Porta-voz do Planalto é o próximo a ser derrubado pelas intrigas da família Bolsonaro

Rêgo Barros no Planalto: Porta-voz é alvo de aliados de Bolsonaro Foto: Jorge William / Agência O Globo

Desgaste da Imagem de Bolsonaro é atribuído a seu porta-voz

Ana Clara Costa e Renata Vieira
O Globo

Conhecido pela postura moderada e gosto pela leitura, o porta-voz Otávio do Rêgo Barros — general que comandou a comunicação do Exército na gestão de Eduardo Villas Bôas — atribuiu-se a missão de melhorar a relação entre Jair Bolsonaro e a imprensa , além de unificar as divulgações do Executivo como um todo. Ele, contudo, tem encontrado obstáculos pelo caminho.

As críticas diretas recebidas do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) no fim de semana (“porta-voz serve para proteger, não para expor”) e as indiretas proferidas pelo vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) na sexta-feira (“por que o presidente insiste no tal café da manhã semanal com ‘jornalistas’?”) já ecoam nos corredores do Palácio do Planalto há alguns meses.

CAFÉS DA MANHÃ – No gabinete de Fabio Wajngarten, novo secretário de Comunicação do governo, as críticas aos cafés da manhã são frequentes desde sua entrada no cargo, em abril. A avaliação é de que a estratégia, elaborada por Rêgo Barros, é ineficaz em melhorar a imagem do presidente e transmitir a ideia de que é Bolsonaro quem lidera os esforços para o país avançar. Wajngarten nunca participa dos cafés e mantém relação distante com o porta-voz.

Ainda que Bolsonaro tenha defendido o general dos ataques de Feliciano e Carlos, afirmando que Rêgo Barros o trata “com muito zelo, muita preocupação”, não são raras as vezes em que o presidente chama a atenção do subordinado por discordar do tom de algum pronunciamento. Também já ocorreram situações em que, no meio de um briefing de imprensa, Bolsonaro muda de opinião sobre um determinado tema, deixando Rêgo Barros em saia justa. Exemplo disso ocorreu no início de junho, quando o presidente havia cancelado uma viagem à região de Barra dos Garças, em Mato Grosso, mas recuou justamente no momento em que Rêgo Barros anunciava a mudança de planos.

IDAS E VINDAS – Em outro episódio, no final de junho, Rêgo Barros anunciou que Bolsonaro não recuaria dos três novos decretos sobre a flexibilização da posse de armas. Preparou o briefing com a informação e, enquanto fazia esse anúncio, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, costurava um acordo para revogar os três textos recém-publicados. O porta-voz foi pego de surpresa.

As idas e vindas e as tensões no Palácio do Planalto têm impactado a saúde do general. Rêgo Barros submeteu-se, no ano passado, a uma cirurgia para colocar uma prótese nos quadris. Por isso, deveria se dedicar a sessões frequentes de fisioterapia — rotina que não tem conseguido cumprir em razão do tempo escasso. Sua alimentação, fundamental para o controle do peso, já que não pode se exercitar, também piorou.

SEM PROMOÇÃO – A ida do general para o governo também lhe custou um preço alto no aspecto profissional. Ao ingressar no Palácio do Planalto, ele estava prestes a passar pelo último filtro do Exército para se tornar um general quatro estrelas, título que o alçaria ao restrito Alto Comando da instituição. Caso não fosse promovido, iria para a reserva. Como a função de porta-voz traz uma exposição política não desejada pelo Exército, sua estada no governo Bolsonaro contribuiu para que, em junho, Rêgo Barros saísse da ativa com três estrelas. Ou seja, acabou não sendo promovido.

Além de Rêgo Barros, Carlos Bolsonaro e Feliciano coincidem em outros ataques a quadros do Executivo. Os ex-ministros Gustavo Bebianno e Carlos Alberto dos Santos Cruz, além do vice-presidente Hamilton Mourão, foram alvos no passado. Bebianno e Santos Cruz caíram. Mourão se recolheu, reduzindo as declarações controversas em público.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A culpa pela má imagem do presidente não é de Rego Barros, mas do próprio Bolsonaro. Com café da manhã ou sem ele, nada mudará. O chefe do governo não pode ver um repórter ou um cinegrafista de TV e logo dispara a falar asneiras. Os irmãos Bolsonaro vão demitir o general Rego Barros à toa, igual ao Bebianno e ao Santos Cruz, sem o menor motivo, aumentando a crise interna do Planalto. (C.N.)

7 thoughts on “Porta-voz do Planalto é o próximo a ser derrubado pelas intrigas da família Bolsonaro

  1. Há uma contradição na matéria. Se ele saiu com três estrelas gemadas, então é Coronel, não General.
    Se foi prejudicado ao atender ao chamado do governo, calculou pessimamente seu futuro profissional, pois meteu a mão na cumbuca.

  2. Uau, mesmo estando há 200 dias no novo emprego o presidente age como se fosse deputado, não pode ver um microfone na frente que já sai dando declarações. Este comportamento seria aceitável se ele fosse um presidente de mentirinha como nos regimes parlamentaristas. Mais um pouco e vamos ter um governo teleguiado, onde os ministros antes de tomarem qualquer decisão consultam antes a opinião do astrólogo-filósofo e, os três filhos do chefe a respeito do assunto. Aí teremos um governo que será a cara dos que vieram antes deste, recheados de incompetentes e puxa sacos.

  3. Que porcaria é este MPF, medo de abrir investigações, que droga, não sou partidário, mas justiça é para todos, se errou, tem que ser responsabilizado, até hoje não sabem onde o Queiroz se meteu, se a PF descobre esconderijo de bandido no exterior, como pode este ser ter se camuflado assim, este país está uma droga, com a ajuda de uma mídia conivente e um stf destruído, matéria abaixo, vergonha ser brasileiro:
    https://veja.abril.com.br/politica/dialogos-deltan-viu-chance-de-bolsonaro-barrar-investigacoes-sobre-flavio/

  4. Que diabo de país é esse? Quem é que manda nesta porcaria? De uma coisa estou certo: NÃO É O JAIR BOLSONARO. Podem ser os desmiolados filhos dele, pode ser o imbecil que morra na Virgínia, pode ser o c====== de asa. Mas o que se diz presidente não manda nada nem entende porra nenhuma de administração ou de política. Já devia ter sido “empixado”.

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