Pra não dizer que não falei de flores e sim de Muricy. Que de “herói nacional” se transformou em amarelão, como proclamaram torcedores do Fluminense, ontem, no Engenhão e na vitória.

Helio Fernandes

Como não estava escrevendo quando o treinador deixou, perdão, abandonou o Fluminense, não pude comentar sua atitude impensada, insensata, destrambelhada. Mas acostumado a escrever e comentar “em cima do laço”, teria dito o que digo hoje, pois no gesto de Muricy não cabem duas interpretações.

Sua “grande jogada, que o elevou à condição de herói nacional, louvado de todas as formas, modos e maneiras”: convidado para treinador da seleção nacional, objetivo e esperança de todos e sem qualquer restrição, recusou taxativamente. E explicou: “Tenho contrato com o Fluminense e não costumo rescindir contratos”. Ainda não tinha esse contrato assinado, mas os comentários vinham todos da mesma fonte e simbolizavam elogios os mais saudáveis.

Quase um ano contratado pelo Fluminense com generosos 700 mil mensais, inesperadamente Muricy deixa o clube, nas vésperas de compromissos sérios e importantíssimos. E o mesmo cidadão que desdenhou da seleção para se manter fiel ao contrato com um clube, larga tudo com desculpas inaceitáveis, esfarrapadas e sem qualquer base ou mérito.

Justificativa de Muricy para abandonar o Fluminense, com contrato e os salários em dia: “O Fluminense não tem estrutura para se trabalhar, a maior parte das contusões dos jogadores vem da falta de condições do gramado das Laranjeiras”. Há!Ha!Ha!

Duas perguntinhas inúteis, ingênuas, inócuas. 1 – Nos outros clubes onde trabalhou, Muricy encontrou condições ideais ou pelo menos melhores do que no Fluminense? 2 – No seu primeiro ano no Fluminense, com condições naturalmente iguais, Muricy foi campeão. Mudaria o Natal ou mudaram as expectativas de novos títulos?

Muricy “viu” que a situação em relação a títulos era precária, e com expectativas difíceis. Vinha perdendo seguidamente aqui e na Libertadores. Nesta, disputou dois jogos “em casa”, conseguindo apenas dois empates. O próximo jogo seria no México. Muricy saiu 72 horas antes, provocando total estarrecimento.

A conseqüência para Muricy foi desastrosa, nem ele imagina que fosse por aí. É lógico, claro e evidente o fato do Santos (de grande e respeitado elenco) estar sem treinador, deve ter motivado o Muricy.

Todos os comentaristas esportivos de rádios, televisões, jornais, blogues e sites não deixaram obviamente de ligar a saída de Muricy do Fluminense com a vacância do Santos. Muricy então anunciou; “Vou descansar 30 dias e depois decidirei onde irei trabalhar”. Mas foram divulgadíssimos os contatos ainda não contratos, com dirigentes do time de São Paulo. E dificilmente Muricy e Santos deixarão de se unir por um acordo que não terá grande ou longa validade.

***

PS – Ontem, no Engenhão, torcedores do Fluminense manifestaram sua posição diante do treinador. Os cartazes com a inscrição “MURICY AMARELOU” estavam em todas as partes do estádio.

PS2 – E depois da vitória inesperada (principalmente para Muricy) os torcedores se perguntavam, aos gritos: “Com Muricy o Fluminense teria ganho naquela reação?”                  

PS3 – Faltavam 10 minutos para acabar o jogo, o Fluminense perdia por 2 a 1. Aos 37 empatou, aos 43 fez o gol da vitória. Os treinadores valem quanto pesam ou quanto pensam?

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