porque Me Ufano do Meu País”, que, no passado, foi leitura obrigatória durante anos, de autoria do Conde Afonso Celso (1860-1938), mineiro escritor, advogado, professor, político e também fundador da Academia Brasileira de Letras.

A notícia da viagem veio depois da morte de Mandela e antes do jogo entre Atlético do Paraná e Vasco, no último domingo, na cidade de Joinville, no Estado de Santa Catarina. Um jogo de vida e morte, como se o futebol e o esporte em geral, ao contrário do que pregou o maior pacifista do mundo, fossem uma batalha sangrenta.

Um dos times, o Atlético do Paraná, antes do jogo, só pensava na sua participação na Copa Libertadores da América; o outro, o Vasco da Gama, que, ao lado do Fluminense, vinha de péssima campanha, precisava desesperadamente da vitória para escapar da segunda divisão. Para os jogadores e torcedores do time carioca, a derrota seria, pela segunda vez em cinco anos, dura humilhação! Para os dois, pois, valia tudo, até a morte violenta de quem quer que fosse.

DECEPÇÃO COM A RAÇA HUMANA

As cenas foram ao ar em todos os canais de televisão do país e, como todos nós esperávamos, percorreram o mundo. Pensei em cancelar minha matrícula de brasileiro. De fato, não me ufano do meu país (e cada vez mais me decepciono com a raça humana…). Quase dei razão ao amigo que deseja ver o filho o mais longe possível de um país que só sabe tirar o sono dos justos. Que tem uma natureza pródiga e um povo bom, mas está longe de ter representantes à altura do seu destino.

Também sem saber por que motivo, após a “batalha de Joinville”, a CBN reeditou uma declaração do ex-ministro José Dirceu (que agora debocha do povo e de nossa Suprema Corte), dada no início dessa vergonha que foi o mensalão: “Este governo não ‘róba’, não deixa ‘robar’ e combate a corrupção”. Que bonito! A frase foi dita com a pronúncia do “o” bem aberta. Lembrei-me, então, do que disse certa vez meu irmão Otto Lara Resende: “No Brasil, o roubo começa pelo furto do ‘u’ do verbo roubar”. Só que, no caso de Dirceu, a ação criminosa foi muito além. Que ele aprenda hoje, no mínimo, a usar bem o verbo…

O mineiro Afonso Celso de Assis Figueiredo Junior (ou simplesmente Conde Afonso Celso) foi companheiro, na Academia Brasileira de Letras, dentre outros, de Machado de Assis, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. As boas companhias, todavia, não o impediram de publicar o livro a que me referi acima. Foi ele quem deu vida ao ufanismo – um sentimento ruim, meio bobalhão, de exacerbado orgulho por este país grandalhão. Esse sentimento me lembra o movimento armado de 1964 e, em especial, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. O que os une é o mesmo sentimento, pois, para ambos, navegamos num mar de rosas.

Mas nem tudo está perdido: que, lá na África, Obama e Castro se entendam e Dilma e Lula compreendam quem foi Mandela… (transcrito de O Tempo)

11 thoughts on “Porque não navegamos num mar de rosas, não me ufano do Brasil

  1. Mais uma vez o Sr. Acílio Lara Resende nos brinda com um artigo de qualidade.Parabéns!
    Também não tenho como me ufanar desse país sob o comando de uma corja que, praticamente, há doze anos nos infelicita em todos os sentidos.
    Lula, Dilma, Dirceu e tantos outros que representam o PT,- que, nada mais é do que uma organização criminosa-, são os cânceres a serem extirpados.

    PS:. Sempre que um artigo não vá de encontro aos interesses dos petebas, eles aparecem por aqui para desqualificá-lo.

  2. Nunca vi tanta bobagem junta,com certeza ele não ficou nas escolas que a toda hora nos USA,atiraram-se a esmo matando uma série de inocentes.Por favor, não volta , fica por lá mesmo no sonho americano.NaInglaterra numa só partida houve 96 mortes,na Itália esfaquearam 06 na semana passada,parem com isso vão O plantar batatas,esse é o maior país do mundo pra se viver,independente de corrupção,violência,miséria etc….o país é maravilhoso,o que falta é um povo que acredite que podemos chegar lá.

  3. E o que é que esse pai filho da puta que manda o filho ser imigrante pode fazer pelo Brasil?
    Mandou o filho ser infeliz e enxovalhado em país alheio. E ainda por cima mentir, dizendo que está feliz como imigrante.
    No país para onde ele vai limpar privadas e esfregar o chão pisado por estrangeiros, existe um velho aforisma de um Presidente: “Não pergunte o que o seu país pode fazer para você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país.”

  4. Gostei muito do seu artigo, Sr Acílio Lara Resende.
    Traçou paralelos para nossa reflexão.

    Também fiquei muito triste quando vi, em meio às tragédias das enchentes, motoristas serem roubados pelo povão nas ruas alagadas.
    E as “guerras” de gangues no futebol, ou fora dele, são sangrentas, são bárbaras.

    Nosso povo não é “bonzinho”, como se dizia num programa humorístico. O exemplo vem de cima? Provavelmente.
    Também tenho amigos cujos filhos foram para o Canadá pois os biólogos brasileiros não são aproveitados. Só lhes resta ser professor e se contentar com salários vis. Não há pesquisas no Brasil, as portas são fechadas aos jovens cérebros.

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