Pré-Sal, o centro do debate entre Dilma e Marina

Pedro do Coutto
Reportagem de Mariana Carneiro e Samanta Lima, Folha de São Paulo de 16, destaca as restrições feitas pelo coordenador da campanha de Marina Silva, Walter Feldman, ao modelo adotado pelo governo Dilma Rousseff para explorar o Pré-Sal, que está fornecendo no momento uma produção de 500 mil barris de petróleo por dia, correspondendo – acrescenta o jornal – a um quarto do total extraído dos poços do país. Aliás, por falar em Pré-Sal, ele passou a representar o principal debate travado entre as duas principais candidatas às eleições presidenciais de outubro. Tornou-se o centro da questão e deve permanecer como tal no desenrolar da luta no segundo turno.
Em primeiro lugar, o debate foi aberto pela atual presidente da República, com base em declaração da ex-senadora que, num descuido, sustentou que o Pré-Sal não estaria entre as prioridades de seu governo, se este for o desfecho das urnas. O PT, então, voltou-se por inteiro para acentuar que a candidata do PSB estaria contra o projeto em sua essência. A extrapolarização surtiu efeito, tanto assim que o PSB decidiu editar uma nova versão programática. A dúvida, entretanto, permaneceu na cabeça dos eleitores.
A prova de que permaneceu uma nuvem envolvendo o tema está na reportagem de Mariana Carneiro e Samanta Lima, com base em exposição feita por Walter Feldman, coordenador da campanha de Marina Silva. Teria sido melhor, para a candidata do PSB, que as afirmações feitas a respeito do assunto tivessem partido dela própria, e não de seu principal coordenador. Teria  transmitido um sinal mais acentuado de firmeza, já que o problema refere-se diretamente a uma solução de governo, não da assessoria. O campo do Pré-Sal é por demais sensível, extremamente técnico, além de incluir interesses econômicos de extraordinário vulto.
O modelo adotado para o Pré-Sal é essencial no confronto entre as duas candidatas no segundo turno, mas não é o único. Vários outros serão incorporados ao debate final, já que com onze candidatos as teses se diluem em tal pluralidade, não permitindo a centralização que inevitavelmente marca as decisões no segundo turno. Tem sido sempre assim e assim, creio, será mais uma vez, tornando o desfecho imprevisível com base no quadro hoje delineado. Vai depender do desempenho de uma e de outra ante as telas da televisão, já que os comícios e grandes concentrações públicas desapareceram do calendário eleitoral. O voto, hoje, é disputado à distância, através dos aparelhos de televisão.

A FORÇA DA IMPRENSA
Os jornais têm também seu  lugar em matéria de importância e influência pelo poder que possuem, ao lado das principais revistas, de fazerem repercutir os fatos que acontecem ao longo e à margem das disputas. A imprensa não perdeu – nem perderá – seu papel de confirmação dos acontecimentos e dos impactos capazes de gerar reflexos no endereço das urnas. Principalmente na reta final, quando cai sensivelmente o número de indecisos e também daqueles que, até as vésperas, pretendiam anular o voto ou votar em branco.
Em todas as eleições o fenômeno se repete. E será sempre assim. As disputas eleitorais somente acendem e esquentam quando o confronto ganha caracteres de competição esportiva. Exatamente quando a emoção entra em cena e passa a ser um fator dominante da vontade de cada eleitor, de cada eleitora. No mundo todo é assim: faz parte da democracia, da liberdade, da vontade coletiva.

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