Porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle recua e diz à PF que se enganou

O funcionário disse que havia se sentido ‘pressionado’

Paulo Roberto Netto
Fausto Macedo
Estadão

O porteiro do condomínio Vivendas da Barra recuou em depoimento prestado à Polícia Federal nesta terça-feira, dia 19, e afirmou ter lançado errado o registro de entrada de Elcio Queiroz na casa 58, do presidente Jair Bolsonaro, na planilha de controle do condomínio.

O funcionário disse que havia se sentido ‘pressionado’ e deu a primeira versão para o episódio, no qual a entrada do suspeito de matar Marielle Franco foi autorizada pelo ‘Seu Jair’. Apesar de dizer que se sentiu ‘pressionado’, o porteiro afirmou que ninguém o pressionou a prestar a versão em que menciona o presidente.

“ENVOLVIMENTO INDEVIDO” – O funcionário foi ouvido no inquérito aberto para apurar o seu próprio testemunho no caso Marielle. A investigação foi solicitada pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) para apurar ‘tentativa de envolvimento indevido’ do nome de Bolsonaro nas investigações sobre o assassinato da vereadora.

A investigação teve início após reportagem da TV Globo mostrar que um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, um dos acusados pela execução de Marielle) deu entrada no condomínio Vivendas da Barra em 14 de março de 2018 dirigindo um Renault Logan prata. Ele teria informado ao porteiro que iria visitar a casa 58, de Bolsonaro. O porteiro afirmou ter confirmado a entrada com o ‘seu Jair’.

EM BRASÍLIA – O presidente, à época deputado federal, estava em Brasília conforme registros da Câmara dos Deputados. A repercussão do caso levou Moro a solicitar, via Procuradoria-Geral da República, a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar o depoimento do porteiro.

Segundo o ministro, há ‘inconsistências’ no depoimento do funcionário, o que poderia classificar o ato como ‘crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho ou denunciação caluniosa’. Aras aceitou o pedido de Moro e enviou o ofício ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que solicitou a abertura das investigações no dia 06. No mesmo dia, a Polícia Federal abriu o inquérito.

FEDERALIZAÇÃO – Em setembro, a então a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que o caso fosse conduzido em âmbito federal, o que será analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) até o fim deste ano. Foi um dos últimos atos de Raquel no cargo.

A defesa de Lessa e Queiroz, inclusive, utilizam a manifestação de Raquel para pedir a suspensão do processo, alegando falhas na investigação e obstrução por parte da Polícia Civil. A federalização do caso, no entanto, enfrenta resistências do Ministério Público do Rio, que comanda as investigações. Se aprovada, o caso deixará as mãos da promotoria estadual.

“INJUSTIFICÁVEL” – Em entrevista ao ‘Estado’, o ex-ministro da Defesa e Segurança Pública na gestão Michel Temer, Raul Jungmann, classificou como ‘injustificável’ a ação do Ministério Público do Rio em barrar a federalização. O Ministério Público repudiou as declarações do ex-ministro e afirmou que o acionou formalmente para dar explicações à Justiça.

19 thoughts on “Porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle recua e diz à PF que se enganou

  1. Joice também recuou!
    Pegou os filhoe e foi pra Disneyworld esfriar a fuça e comer hambúrguer, sem trauma. E SEM CUSTO!

    Assim até eu! Me paga uma bufunfa de 5 digitos que eu assino e pago setentinha no partido ALP Aloprados Pró Bozocraudio.

    Depois voto no Enéas, só de sacanagem! Que mais pode ser aprendido quando alguem se embrenha numa roubada?!

  2. O que vai acontecer com o porteiro agora?

    Vai perder o emprego por incompetência?
    Sim, porque esse funcionário é um perigo pra segurança dos moradores.

    Vai ser processado por falso testemunho por duas vezes?

    Minha opinião: Acho que não vai acontecer nada.
    Muito estranho tudo isso.
    Atenciosamente.

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